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Consultoria In Loco em Gestão Kaizen para Pequenos Fabricantes no Vietnã

Avaliação de Impacto
Publicado em 15/06/2026 Atualizado em 15/06/2026
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Qual era o objetivo?

Aprimorar as práticas de gestão e de produção de pequenas e médias empresas manufatureiras em aglomerações industriais no Vietnã, por meio de orientação personalizada no local da empresa baseada na abordagem Kaizen.

Onde e quando?

A intervenção foi implementada em 2010, em dois aglomerados industriais nos arredores de Hanói, no Vietnã: um cluster de produtos de aço, na província de Bac Ninh, e outro de malhas e vestuário, na província de Ha Tay.

Os resultados abaixo referem-se a estudo experimental Os estudos experimentais utilizam mecanismos aleatórios (isto é, sorteios) para definir quem será e quem não será contemplado por um determinado programa ou política pública, garantindo que as diferenças futuras entre estes grupos possam ser atribuídas com maior credibilidade à intervenção em si — e não a diferenças entre quem é e quem não é "tratado". com 312 pequenas e médias empresas manufatureiras. As empresas foram acompanhadas em sucessivas pesquisas de seguimento, inicialmente em 2011, 2013 e 2016, e posteriormente em acompanhamento mais longo até 2021. A taxa de atrito foi muito baixa: inferior a 2% no acompanhamento até 2016 e inferior a 4% no acompanhamento até 2021.

Como era o desenho?

O programa consistiu em uma consultoria in loco (on-site training) baseada na abordagem Kaizen — um método japonês de melhoria contínua voltado à organização do ambiente produtivo, à coordenação da divisão do trabalho, à redução de desperdícios, à melhoria da produtividade e ao controle de qualidade.

A intervenção foi iniciada com um seminário de um dia, no qual empresas-modelo apresentaram mudanças físicas realizadas em suas oficinas, as reações dos trabalhadores e as percepções dos gestores sobre o processo. Em seguida, uma equipe de instrutores visitou cada empresa participante ao menos duas vezes, oferecendo orientações personalizadas sobre como reorganizar o layout da oficina, melhorar a produtividade, mobilizar trabalhadores e aprimorar a qualidade dos produtos.

A equipe era composta por uma consultora local certificada como instrutora-mestre do programa Start/Improve Your Business (SIYB), da Organização Internacional do Trabalho (OIT), e por um especialista japonês em Kaizen.

As empresas-modelo foram usadas como demonstração prática de mudanças associadas ao Kaizen, mas não fizeram parte da análise empírica, porque foram escolhidas de forma não aleatória.

A taxa de adesão ao componente de consultoria in loco foi de 100% entre as empresas convidadas, pois nenhuma empresa recusou as visitas dos consultores. O custo estimado do treinamento foi de aproximadamente 2.000 dólares por empresa tratada.

O braço de consultoria in loco isolada tinha amostra pequena: 26 empresas no total, sendo 10 no cluster de aço e 16 no cluster de malhas e vestuário. Por isso, as estimativas desse braço devem ser interpretadas com cautela, especialmente para desfechos econômicos mais ruidosos, como vendas, valor adicionado e lucros.

Como a intervenção ocorreu dentro de clusters industriais, havia possibilidade de difusão informal de práticas entre empresas tratadas e não tratadas. Os autores observam que esse tipo de contaminação poderia levar a uma subestimação dos impactos privados do programa.

O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?

