Qualificação Socioemocional e Estágio para Jovens Vulneráveis na República Dominicana — Juventud y Empleo
Qualificação Socioemocional e Estágio para Jovens Vulneráveis na República Dominicana — Juventud y Empleo
Qual era o objetivo?
Ampliar a empregabilidade de jovens em situação de vulnerabilidade social por meio de formação em habilidades socioemocionais e estágio em empresas privadas, sem treinamento técnico-vocacional.
Onde e quando?
O Programa Juventud y Empleo (PJyE) foi criado pelo governo da República Dominicana em 2001, com o objetivo de melhorar a inserção de jovens em situação de vulnerabilidade no mercado de trabalho.
O programa era voltado a cidadãos dominicanos entre 16 e 29 anos, desempregados ou subempregados, sem ensino médio completo, com renda familiar per capita de até US$120 mensais e residentes em áreas classificadas como Prioridade I ou II pelo índice SIUBEN.
O esforço de divulgação alcançou comunidades por meio de anúncios em veículos com alto-falantes, rádio e contatos com igrejas e grupos comunitários.
Em 2009, mais de 20.000 jovens se inscreveram no programa; 16.373 atenderam aos requisitos e foram selecionados para o processo de aleatorização. A inscrição ocorreu em duas ondas: janeiro-fevereiro e julho-agosto de 2009.
No total, 10.397 jovens foram sorteados para o tratamento de qualificação técnica e socioemocional, 1.604 para o de qualificação socioemocional apenas, e o restante foi alocado em lista de espera ou no grupo de controle. A taxa de adesão foi próxima a 90% nos grupos de tratamento e quase nula no grupo de controle.
O programa ofereceu aos participantes auxílio diário de aproximadamente US$2 durante o estágio, além de seguro de saúde e acidente.
As informações abaixo referem-se a um estudo experimentalOs estudos experimentais utilizam mecanismos aleatórios (isto é, sorteios) para definir quem será e quem não será contemplado por um determinado programa ou política pública, garantindo que as diferenças futuras entre estes grupos possam ser atribuídas com maior credibilidade à intervenção em si — e não a diferenças entre quem é e quem não é "tratado". que utiliza dados de 3.062 jovens, sendo 1.613 no grupo de qualificação socioemocional e 1.449 no grupo de controle, provenientes de 70 centros de treinamento, com acompanhamento realizado 12 meses e 3,5 anos após o encerramento do programa.
Como era o desenho?
O componente de qualificação socioemocional do Juventud y Empleo, sem treinamento técnico-vocacional, consistia em 2 meses de formação presencial com 75 horas de conteúdo em habilidades socioemocionais, seguidos de 2 meses de estágio de 240 horas em empresas privadas.
O módulo de habilidades socioemocionais era idêntico ao do tratamento completo e abordava autoestima e autoconhecimento, comunicação, gestão de relacionamentos, planejamento de vida, qualidade e produtividade no trabalho, tomada de decisão, higiene e saúde, e resolução de conflitos.
Ao término da formação em sala, os participantes realizavam o mesmo estágio de 240 horas em empresas privadas que os participantes do tratamento completo, com supervisão, orientação profissional, auxílio diário de cerca de US$2 e cobertura de seguro básico de saúde e acidente.
As turmas de qualificação socioemocional agrupavam cinco participantes de quatro cursos-coorte distintos, formando grupos de 20 jovens por turma.
A comparação entre este braço e o tratamento completo, que combinava qualificação técnica e socioemocional, permite estimar o efeito marginal do componente vocacional, que representava a maior parte do custo dos programas desse tipo.
O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?
