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Emprego de Meio Período para Jovens Estudantes no Uruguai — Yo Estudio y Trabajo

Avaliação de Impacto
Publicado em 29/09/2026
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Qual era o objetivo?

Facilitar a transição de jovens estudantes para o mercado de trabalho, oferecendo uma primeira experiência formal de emprego compatível com a continuidade dos estudos.

Onde e quando?

O Yo Estudio y Trabajo (YET) é um programa nacional implementado no Uruguai desde 2012. Ele oferece a jovens de 16 a 20 anos uma primeira experiência formal de trabalho em empresas estatais e, em menor proporção, em órgãos da administração pública.

As avaliações consideradas nesta página acompanham participantes das três primeiras edições do programa, realizadas em 2012, 2013 e 2014. Nessas edições, o programa operava em dezenas de localidades do país; posteriormente, passou a alcançar 77 localidades, cobrindo praticamente todas as principais cidades uruguaias.

Podiam se candidatar jovens de 16 a 20 anos que:

  • estivessem matriculados em uma instituição de ensino; e
  • não tivessem acumulado mais de 90 dias consecutivos de emprego formal no momento da inscrição.

Como era o desenho?

O programa oferecia empregos formais de meio período, de 20 a 30 horas semanais, organizados para não comprometer a frequência às atividades educacionais. Os contratos duravam de 9 a 12 meses, não podiam ser renovados e eram remunerados pelas próprias empresas participantes.

As vagas se concentravam em grandes empresas estatais. Nas três primeiras edições, entre os principais empregadores estavam as empresas nacionais de eletricidade, água, petróleo e gás, telecomunicações e o banco comercial estatal. As atividades eram predominantemente administrativas ou operacionais e envolviam tarefas de apoio.

Os jovens não escolhiam a empresa em que trabalhariam, e as empresas não selecionavam diretamente os participantes. O programa realizava o pareamento considerando principalmente a distância entre residência e trabalho e os horários escolares.

A permanência na escola era parte central do desenho: os participantes precisavam comprovar periodicamente que continuavam matriculados.

Quando o número de candidatos superava o de vagas disponíveis, a oferta de empregos era definida por loterias dentro de cada localidade. Os candidatos eram ordenados aleatoriamente e recebiam ofertas até que as vagas locais fossem preenchidas. A partir de 2014, algumas localidades também passaram a utilizar cotas para jovens afrodescendentes, pessoas com deficiência e jovens trans.

O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?

Foram documentadas as seguintes evidências sobre o Yo Estudio y Trabajo:

  • o programa não prejudicou a trajetória educacional e aumentou em aproximadamente 0,17 ano a escolaridade no ensino médio no curto prazo, sem efeito sobre ingresso ou conclusão da universidade [1], [2];
  • dois anos após o programa, os participantes apresentavam rendimentos formais aproximadamente 8% maiores do que os jovens comparáveis que não participaram [1];
  • os ganhos persistiram e aumentaram no longo prazo:
    • entre o terceiro e o sétimo ano após o programa, os rendimentos formais foram cerca de 10% a 13% maiores [2];
    • no sétimo ano, o efeito foi de aproximadamente 11% [2];
  • no sétimo ano, o aumento dos rendimentos refletia tanto maior emprego formal quanto salários maiores:
    • a probabilidade de estar formalmente empregado aumentou cerca de 2 pontos percentuais O efeito de um programa em termos percentuais (%) é diferente do efeito do programa em pontos percentuais! Por exemplo, se uma variável binária teria média de 10% na ausência da iniciativa, um impacto de 5 pontos percentuais representa um aumento de 50% (=5/10)., e os salários mensais entre ocupados foram aproximadamente 6% maiores [2];
  • os participantes também permaneceram mais tempo em empregos com contratos regulares:
    • sete anos depois, trabalhavam aproximadamente 0,6 mês adicional por ano nesse tipo de vínculo, aumento de cerca de 10% em relação ao grupo de comparação [2];
  • os ganhos não ficaram restritos às empresas ou setores em que os jovens haviam trabalhado durante o programa, sugerindo que parte da experiência e das habilidades adquiridas era transferível para outros empregos [2];
  • os efeitos de longo prazo sobre rendimentos foram positivos para homens e mulheres, mas maiores entre os homens:
    • entre o terceiro e o sétimo ano, os ganhos médios foram de aproximadamente 17% para homens e 8% para mulheres [2];
    • também houve efeitos positivos para jovens vulneráveis e não vulneráveis [2].
  • os efeitos parecem particularmente elevados quando a experiência ocorre próxima a transições educacionais importantes, como o final do ensino médio ou o início do ensino superior, embora essas diferenças por idade e etapa educacional sejam apenas sugestivas [2].

Em síntese, oferecer uma primeira experiência formal de trabalho de meio período enquanto os jovens permaneciam estudando melhorou sua inserção no mercado de trabalho sem reduzir a escolaridade. Os ganhos sobre emprego e rendimentos não desapareceram quando os jovens do grupo de comparação acumularam experiência própria: permaneceram visíveis até sete anos após o programa. Os resultados são consistentes com a combinação de experiência profissional precoce e continuidade da formação educacional como mecanismos para melhorar trajetórias laborais de longo prazo.

  1. Le Barbanchon, T., Ubfal, D., & Araya, F. (2023). The Effects of Working While in School: Evidence from Employment Lotteries. American Economic Journal: Applied Economics, 15(1), 383–410.
  2. Ferrando, M., Katzkowicz, N., Le Barbanchon, T., & Ubfal, D. (forthcoming). The Lasting Effects of Working while in School: A Long-Term Follow-Up. American Economic Review: Insights.

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