Qualificação Técnica e Profissional para Jovens no Nepal — Employment Fund
Qualificação Técnica e Profissional para Jovens no Nepal — Employment Fund
Qual era o objetivo?
Subsidiar a formação técnica e profissional de curta duração e apoiar a inserção no mercado de trabalho não agrícola de jovens pobres e em situação de vulnerabilidade social.
Onde e quando?
O Employment Fund (EF) foi criado em 2008 com o objetivo de prover formação profissional subsidiada e serviços de colocação no mercado de trabalho, sendo operado em parceria com provedores locais de treinamento em todo o Nepal. Os resultados abaixo se referem a um estudo quase-experimental Os estudos experimentais utilizam mecanismos aleatórios (isto é, sorteios) para definir quem será e quem não será contemplado por um determinado programa ou política pública, garantindo que as diferenças futuras entre estes grupos possam ser atribuídas com maior credibilidade à intervenção em si — e não a diferenças entre quem é e quem não é "tratado". com regressão em descontinuidade fuzzyMétodo de avaliação de impacto usado quando a elegibilidade para um programa ou tratamento muda em torno de um ponto de corte, mas nem todos os indivíduos elegíveis participam e/ou alguns não elegíveis acabam sendo tratados. Diferentemente da regressão em descontinuidade “sharp”, em que o ponto de corte determina diretamente quem recebe o tratamento, na versão fuzzy o ponto de corte altera a probabilidade de participação. O efeito estimado se refere, em geral, aos indivíduos cuja participação foi influenciada por estarem acima ou abaixo desse ponto de corte., que utiliza dados de três coortes consecutivas de candidatos ao programa, em 2010, 2011 e 2012, totalizando 4.677 indivíduos na linha de base, com acompanhamento de 4.101 pessoas na primeira rodada de seguimento.
Como era o desenho?
O programa subsidiava cursos de capacitação técnica de curta duração, de 4 semanas a 3 meses, em mais de 65 ocupações (como alfaiataria, marcenaria, soldagem, reparação de celulares, construção, fabricação de incenso e cosmetologia), voltados a jovens de 16 a 35 anos com baixa renda e sem conclusão do ensino médio, isto é, abaixo do 10.º ano.
Além do treinamento técnico e da certificação pelo Nepal National Skills Testing Board (NSTB), o pacote incluía apoio à inserção laboral. Após a fase de treinamento, os provedores deveriam conectar os formandos a empregadores da área do curso para até 6 meses de experiência remunerada no trabalho. O programa também oferecia 40 horas de treinamento em habilidades de vida para todas as mulheres participantes, cobrindo temas como negociação, direitos trabalhistas, saúde sexual e reprodutiva e resposta à discriminação. Uma parte dos participantes também recebeu treinamento básico em negócios.
Os provedores eram remunerados em três parcelas condicionadas à conclusão do treinamento, à realização do teste de certificação e à permanência do egresso em emprego com renda acima de 3.000 rúpias nepalesas por mês por até 6 meses. Esse modelo de pagamento por resultados buscava incentivar os provedores a oferecer cursos alinhados às oportunidades reais de trabalho.
A seleção de candidatos era baseada em uma pontuação composta por cinco critérios: requisito educacional para a área, status econômico, casta/gênero/circunstâncias especiais, nível de desenvolvimento do distrito de origem e desempenho em entrevista. Como o artigo identifica indícios de manipulação da pontuação original pelos provedores, os autores reconstruíram a pontuação de seleção a partir dos formulários de inscrição e utilizaram essa pontuação reconstruída na estratégia principal de identificação.
O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?
