Mentoria Remota por Mulheres para Empreendedores Homens em Uganda
Mentoria Remota por Mulheres para Empreendedores Homens em Uganda
Qual era o objetivo?
Apoiar o crescimento de pequenas empresas por meio de mentoria individualizada de empreendedores homens com mentoras mulheres.
Onde e quando?
O programa de mentoria foi conduzido pela Grow Movement, uma organização não governamental, na região metropolitana de Kampala, em Uganda.
A intervenção teve início em agosto de 2015 e as mentorias duraram, em média, de dois a seis meses, sendo realizadas remotamente por meio de videoconferências e ferramentas digitais. Os mentores eram profissionais voluntários com mais de 14 anos de experiência, baseados em mais de 60 países.
Os resultados abaixo referem-se a um estudo experimentalOs estudos experimentais utilizam mecanismos aleatórios (isto é, sorteios) para definir quem será e quem não será contemplado por um determinado programa ou política pública, garantindo que as diferenças futuras entre estes grupos possam ser atribuídas com maior credibilidade à intervenção em si — e não a diferenças entre quem é e quem não é "tratado". que utiliza dados de 605 empreendedores ugandenses, coletados entre 2015 e 2017.
Como era o desenho?
A intervenção consistiu na oferta de mentoria individualizada a empreendedores de pequenas empresas na região de Kampala, Uganda. Cada empreendedor do grupo de tratamento foi pareado aleatoriamente com um mentor único, e as interações ocorreram remotamente, por meio de videoconferências via Skype, WhatsApp e ligações telefônicas.
As colaborações duraram, em média, de dois a seis meses, com reuniões regulares, por vezes múltiplas vezes por semana.
Os mentores eram profissionais voluntários com experiência substancial em negócios — em média, mais de 14 anos de atuação profissional — e baseados em mais de 60 países, a maioria em economias avançadas.
Além da exigência de reuniões regulares e de auxílio ao crescimento do negócio, os mentores tinham liberdade para conduzir as interações como considerassem mais adequado, sem um roteiro pré-definido. Gestores locais contratados pela Grow Movement facilitaram as apresentações iniciais e asseguraram a regularidade dos encontros, sem intervir no conteúdo das mentorias.
Neste braço do experimento, empreendedores homens foram aleatoriamente pareados com mentoras mulheres. Ao todo, 126 empreendedores foram designados para esta condição de tratamento, dos quais 89 compõem a amostra final de análise.
O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?
Foram documentadas as seguintes evidências sobre a mentoria remota por profissionais mulheres para empreendedores homens:
- a mentoria por mulheres não gerou efeitos estatisticamente significantesChamam-se de estatisticamente significantes as estimativas de impacto que são distinguíveis de 0, após incorporadas à análise as incertezas associadas à generalização para outras amostras de indivíduos. sobre o desempenho de empresas lideradas por homens:
- não foram encontradas evidências de efeitos estatisticamente significantes nas vendas mensais das empresas lideradas por empreendedores homens mentoreados por mulheres, em comparação ao grupo de controle, no horizonte de aproximadamente 2 anos após o início da intervenção [1];
- não foram encontradas evidências de efeitos estatisticamente significantes nos lucros mensais dessas empresas, no mesmo horizonte temporal [1];
- não foram encontradas evidências de efeitos estatisticamente significantes nos índices agregados de vendas e lucros [1];
- esses resultados, combinados aos do braço em que empreendedores homens foram pareados com mentores homens, indicam que o gênero do mentor não teve efeito diferencial para empreendedores homens — os testes de igualdade entre os dois tratamentos não foram estatisticamente significantes [1].
Quais as fontes da informação?
- Germann, F., Anderson, S. J., Chintagunta, P. K., & Vilcassim, N. (2024). Frontiers: Breaking the Glass Ceiling: Empowering Female Entrepreneurs Through Female Mentors. Marketing Science, 43(2), 221–241.
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