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Programa Escolar de Mindset de Crescimento no Ensino Médio em Rogaland, Noruega

Publicado em 15/10/2022 Atualizado em 12/03/2024
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Qual o objetivo?

Construir uma visão mais apurada e otimista sobre o papel do esforço para o desenvolvimento de novas habilidades.

Onde e quando foi implementado?

O programa foi implementado no ano de 2016 em escolas de Rogaland, na Noruega, no contexto de um estudo experimentalOs estudos experimentais utilizam mecanismos aleatórios (isto é, sorteios) para definir quem será e quem não será contemplado por um determinado programa ou política pública, garantindo que as diferenças futuras entre estes grupos possam ser atribuídas com maior credibilidade à intervenção em si - e não a diferenças entre quem é e quem não é "tratado". de impacto envolvendo 385 alunos.

Como é o desenho?

O programa teve por foco alunos do 1º ano do ensino médio. A ideia central do programa era introduzir os alunos ao conceito de neuroplasticidade e convidá-los à reflexão sobre a maleabilidade das habilidades cognitivas (uma postura chamada em psicologia de mindset de crescimento). Em particular, o programa foi estruturado para transmitir as seguintes mensagens:

  1. habilidades intelectuais são maleáveis e, nesse sentido, o cérebro pode crescer e mudar;
  2. trabalho duro e empenho em tarefas desafiadoras criam novas conexões neuronais;
  3. um mindset de crescimento pode ajudar a lidar com as dificuldades enfrentadas na vida;
  4. como um mindset do tipo pode ser apropriado para perseguir objetivos pessoais, dando mais sentido ao esforço despendido em tarefas desafiadoras.

Os alunos contemplados participaram de 3 sessões de 45 minutos no computador, em sala de aula, com um intervalo de 2 semanas entre as sessões. A primeira seção propôs a leitura de um texto apresentado em software desenvolvido pelos implementadores do programa. O software apresentava, com o auxílio de imagens, os resultados de pesquisas sobre o funcionamento do sistema neurológico, e explorava a metáfora de que o cérebro é como um músculo que fica mais forte quando aprende coisas novas. A segunda seção revisitou a metáfora apresentada na primeira seção, trazendo excertos ilustrativos de cientistas, celebridades e relatos pessoais de jovens que tinham sido expostos às lições do programa no passado. A ideia central dessa seção foi de tornar as lições primeira seção mais salientes, inculcando-as na memória e ressaltando sua potencial importância para os alunos e para outras pessoas, e também aproximar o conteúdo da vivência da sua vida cotidiana. Ao final da seção, os alunos foram convidados a selecionar questões de um banco de questões de Matemática e categorizá-las em “fáceis”, “médias” ou “difíceis” ou “muito difíceis”, criando para si uma planilha de estudos para os próximos meses. A terceira seção, por fim, propôs que os alunos trabalhassem nas questões escolhidas na segunda seção, mobilizando os conhecimentos adquiridos no programa.

O programa também contou com atividades propostas aos alunos para estimular a internalização das principais mensagens. Assim, foi pedido aos alunos que resumissem, por escrito, as principais mensagens do texto e relatassem de que forma o conteúdo se relacionava com a sua vida. Por fim, eles foram instruídos a relatarem que conselhos dariam a um amigo com dificuldades na escola, baseando-se, ainda, no conteúdo do texto que tinham lido.

O que aprendemos com o monitoramento e a avaliação?

Foram documentadas, no artigo publicado listado na seção abaixo, as seguintes evidências a respeito do impacto causal do programa:

  • aumento de 55 a 56% de um desvio-padrãoO desvio-padrão mede a dispersão de valores de uma variável - valores mais altos indicam maior ocorrência de valores longe da média e valores mais baixos refletem maior concentração de valores próximos à média. Para a distribuição normal, ou para distribuições razoavelmente similares a uma normal, um aumento de 10% de um desvio-padrão equivale a um efeito de 4 percentis a partir do percentil 50 - isto é, a passar da posição 50 para a posição 54, em uma fila de 100. em um indicador de mindset de crescimento, construído a partir de informação coletada na segunda seção do programa sobre as percepções subjetivas dos alunos de que as habilidades intelectuais são capazes de crescer como resposta ao esforço [1];
  • aumento de 23 a 30% de um desvio-padrão em um indicador de comportamento orientado à busca de desafios, construído a partir de informação coletada, também na segunda seção do programa, sobre o número de questões “difíceis” ou “muito difíceis” escolhidas para a planilha individual de estudos [1];
  • aumento de 19% de um desvio-padrão na nota em um exame padronizado de Matemática aplicado 3 semanas após o fim da implementação do programa [1];
  • os efeitos descritos imediatamente acima foram encontrados apenas para aqueles alunos que tinham um mindset de crescimento “fixo” sobre habilidades intelectuais, que divergia daquela veiculada pelo programa, e para aqueles que tinham notas baixas na escola [1].

De onde vem essa informação?

  1. Bettinger, E., Ludvigsen, S., Rege, M., Solli, I. F., & Yeager, D. (2018). Increasing Perseverance in Math: Evidence from a Field Experiment in Norway. Journal of Economic Behavior & Organization, 146, 1-15.

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