Foram documentadas, no artigo listado a seguir, as seguintes evidências de impacto:
- a oferta do programa aumentou a inserção em atividades geradoras de renda não agrícolas. Na estimativa de intenção de tratar Medida do efeito de um programa considerando todos os indivíduos originalmente designados ou elegíveis para recebê-lo, independentemente de terem participado de fato. É útil para avaliar o impacto da oferta do programa ou da regra de elegibilidade, especialmente quando parte do público não adere à intervenção ou quando há participação incompleta., o aumento foi de 10 pontos percentuais O efeito de um programa em termos percentuais (%) é diferente do efeito do programa em pontos percentuais! Por exemplo, se uma variável binária teria média de 10% na ausência da iniciativa, um impacto de 5 pontos percentuais representa um aumento de 50% (=5/10).; entre os cumpridores do programa, o efeito local estimado foi de 31 pontos percentuais, a partir de uma base de 29% [1];
- o efeito sobre emprego não agrícola foi impulsionado principalmente pelo autoemprego, e não pelo emprego assalariado. Entre os cumpridores do programa, o autoemprego não agrícola aumentou 30 pontos percentuais; na estimativa de intenção de tratar, o aumento foi de 9 pontos percentuais [1];
- houve aumento na probabilidade de trabalhar na mesma área do treinamento: 13 pontos percentuais na estimativa de intenção de tratar e 40 pontos percentuais entre os cumpridores do programa [1];
- as horas trabalhadas em atividades geradoras de renda aumentaram em cerca de 15 horas por mês na estimativa de intenção de tratar e em 49 horas por mês entre os cumpridores do programa [1];
- os rendimentos mensais totais cresceram em 572 rúpias nepalesas na estimativa de intenção de tratar e em 1.754 rúpias entre os cumpridores do programa, a partir de uma base de 1.260 rúpias [1];
- a taxa de emprego considerado “produtivo” pelo programa — renda acima de 3.000 rúpias nepalesas por mês — aumentou 10 pontos percentuais na estimativa de intenção de tratar e 31 pontos percentuais entre os cumpridores do programa, a partir de uma base de 18% [1];
- os impactos foram consideravelmente maiores para as mulheres e se concentraram no autoemprego dentro do domicílio:
- para as mulheres, a estimativa de intenção de tratar indicou aumento de 16 pontos percentuais no emprego não agrícola, 14 pontos percentuais no autoemprego não agrícola, 16 pontos percentuais no emprego na mesma área do treinamento, 27 horas mensais trabalhadas e 659 rúpias nepalesas em rendimentos mensais [1];
- entre as mulheres cumpridoras do programa, o efeito local estimado foi de 53 pontos percentuais no emprego não agrícola, 46 pontos percentuais no autoemprego não agrícola, 54 pontos percentuais no emprego na área do treinamento, 90 horas mensais trabalhadas e 2.113 rúpias nepalesas em rendimentos mensais [1];
- os efeitos sobre emprego para mulheres se concentraram em atividades remuneradas realizadas dentro do domicílio, com aumento de 42 pontos percentuais entre as cumpridoras do programa e de 13 pontos percentuais na estimativa de intenção de tratar [1];
- para os homens, não foram encontrados efeitos estatisticamente significantes sobre a margem extensiva de emprego no curto prazo, mas houve aumento dos rendimentos condicionais ao emprego na estimativa de intenção de tratar, sugerindo que parte dos homens pode ter usado o programa para aprimorar habilidades em ocupações já exercidas [1];
- os impactos variaram de forma importante por tipo de curso. Os efeitos positivos foram mais consistentes em cursos de beleza/barbearia e de alfaiataria, têxteis e confecção, áreas com maior participação feminina e maior compatibilidade com atividades de autoemprego [1];
- no médio prazo, 21 a 23 meses após o início do treinamento, os resultados devem ser interpretados com cautela porque a amostra disponível era menor:
- para os homens, surgiram efeitos positivos sobre emprego não agrícola e emprego na área do treinamento, sugerindo que os ganhos para esse grupo podem aparecer com mais defasagem [1];
- para as mulheres, os coeficientes permaneceram positivos e de magnitude semelhante aos efeitos de curto prazo, mas perderam significância estatística, possivelmente em razão do menor poder estatístico da subamostra [1].
Quais as fontes da informação?
- Chakravarty, S., Lundberg, M., Nikolov, P., & Zenker, J. (2019). Vocational Training Programs and Youth Labor Market Outcomes: Evidence from Nepal. Journal of Development Economics, 136, 71–110.
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