Programa de Capacitação de Microempreendedoras e Assistência Técnica em Lima
Programa de Capacitação de Microempreendedoras e Assistência Técnica em Lima
Qual era o objetivo?
Formar habilidades de gestão e condições melhores para o desenvolvimento de pequenos negócios.
Onde e quando?
A iniciativa foi implementada por meio de um consórcio entre três ONGs em Lima, Peru, o Centro de Servicios para la Capacitación (CAPLAB), Centro Latinoamericano de Trabajo Social (CELATS) e Instituto de Promoción del Desarollo Solidario (INPET), no contexto de um estudo experimentalOs estudos experimentais utilizam mecanismos aleatórios (isto é, sorteios) para definir quem será e quem não será contemplado por um determinado programa ou política pública, garantindo que as diferenças futuras entre estes grupos possam ser atribuídas com maior credibilidade à intervenção em si — e não a diferenças entre quem é e quem não é "tratado". envolvendo 1.979 pessoas que manifestaram interesse em participar de oficinas de capacitação em empreendedorismo nos distritos de Comas, Independencia, San Juán de Miraflores e Villa el Salvador.
Como era o desenho?
O programa teve como foco mulheres que eram proprietárias de um negócio e que tinham títulos de suas propriedades.¹ O primeiro componente do programa foi um curso de capacitação de 108 horas, com duração de 3 meses, e sessões de 3 horas por 3 vezes na semana. O conteúdo cobriu, essencialmente, um rol de melhores práticas em empreendimentos de sucesso, em 3 módulos de atividades:
- desenvolvimento pessoal: fortalecimento da autoestima, habilidades sociais e instrumentos de organização pessoal;
- desenvolvimento do negócio: planejamento de inovação nos processos correntes e abertura de novos empreendimentos, estratégias de marketing e vendas, mapeamento de custos;
- aprimoramento da produtividade.
O segundo componente foi de assistência técnica, com duração de 3 meses e organizada em torno dos mesmos módulos descritos acima. A ideia central foi a de criar estratégias de suporte mais diretamente vinculadas às necessidades específicas das microempreendedoras, seja por meio de aconselhamento individualizado ou sessões em grupo com outras empreendedoras que passavam por problemas semelhantes.
O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?
Foram documentadas, no artigo listado na seção abaixo, as seguintes evidências a respeito do monitoramento e do impacto causal da iniciativa:
- apenas 1 a cada 2 mulheres convidadas iniciaram o curso de capacitação, e, dentre elas, apenas metade frequentaram ao menos 20 das 36 sessões das oficinas [1];
- aumento de 19% (ou de 4,4 pontos percentuaisO efeito de um programa em termos percentuais (%) é diferente do efeito do programa em pontos percentuais! Por exemplo, se uma variável binária teria média de 10% na ausência da iniciativa, um impacto de 5 pontos percentuais representa um aumento de 50% (=5/10).) na taxa de microempreendedoras convidadas que reportaram manter registros de suas vendas, no horizonte de 7 a 10 meses após a implementação [1];
- de 7 a 10 meses após o fim da implementação, as microempreendedoras convidadas reportaram valor de vendas aproximadamente 20% maior, e o efeito se manteve em um patamar semelhante quase 2 anos após o fim da implementação [1];²
- também de 7 a 10 meses após o fim da implementação, as microempreendedoras convidadas tinham um indicador de produtividade de 9,5% a 12% de um desvio-padrãoO desvio-padrão mede a dispersão de valores de uma variável —valores mais altos indicam ocorrência de valores longe da média e valores mais baixos refletem maior concentração de valores próximos à média. Uma forma de interpretar efeitos medidos na escala de desvios-padrão, que é usada para tornar comparáveis provas usadas em diferentes contextos, é: "A cada aumento de 10% de um desvio-padrão equivale, aproximadamente, um salto de 4 posições a partir do aluno mediano (isto é, na posição 50)". Um aumento de 30% de um desvio-padrão, por exemplo, equivaleria a passar da posição 50 para a posição 62 (isto é, 30%/10% x 4 posições). Essas aproximações se tornam menos precisas para efeitos muito grandes. maior, embora, nesse caso, o efeito pareça ter se dissipado quase 2 anos após o fim da implementação [1];
- não foram encontradas evidências de efeitos estatisticamente significantesChamam-se de estatisticamente significantes as estimativas de impacto que são distinguíveis de 0, após incorporadas à análise as incertezas associadas à generalização para outras amostras de indivíduos. sobre o número de trabalhadores empregados ou sobre taxa de empreendedoras que tinham aberto um novo negócio, no mesmo horizonte temporal dos resultados acima [1].
- As estratégias de recrutamento envolveram comunicação na rádio local, anúncios em jornais e e brochuras entregues diretamente em negócios em operação nas regiões.
- Um dos mecanismos de mediação destes impactos parece ter sido a conexão com associações de empreendedores. No horizonte de 7 a 10 meses, a taxa de microempreendedoras que revelaram participar de alguma associação do tipo aumentou em 7,5 pontos percentuais, ou 71%.
Quais as fontes da informação?
- Valdivia, M. (2015). Business Training Plus for Female Entrepreneurship? Short and Medium-term Experimental Evidence from Peru. Journal of Development Economics, 113, 33-51.
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