Uso do Tempo e Desenvolvimento Infantil na Longitudinal Study of Australian Children
Uso do Tempo e Desenvolvimento Infantil na Longitudinal Study of Australian Children
Qual era o objetivo?
Caracterizar a importância de diferentes usos do tempo e estilos parentais para a formação de habilidades cognitivas e socioemocionais durante a infância.
Onde e quando?
As informações abaixo referem-se a um estudo estatístico observacionalOs estudos observacionais analisam dados coletados em situações em que os pesquisadores não têm controle sobre a exposição dos indivíduos à política ou ao programa social, baseando-se na observação das associações entre variáveis em seus contextos naturais. Nesse tipo de estudo, que frequentemente recebe o nome de "experimento natural" ou "quase-experimento", diferenças entre os grupos podem ser influenciadas por fatores que limitam a capacidade de estabelecer relações causais entre o programa e resultados de interesse. Estudos observacionais se apoiam nas metodologias modernas de inferência causal para contornar esse problema, construindo contrafactuais convincentes. que utiliza dados longitudinais de uma survey aplicada a uma amostra representativa de crianças australianas nascidas em 1999/2000 ou 2003/2004, o Longitudinal Study of Australian Children (LSAC). A LSAC acompanhou cerca de 10.000 crianças das famílias participantes, que foram testadas em 3 ocasiões: 2004, 2006 e 2008. Os autores do estudo consolidaram informações sobre as famílias e as crianças ao longo dos acompanhamentos, construindo um painel de dados com uma amostra de 5.000 crianças, nascidas em 1999/2000.
Como era o desenho?
O objetivo central do estudo foi propor e estimar um modelo empírico de formação do capital humano infantil com múltiplos períodos e capaz de aproximar numericamente medidas-resumo de relações fundamentais estabelecidas entre:
- uso do tempo em uma semana típica: na escola, em atividades educacionais com os pais ou outros adultos, tempo restante com os pais ou outros adultos, atividades sociais e mídias;
- habilidades cognitivas e socioemocionais das crianças da amostra em diferentes fases da vida;
- medidas de estilos de criação e de práticas parentais.
O principal objetivo dos exercícios de estimação foi entender se os dados forneciam evidência de ordenamento claro na produtividade de certos usos do tempo para a formação de determinadas habilidades da criança durante a infância.
A estimação do modelo foi operacionalizada com base na base de dados LSAC, e em seus acompanhamentos aos 4-5 anos, 6-7 anos e 8-9 anos, usando métodos de regressão multivariada com inclusão sequencial de controles.¹
As principais variáveis de interesse foram notas em exames padronizados que capturavam o vocabulário da criança e sua capacidade de resolução de problemas, um teste de prontidão para o início da vida escolar e fatores latentesEm estudos de avaliação de políticas públicas e programas sociais, fatores latentes são características que não são observadas diretamente na amostra, mas que pesquisadores conseguem estimar a partir de um conjunto de respostas ou indicadores. Um fator latente funciona como um índice sintético: ele combina várias respostas observadas, atribui pesos diferentes a cada item conforme padrões encontrados nos dados e produz uma medida contínua. Esses fatores ajudam a reduzir a complexidade dos dados e a medir construtos abstratos de maneira consistente. extraídos das respostas dos pais a 25 perguntas sobre o comportamento da criança.¹
O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?
Foram documentadas, no artigo listado na seção abaixo, as seguintes evidências:
- os modelos classificaram o tempo gasto em atividades educacionais, em especial acompanhadas pelos pais, como o insumo mais importante para a formação de habilidades cognitivas:
- por exemplo, para cada aumento de uma hora em atividades educacionais com os pais por semana em relação a tempo gasto com os pais em outras atividades, houve aumento de 3,4% de um desvio padrãoO desvio-padrão mede a dispersão de valores de uma variável —valores mais altos indicam ocorrência de valores longe da média e valores mais baixos refletem maior concentração de valores próximos à média. Uma forma de interpretar efeitos medidos na escala de desvios-padrão, que é usada para tornar comparáveis provas usadas em diferentes contextos, é: "A cada aumento de 10% de um desvio-padrão equivale, aproximadamente, um salto de 4 posições a partir do aluno mediano (isto é, na posição 50)". Um aumento de 30% de um desvio-padrão, por exemplo, equivaleria a passar da posição 50 para a posição 62 (isto é, 30%/10% x 4 posições). Essas aproximações se tornam menos precisas para efeitos muito grandes. no indicador de vocabulário, com padrões quantitativamente semelhantes ao caso do vocabulário [1];
- na amostra estudada, essas magnitudes são comparáveis às de aumentar o número total de anos dos pais das crianças da amostra em 1 ano [1].
- por outro lado, para habilidades socioemocionais, a análise sugeriu uma conclusão qualitativamente diferente:
- não foram encontradas evidências estatisticamente significantesChamam-se de estatisticamente significantes as estimativas de impacto que são distinguíveis de 0, após incorporadas à análise as incertezas associadas à generalização para outras amostras de indivíduos. de que habilidades socioemocionais seguiam um padrão de ordenamento descrito acima, com algum uso do tempo como insumo mais importante [1];
- para essa dimensão do desenvolvimento infantil, a variabilidade de estilo de criação dos pais teve poder explicativo alto —em particular, aquela expressa pelo calor afetivo parental e pela existência de um sistema efetivo de disciplina parental [1].
- Os modelos testados pelos autores incluíram controles de habilidades em períodos anteriores ao período corrente e parâmetros que capturavam a heterogeneidade individual das crianças que era invariante no tempo.
- No artigo [1], os autores constroem três índices a partir de análise fatorial. Eles interpretam o primeiro como um índice de problemas de comportamento (agitação, hiperatividade, dificuldade em manter a atenção e problemas de autocontrole). O segundo reflete traços pró-sociais, como empatia, gentileza e disposição para interagir com os outros. O terceiro é um índice de problemas emocionais, associado à baixa autoestima, à insegurança, à timidez e a sintomas de depressão.
Quais as fontes da informação?
- Fiorini, M., & Keane, M. P. (2014). How the Allocation of Children’s Time Affects Cognitive and Noncognitive Development. Journal of Labor Economics, 32(4), 787-836.
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