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Centros Comunitários de Saúde Materna e Infantil na Noruega

Publicado em 25/10/2022 Atualizado em 26/03/2024
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Qual o objetivo?

Promover práticas de saúde e universalizar o acesso à atenção primária à saúde durante o primeiro ano de vida.

Onde e quando foi implementado?

O programa que apoiou a expansão dos centros foi desenvolvido e implementado pelas unidades administrativas da Noruega a partir de 1914.

Como é o desenho?

O programa instituiu centros comunitários de saúde de cobertura universal, embora tivessem como princípio focalizar famílias em situação de vulnerabilidade social. Os centros foram implementados a nível local, e a implementação seguiu diretrizes para que ocorresse de forma uniforme nas diferentes localidades. A implementação foi financiada principalmente por contribuições filantrópicas, mas também por recursos dos governos estaduais e locais.

Os centros tinham dois objetivos principais. Em primeiro lugar, eles operacionalizaram triagens gratuitas em saúde, por médicos e enfermeiros. Durante as avaliações, as crianças passavam por monitoramento de peso e altura, e exames que eram mantidos em formulários registrados em cada centro. Além disso, no caso de necessidade, as crianças foram encaminhadas para outros médicos e para hospitais para receberem atendimento especializado.

Em segundo lugar, os centros davam conselhos a mães nos temas de nutrição infantil, higiene infantil e vestimentas adequadas. O tema do aleitamento materno teve importância especial, dada a alta prevalência de doenças gastrointestinais entre crianças alimentadas com fórmulas.

O que aprendemos com o monitoramento e a avaliação?

Foram documentadas, no artigo listado na seção abaixo, as seguintes evidências a respeito do monitoramento e do impacto causal do programa sobre as crianças nascidas nos anos subsequentes à adesão dos municípios noruegueses:

  • em média, durante o primeiro ano de vida, as crianças nascidas no período fizeram de 3 a 4 visitas aos centros [1];
  • redução, entre os anos de 1936 e 1945, de 18% na taxa de mortalidade infantil, em consequência, principalmente, das quedas nas taxas de mortalidade infantil por diarreia (49%) e por coqueluche (35%) [1];
  • aumento de 1 a 1,4% no número total de anos de estudo alcançados na vida adulta [1];
  • redução de 24% em um indicador de mau estado de saúde (contendo informação sobre peso-por-idade, obesidade, e doenças cardíacas), quando avaliadas aos 40 anos [1];
  • aumento de 1,6 a 2% na renda total auferida entre 31 e 50 anos [1];
  • os efeitos descritos acima foram maiores, e mais precisamente estimados, para crianças oriundas de famílias em que o pai não tinha chegado ao ensino médio, entre aquelas que residiam em zonas rurais, e entre aquelas que residiam em áreas que, anteriormente, tinham taxas de mortalidade infantil mais altas [1];
  • redução de 10% na persistência intergeracional de educação, medida pela correlação entre os anos de educação do pai e dos seus filhos [1].

De onde vem essa informação?

  1. Bütikofer, A., Løken, K. V., & Salvanes, K. G. (2019). Infant Health Care and Long-term Outcomes. Review of Economics and Statistics, 101(2), 341-354.

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