Capacitação Empresarial para Mulheres Empreendedoras do Agronegócio na Etiópia — Women Agribusiness Leaders Network
Capacitação Empresarial para Mulheres Empreendedoras do Agronegócio na Etiópia — Women Agribusiness Leaders Network
Qual era o objetivo?
Capacitar mulheres empreendedoras do setor agropecuário em habilidades de gestão empresarial, liderança e comunicação, aprimorando a condução e a lucratividade de seus negócios.
Onde e quando?
A iniciativa foi implementada entre julho e dezembro de 2014, em 96 distritos, chamados woredas, de cinco regiões da Etiópia: Tigray, Amhara, Oromia, SNNPR e Addis Abeba.
A capacitação ocorreu no contexto do Women Agribusiness Leaders Network (WALN), componente do Agricultural Growth Program (AGP), financiado pela USAID e pelo Banco Mundial e voltado ao apoio a mulheres no setor agropecuário.
Os resultados abaixo referem-se a um estudo experimentalOs estudos experimentais utilizam mecanismos aleatórios (isto é, sorteios) para definir quem será e quem não será contemplado por um determinado programa ou política pública, garantindo que as diferenças futuras entre estes grupos possam ser atribuídas com maior credibilidade à intervenção em si — e não a diferenças entre quem é e quem não é "tratado". envolvendo 197 mulheres empreendedoras, acompanhadas ao longo de 3 anos após a capacitação (2015, 2017 e 2018).1
Como era o desenho?
O programa ofereceu aproximadamente 60 horas de formação presencial, distribuídas em 6 sessões de 2 dias ao longo de 6 meses consecutivos.
As aulas foram ministradas por especialistas nacionais e internacionais em gestão empresarial, utilizando métodos de aprendizado para adultos, como estudos de caso, discussões facilitadas, trabalhos em grupo, exercícios individuais e dramatizações.
O currículo estava organizado em quatro módulos.
O primeiro, de desenvolvimento e planejamento de negócios (~31 horas), abordou elaboração de planos de negócio, marketing, gestão financeira (registros contábeis, planejamento de vendas, fluxo de caixa, demonstração de resultados), gestão de recursos humanos, habilidades de negociação, gestão de estoque e conceito de cadeia de valor.
O segundo módulo, de liderança (~12 horas), focou estilos de liderança, tomada de decisões, gestão de conflitos e liderança pessoal.
O terceiro, de comunicação e networking (~9 horas), abordou comunicação eficaz no contexto empresarial e formação de redes de negócios.
O quarto módulo (~6 horas) preparou as participantes para atuar como mentoras de outras empreendedoras de suas redes sociais e profissionais.
O custo do programa foi de aproximadamente 2.400 dólares por participante.
O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?
Foram documentadas, no artigo listado na seção abaixo, as seguintes evidências de monitoramento e impacto:
- cerca de 94% das empreendedoras sorteadas para a capacitação participaram de pelo menos uma sessão de treinamento, com média de 5,2 sessões frequentadas (de um total de 6) [1];
- houve aumento de 13% de um desvio-padrãoO desvio-padrão mede a dispersão de valores de uma variável —valores mais altos indicam ocorrência de valores longe da média e valores mais baixos refletem maior concentração de valores próximos à média. Uma forma de interpretar efeitos medidos na escala de desvios-padrão, que é usada para tornar comparáveis provas usadas em diferentes contextos, é: "A cada aumento de 10% de um desvio-padrão equivale, aproximadamente, um salto de 4 posições a partir do aluno mediano (isto é, na posição 50)". Um aumento de 30% de um desvio-padrão, por exemplo, equivaleria a passar da posição 50 para a posição 62 (isto é, 30%/10% x 4 posições). Essas aproximações se tornam menos precisas para efeitos muito grandes. em um indicador agregado de boas práticas de gestão de negócios, com os maiores ganhos em práticas de marketing (14% de um desvio-padrão) e manutenção de registros (13% de um desvio-padrão), seguidos por controle de estoque (8% de um desvio-padrão) e planejamento financeiro (8% de um desvio-padrão) [1];
- houve aumento de 50% (ou 21 pontos percentuais) na parcela de empreendedoras que mantinham registros financeiros escritos [1];
- houve, além disso, aumento de 27% (ou 16 pontos percentuais) na parcela de empreendedoras que negociaram ou tentaram negociar preços com fornecedores [1];
- houve aumento de 21% de um desvio-padrão em um indicador agregado de lucros e receitas, no horizonte médio de 1 a 3 anos após a capacitação [1];
- houve aumento de 80% nos lucros mensais (variável winsorizadaWinsorização é um procedimento estatístico que limita valores extremos de uma variável, substituindo observações muito baixas ou muito altas por valores em percentis pré-definidos. É usada para reduzir a influência de outliers sobre as estimativas.) [1];
- houve aumento de 62% na receita mensal (variável winsorizada) [1];
- houve aumento no número de negócios operados pelas empreendedoras (0,23 negócios adicionais, em média), indicando alguma diversificação de atividades econômicas, embora o indicador agregado de expansão de negócios tenha sido imprecisamente estimado [1].
1 As participantes eram proprietárias ou gestoras de negócios registrados em nove cadeias de valor agrícola (grão-de-bico, café, mel, milho, gergelim, trigo, pecuária, laticínios e teff).
Quais as fontes da informação?
- Bakhtiar, M. M., Bastian, G., & Goldstein, M. (2022). Business Training and Mentoring: Experimental Evidence from Women-Owned Microenterprises in Ethiopia. Economic Development and Cultural Change, 71(1), 151–183.
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