Foram documentadas as seguintes evidências sobre o braço de qualificação socioemocional e estágio do Juventud y Empleo:
- o custo por participante do tratamento de qualificação socioemocional foi de aproximadamente US$160, metade do custo do tratamento completo, de US$320 [1];
- os efeitos sobre o mercado de trabalho foram positivos para mulheres no curto prazo e nulos para homens, com dissipação dos efeitos femininos em 3,5 anos [1];
- entre as mulheres, houve aumento de 24%, ou 5,0 pontos percentuaisO efeito de um programa em termos percentuais (%) é diferente do efeito do programa em pontos percentuais! Por exemplo, se uma variável binária teria média de 10% na ausência da iniciativa, um impacto de 5 pontos percentuais representa um aumento de 50% (=5/10)., na taxa de emprego no horizonte de 12 meses [1];
- entre as mulheres que trabalhavam, houve aumento de 16% nos salários e de 35%, ou 14,4 pontos percentuais, na proporção satisfeita com o trabalho no horizonte de 12 meses [1];
- entre os homens, não foram encontrados efeitos sobre emprego, horas trabalhadas ou salários no horizonte de 12 meses [1];
- em 3,5 anos, não foram encontrados efeitos estatisticamente significantesChamam-se de estatisticamente significantes as estimativas de impacto que são distinguíveis de 0, após incorporadas à análise as incertezas associadas à generalização para outras amostras de indivíduos. sobre emprego ou salários de mulheres ou homens [1];
- o programa gerou efeitos positivos sobre habilidades socioemocionais das mulheres em 3,5 anos, embora menores e menos precisamente estimados do que os do tratamento completo [1];
- entre as mulheres, houve aumento de 0,08 desvio padrãoO desvio-padrão mede a dispersão de valores de uma variável —valores mais altos indicam ocorrência de valores longe da média e valores mais baixos refletem maior concentração de valores próximos à média. Uma forma de interpretar efeitos medidos na escala de desvios-padrão, que é usada para tornar comparáveis provas usadas em diferentes contextos, é: "A cada aumento de 10% de um desvio-padrão equivale, aproximadamente, um salto de 4 posições a partir do aluno mediano (isto é, na posição 50)". Um aumento de 30% de um desvio-padrão, por exemplo, equivaleria a passar da posição 50 para a posição 62 (isto é, 30%/10% x 4 posições). Essas aproximações se tornam menos precisas para efeitos muito grandes. no índice combinado de habilidades socioemocionais, resultado imprecisamente estimadoDiz-se que um resultado estatístico é imprecisamente estimado, ou que uma estimativa é imprecisa, quando ele também é consistente com valores distantes de um valor de referência (por exemplo, 0), após incorporada à análise as incertezas associadas à generalização para outras amostras de indivíduos de uma população. pelos critérios de Romano-Wolf [1];
- houve, além disso, aumento de 0,11 desvio padrão em perseverança e de 0,13 desvio padrão na autoestima das mulheres em 3,5 anos [1];
- entre os homens, não foram encontrados efeitos sobre indicadores de habilidades socioemocionais [1];
- os efeitos sobre expectativas foram positivos para mulheres no curto prazo, mas imprecisamente estimados em 3,5 anos [1];
- entre as mulheres, houve aumento de 3,7 pontos percentuais na proporção que esperava melhora nas condições de emprego e de 3,2 pontos percentuais na proporção que esperava melhora nas condições de vida, no horizonte de 12 meses [1];
- em 3,5 anos, os coeficientes para expectativas das mulheres foram positivos, mas imprecisamente estimados [1];
- entre os homens, houve aumento de 42%, ou 8,6 pontos percentuais, na proporção de empregados que buscavam ativamente outro emprego em 3,5 anos, sem efeitos negativos de mesma magnitude sobre expectativas ou autoestima observados no tratamento completo [1].
Em síntese, o braço de qualificação socioemocional e estágio do Juventud y Empleo teve custo menor que o tratamento completo e gerou ganhos de curto prazo para mulheres em emprego, salários e satisfação com o trabalho. Em 3,5 anos, esses efeitos sobre mercado de trabalho se dissiparam, mas permaneceram alguns sinais positivos sobre habilidades socioemocionais e autoestima das mulheres, ainda que menores e mais imprecisos do que no tratamento completo. Para homens, não foram encontrados efeitos sobre emprego, horas, salários ou habilidades socioemocionais, e houve aumento na busca ativa por outro emprego entre os que estavam empregados. A experiência sugere que uma versão mais curta e barata, centrada em habilidades socioemocionais e estágio, pode beneficiar mulheres no curto prazo, mas não parece suficiente para produzir ganhos persistentes de emprego e renda.
Quais as fontes da informação?
- Acevedo, P., Cruces, G., Gertler, P., & Martinez, S. (2020). How vocational education made women better off but left men behind. Labour Economics, 65, 101824.
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