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Programa Empowerment and Livelihood for Adolescents (ELA) em Uganda

Publicado em 02/03/2024 Atualizado em 29/03/2024
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Qual o objetivo?

Criar um espaço seguro de socialização para meninas adolescentes e apoiar seu empoderamento com relação ao corpo e sua independência financeira.

Onde e quando?

O Empowerment and Livelihood for Adolescents foi desenvolvido pela ONG BRAC e implementado, a partir de 2008, em zonas rurais e em periferias de cidades de Uganda, no contexto de um estudo experimentalOs estudos experimentais utilizam mecanismos aleatórios (isto é, sorteios) para definir quem será e quem não será contemplado por um determinado programa ou política pública, garantindo que as diferenças futuras entre estes grupos possam ser atribuídas com maior credibilidade à intervenção em si - e não a diferenças entre quem é e quem não é "tratado". envolvendo 6.000 adolescentes de 100 comunidades.

Como é o desenho?

O programa integrou dois componentes centrais e teve como foco adolescentes meninas de 14 a 20 anos que moravam nas comunidades contempladas. As atividades ocorreram durante sessões grupais em clubes comunitários, que objetivavam ser locais seguro para socialização, e que ficavam abertos 5 dias por semana, fora do período escolar.

O primeiro componente do programa teve duração aproximada de 2 anos e objetivou formar habilidades para a vida relevantes para esse público-alvo. A ideia central foi a de preparar as adolescentes para suas vidas sociais, aumentando o controle que elas tinham sobre seus próprios corpos. Assim, um primeiro grupo de sessões foram pautadas por discussões sobre saúde sexual e reprodutiva, menstruação e distúrbios menstruais, gravidez, doenças sexualmente transmissíveis, planejamento familiar e estupro. Outras abordaram habilidades de resolução de conflitos na família e na comunidade, e liderança pessoal. Por fim, algumas sessões concentraram-se em fornecer às adolescentes conhecimentos sobre direitos em questões relacionadas à casamento e violências contra a mulher. As reuniões foram lideradas por uma mentora feminina – com idade um pouco acima do público-alvo, selecionada dentro da própria comunidade e treinada pela BRAC – ou por profissionais diretamente ligadas à ONG.

O segundo componente do programa, também com duração aproximada de 2 anos, objetivava apoiar a independência financeira durante a transição crítica da adolescência para a vida adulta. Para tanto, os clubes ofereceram cursos sobre educação financeira e atividades geradoras de renda, incluindo cabeleireira, costureira, agricultura e pecuária, profissional de informática e gerenciamento de pequenos negócios. Embora muitas das habilidades transmitidas nesses cursos pudessem ser usadas também em empregos assalariados, foi dada ênfase especial para a atividades exercidas por trabalhadores autônomos, com módulos apresentados por empreendedores.

O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?

Foram documentadas, no artigo listado na seção abaixo, as seguintes evidências de impacto causal da instauração dos clubes e da oferta de suas atividades entre meninas que moravam nas comunidades contempladas:

  • 2 a cada 10 meninas que moravam nestas comunidades participaram de alguma atividade relacionada ao programa [1];
  • reduções de 31% (ou 5,3 pontos percentuaisO efeito de um programa em termos percentuais (%) é diferente do efeito do programa em pontos percentuais. Por exemplo, se uma variável binária tem média de 10%, um efeito de 5 pontos percentuais representa aumento de 50%.) na taxa de meninas que revelaram ter feito sexo sem consentimento no ano anterior, de 34% (ou de 3,8 pontos percentuais) na taxa de meninas que tinham filhos, e de 53% (ou de 6,9 pontos percentuais) na taxa de meninas que estavam casadas ou moravam junto com um companheiro, 4 anos após o estabelecimento dos clubes, sugerindo que o programa aumentou o empoderamento frente a questões ligadas ao corpo no médio prazo [1];
  • aumento de 48% (ou de 4,9  pontos percentuais) na taxa de meninas que revelaram estarem envolvidas em alguma atividade que lhes gerasse renda, com efeitos impulsionados por meninas que trabalhavam como autônomas, no horizonte temporal de 4 anos após o estabelecimento dos clubes [1];
  • não foram encontradas evidências de efeitos estatisticamente significantes na taxa de meninas matriculadas na escola, sugerindo que os efeitos acima não se concretizaram às expensas da escolarização [1].

Quais as fontes bibliográficas dessa informação?

  1. Bandiera, O., Buehren, N., Burgess, R., Goldstein, M., Gulesci, S., Rasul, I., & Sulaiman, M. (2020). Women’s Empowerment in Action: Evidence from a Randomized Control Trial in Africa. American Economic Journal: Applied Economics, 12(1), 210-259.

Vídeos

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