Foram documentadas, nos estudos listados na seção abaixo, as seguintes evidências a respeito do impacto causal do convite para participar apenas do componente de consultoria in loco:

  • a consultoria in loco isolada teve efeitos positivos sobre práticas de gestão nos primeiros anos após a intervenção;
  • um ano após a intervenção, houve aumento de aproximadamente 2,7 pontos no indicador de práticas Kaizen e de 2,5 pontos no indicador geral de gestão em relação ao grupo de controle [1, 2];
  • os efeitos positivos sobre práticas de gestão foram sustentados até o acompanhamento de 2016: cinco anos após a intervenção, as empresas convidadas apenas para a consultoria in loco adotavam cerca de 1,4 prática Kaizen adicional em relação ao grupo de controle, em uma escala de 0 a 11 [2];
  • também no acompanhamento de 2016, o escore geral de gestão das empresas convidadas apenas para a consultoria in loco foi cerca de 3,7 pontos superior ao do grupo de controle [2];
  • no acompanhamento mais longo, os efeitos da consultoria in loco isolada sobre práticas de gestão se dissiparam antes dos efeitos observados em outros braços de tratamento, especialmente em comparação ao braço que combinou treinamento em sala de aula e consultoria in loco [1];
  • as empresas convidadas apenas para a consultoria in loco apresentaram maior probabilidade de continuar operando cinco anos após a intervenção: o efeito estimado foi de 24,7 pontos percentuais O efeito de um programa em termos percentuais (%) é diferente do efeito do programa em pontos percentuais! Por exemplo, se uma variável binária teria média de 10% na ausência da iniciativa, um impacto de 5 pontos percentuais representa um aumento de 50% (=5/10).em relação ao grupo de controle, cuja taxa média de sobrevivência era de 52% [2];
  • esse efeito sobre sobrevivência não era perceptível no acompanhamento de dois anos e apareceu apenas no horizonte de cinco anos, sugerindo que impactos de treinamentos gerenciais podem demorar a se materializar plenamente [2];
  • não foram encontradas evidências estatisticamente significantes Chamam-se de estatisticamente significantes as estimativas de impacto que são distinguíveis de 0, após incorporadas à análise as incertezas associadas à generalização para outras amostras de indivíduos. e consistentes de aumento do desempenho econômico das empresas, medido por receita de vendas ou valor adicionado, embora as estimativas pontuais sejam em geral positivas [1, 2];
  • houve melhora em indicadores de mindset empreendedor no acompanhamento de 2016: as empresas convidadas apenas para a consultoria in loco apresentaram escore empreendedor cerca de 1,4 ponto maior do que o grupo de controle, em uma escala de 0 a 7 [2];
  • esse escore empreendedor incluía comportamentos como disposição para aprender gestão, participação posterior em treinamentos, uso de consultores externos e introdução ou melhoria de produtos [2];
  • o padrão de efeitos variou entre os dois aglomerados: no cluster de malhas e vestuário, a consultoria in loco teve efeitos relativamente maiores do que a capacitação em sala de aula, possivelmente porque mudanças no layout das oficinas e o aconselhamento personalizado eram mais fáceis de implementar em um processo produtivo intensivo em mão de obra [1, 2];
  • no cluster de aço, o componente de sala de aula pareceu ter papel relativamente maior, possivelmente porque o uso de máquinas pesadas dificultava mudanças rápidas de layout durante as visitas dos consultores [2];
  • o número de empresas convidadas apenas para a consultoria in loco foi pequeno, o que limita o poder estatístico das estimativas desse braço isolado [1, 2];
  • o braço que combinou treinamento em sala de aula e consultoria in loco apresentou impactos mais consistentes e persistentes sobre práticas de gestão, sobrevivência empresarial, mindset empreendedor e desempenho econômico [1, 2].

Quais as fontes da informação?

  1. Higuchi, Y., Nam, V. H., & Sonobe, T. (2023). Do Management Interventions Last? Evidence from Vietnamese SMEs. ERIA Discussion Paper Series, No. 471.
  2. Higuchi, Y., Nam, V. H., & Sonobe, T. (2017). Management Skill, Entrepreneurial Mindset, and Firm Survival: Evidence from Randomized Experiments and Repeated Surveys in Vietnam. Working Paper.
  3. Higuchi, Y., Nam, V. H., & Sonobe, T. (2015). Sustained Impacts of Kaizen Training. Journal of Economic Behavior and Organization, 120, 189-206.