Capacitação Empresarial e Transferência de Recursos para Clientes de Microfinanças da PRIDE na Tanzânia
Capacitação Empresarial e Transferência de Recursos para Clientes de Microfinanças da PRIDE na Tanzânia
Qual era o objetivo?
Formar habilidades de gestão e fornecer recursos para que microempreendedores clientes de uma instituição de microfinanças pudessem expandir seus negócios.
Onde e quando?
A iniciativa foi implementada entre 2008 e 2009, em Dar es Salaam, na Tanzânia, por meio de uma parceria entre pesquisadores e a PRIDE Tanzania, uma das principais instituições de microfinanças do país, que opera um modelo inspirado no Grameen Bank. Os resultados abaixo referem-se a um estudo experimental Os estudos experimentais utilizam mecanismos aleatórios (isto é, sorteios) para definir quem será e quem não será contemplado por um determinado programa ou política pública, garantindo que as diferenças futuras entre estes grupos possam ser atribuídas com maior credibilidade à intervenção em si — e não a diferenças entre quem é e quem não é "tratado". envolvendo 644 clientes da PRIDE com empréstimos de nível intermediário, em duas filiais localizadas em bairros de baixa renda da cidade (Magomeni e Buguruni). Aproximadamente 70% dos participantes eram mulheres.
Como era o desenho?
O programa teve como foco clientes da PRIDE Tanzania que já operavam microempresas e combinou dois componentes. O primeiro foi uma capacitação de 21 sessões semanais de 45 minutos cada, realizadas nas dependências da PRIDE logo após as reuniões semanais de pagamento de empréstimos. O curso foi desenvolvido pelo Centro de Empreendedorismo da Universidade de Dar es Salaam (UDEC) e cobriu temas como caráter e iniciativa empreendedora, atendimento ao cliente, gestão de pessoas e estratégias de marketing. As aulas, ministradas em suaíli por profissionais da UDEC, tinham orientação prática e usavam estudos de caso e dramatizações. A frequência média por sessão foi de 70% e 83% dos clientes obtiveram o diploma de conclusão.
O segundo componente foi uma transferência em espécie de 100.000 xelins tanzanianos (cerca de 85 dólares), oferecida 6 semanas após a conclusão do curso, apresentada como apoio ao aprimoramento dos negócios dos empreendedores. O valor correspondeu a aproximadamente 50% do investimento médio anual dos negócios da amostra e não precisava ser devolvido, representando uma oportunidade para que os empreendedores fizessem investimentos de longo prazo em seus negócios.
O custo da capacitação foi aproximadamente igual ao valor da transferência, o que torna as duas intervenções diretamente comparáveis em termos de custo.
O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?
Foram documentadas, no artigo listado na seção abaixo, as seguintes evidências de impacto:
- a combinação de capacitação e transferência de recursos gerou efeitos positivos expressivos e persistentes sobre o desempenho dos negócios dos empreendedores homens:
- houve aumento de 45% a 75% nas vendas e nos lucros dos empreendedores homens, com os maiores efeitos observados no longo prazo, cerca de 2 anos e meio após a implementação [1];
- houve, além disso, aumento de 48% de um desvio-padrão O desvio-padrão mede a dispersão de valores de uma variável —valores mais altos indicam ocorrência de valores longe da média e valores mais baixos refletem maior concentração de valores próximos à média. Uma forma de interpretar efeitos medidos na escala de desvios-padrão, que é usada para tornar comparáveis provas usadas em diferentes contextos, é: "A cada aumento de 10% de um desvio-padrão equivale, aproximadamente, um salto de 4 posições a partir do aluno mediano (isto é, na posição 50)". Um aumento de 30% de um desvio-padrão, por exemplo, equivaleria a passar da posição 50 para a posição 62 (isto é, 30%/10% x 4 posições). Essas aproximações se tornam menos precisas para efeitos muito grandes. na satisfação dos empreendedores homens com a situação de seus negócios e de 45% de um desvio-padrão em um indicador de condições de vida [1];
- o efeito de interação entre capacitação e transferência foi estatisticamente significante Chamam-se de estatisticamente significantes as estimativas de impacto que são distinguíveis de 0, após incorporadas à análise as incertezas associadas à generalização para outras amostras de indivíduos. para vendas e lucros de longo prazo, evidenciando complementaridade entre capital humano e capital financeiro [1];
- os mecanismos centrais para os empreendedores homens foram a expansão dos negócios e melhorias em práticas de gestão:
- houve aumento no número de negócios operados e na diversificação setorial, com expansão particularmente pronunciada no setor de comércio, que apresentava maiores vendas e lucros na amostra [1];
- houve aumento nos investimentos de curto prazo e melhorias em práticas de manutenção de registros e marketing [1];
- no entanto, não foram encontradas evidências de efeitos estatisticamente significantes da iniciativa combinada sobre vendas, lucros, satisfação ou condições de vida das empreendedoras mulheres [1];
- embora as mulheres também tenham apresentado ganhos em conhecimentos empresariais e em práticas de gestão no curto prazo, esses ganhos não se traduziram em melhorias no desempenho dos negócios [1];
- evidências de um experimento em laboratório sugerem que as mulheres treinadas permaneceram menos dispostas a competir do que os homens, e evidências de pesquisas de acompanhamento sugerem que restrições domésticas — como menor controle sobre decisões financeiras e menor tempo dedicado aos negócios — podem ter limitado a capacidade das empreendedoras de implementar os conhecimentos adquiridos [1];
- as iniciativas que ofereceram apenas a capacitação ou apenas a transferência de recursos, isoladamente, não geraram efeitos significantes sobre vendas ou lucros, para homens ou mulheres [1].
Quais as fontes da informação?
- Berge, L. I. O., Bjorvatn, K., & Tungodden, B. (2015). Human and Financial Capital for Microenterprise Development: Evidence from a Field and Lab Experiment. Management Science, 61(4), 707-722.
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