Formação Intensiva em Iniciativa Pessoal e Perseverança para Empreendedores pela Jamaica Business Development Corporation

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Formação Intensiva em Iniciativa Pessoal e Perseverança para Empreendedores pela Jamaica Business Development Corporation

Avaliação de Impacto
Publicado em 16/02/2026 Atualizado em 16/02/2026
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Qual era o objetivo?

Formar habilidades que pudessem apoiar empreendedores na condução de seus negócios.

Onde e quando?

A iniciativa foi implementada entre outubro e dezembro de 2016, em Kingston, na Jamaica, por meio de uma parceria entre pesquisadores e a Jamaica Business Development Corporation (JBDC), agência governamental fundada em 2001 e voltada ao apoio e ao desenvolvimento de micro, pequenas e médias empresas. Os resultados abaixo referem-se a um estudo experimentalOs estudos experimentais utilizam mecanismos aleatórios (isto é, sorteios) para definir quem será e quem não será contemplado por um determinado programa ou política pública, garantindo que as diferenças futuras entre estes grupos possam ser atribuídas com maior credibilidade à intervenção em si — e não a diferenças entre quem é e quem não é "tratado". envolvendo 945 proprietários de pequenos negócios.¹

Como era o desenho?

A ideia central do programa de capacitação foi combinar formação em soft skills relacionadas positivamente ao sucesso de empreendimentos com treinamento em boas práticas empresariais, em um curso intensivo de 40 horas, dividido em 10 aulas. As primeiras 5 tiveram como foco o desenvolvimento de iniciativa pessoal e a habilidade de identificar boas oportunidades, definir metas, planejar e superar barreiras, com abordagem prática, aplicada ao negócio dos participantes. As últimas 5 aulas tiveram como foco induzir nos participantes um dos componentes fundamentais do chamado grit: a perseverança diante de objetivos que exigem planejamento e esforço, incluindo a resolução criativa de problemas, o aprendizado com erros, a antecipação de barreiras e a capacidade de lidar com contratempos emocionais. Os materiais que inspiraram o desenho do curso são semelhantes aos usados em programas avaliados no Togo e na Uganda.

O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?

Foram documentadas, no artigo listado a seguir, as seguintes evidências de monitoramento e impacto:

  • cerca de 80% dos empreendedores convidados compareceram a pelo menos uma aula e cerca de 60% compareceram a pelo menos 5 aulas, o mínimo para obtenção do diploma, com média de 6,9 aulas [1];
  • no curto prazo, 3 meses após o fim do programa, foram encontrados indícios de impactos positivos:
    • um indicador de frequência da adoção de práticas empresariais recomendadas pelo curso aumentou 20% (ou em 9 pontos percentuaisO efeito de um programa em termos percentuais (%) é diferente do efeito do programa em pontos percentuais! Por exemplo, se uma variável binária teria média de 10% na ausência da iniciativa, um impacto de 5 pontos percentuais representa um aumento de 50% (=5/10).) [1];
    • houve aumento de 28% de um desvio padrãoO desvio-padrão mede a dispersão de valores de uma variável —valores mais altos indicam ocorrência de valores longe da média e valores mais baixos refletem maior concentração de valores próximos à média. Uma forma de interpretar efeitos medidos na escala de desvios-padrão, que é usada para tornar comparáveis provas usadas em diferentes contextos, é: "A cada aumento de 10% de um desvio-padrão equivale, aproximadamente, um salto de 4 posições a partir do aluno mediano (isto é, na posição 50)". Um aumento de 30% de um desvio-padrão, por exemplo, equivaleria a passar da posição 50 para a posição 62 (isto é, 30%/10% x 4 posições). Essas aproximações se tornam menos precisas para efeitos muito grandes. em um indicador agregado de lucros e vendas [1];
    • por fim, também foram encontrados efeitos positivos na parcela de empreendimentos que ainda estavam em funcionamento, de 5 pontos percentuais (ou de 6%O efeito de um programa em termos percentuais (%) é diferente do efeito do programa em pontos percentuais! Por exemplo, se uma variável binária teria média de 10% na ausência da iniciativa, um impacto de 5 pontos percentuais representa um aumento de 50% (=5/10).), embora a estimativa seja imprecisaDiz-se que um resultado estatístico é imprecisamente estimado, ou que uma estimativa é imprecisa, quando ele também é consistente com valores distantes de um valor de referência (por exemplo, 0), após incorporada à análise as incertezas associadas à generalização para outras amostras de indivíduos de uma população. [1].
  • 1 ano após o fim da condução dos cursos, esses efeitos se dissiparam e não foram encontradas evidências de que o programa tenha tido efeito positivo, estatisticamente significante e quantitativamente relevante nas variáveis acima;²
  • houve, no entanto, aumento de 27% (ou de 9 pontos percentuais) na parcela de empreendedores que tinham tomado algum empréstimo [1];
  • além disso, no mesmo horizonte temporal dos resultados acima, foram encontrados efeitos positivos no comportamento de iniciativa pessoal, como a introdução de novos produtos ou técnicas de produção, e em habilidades como perseverança, iniciativa pessoal, orientação para o futuro, com aumento de 14% de um desvio padrão em um indicador agregado de soft skills [1];
  • um programa que substituiu as 5 últimas aulas por aulas voltadas a conteúdos de gestão estratégica, gestão de estoque e de finanças, registros e custeio e atendimento ao cliente não apresentou impactos positivos em nenhuma das variáveis acima ou horizonte temporal [1].
  1. O recrutamento de pessoas ocorreu por meio de telemarketing (listas de clientes da JBDC e de um censo de empreendedores informais), além de rádio, site e outros materiais de divulgação.
  2. Em particular, o efeito sobre o indicador agregado de lucros e vendas é negativo e tem valor de -8% de um desvio padrão.

Quais as fontes da informação?

  1. Ubfal, D., Arraiz, I., Beuermann, D. W., Frese, M., Maffioli, A., & Verch, D. (2022). The Impact of Soft-Skills Training for Entrepreneurs in Jamaica. World Development, 152, 105787.
  2. Duckworth, A., C. Peterson, M. Matthews, and D. Kelly. (2007). Grit: Perseverance and Passion for Long-term Goals. Journal of Personality and Social Psychology, 92: 1087–01.
  3. Mooradian, T., K. Matzler, B. Uzelac, and F. Bauer. (2016). Perspiration and Inspiration: Grit and Innovativeness as Antecedents of Entrepreneurial Success. Journal of Economic
    Psychology, 56: 232–43.
  4. Von Culin, K., E. Tsukayama, and A. Duckworth. (2014). Unpacking Grit: Motivational Correlates of Perseverance and Passion for Long-term Goals. Journal of Positive Psychology, 9: 306–312.
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