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Capacitação Empresarial Baseada em Regras Práticas para Microempreendedores no Equador

Avaliação de Impacto
Publicado em 30/04/2026
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Qual era o objetivo?

Formar habilidades básicas de gestão financeira e empresarial em microempreendedores por meio de regras práticas e simplificadas.

Onde e quando?

A iniciativa foi implementada entre novembro de 2015 e 2016, nas províncias de Pichincha e Guayas, no Equador, por meio de uma parceria entre o IDB Lab do Banco Interamericano de Desenvolvimento e o Banco Pichincha, a maior instituição financeira do país. Os empreendedores participantes eram também correspondentes do Banco Pichincha, que operavam negócios em setores como comércio varejista, padarias, barbearias, frutarias e papelarias. Os resultados abaixo referem-se a um estudo experimental  Os estudos experimentais utilizam mecanismos aleatórios (isto é, sorteios) para definir quem será e quem não será contemplado por um determinado programa ou política pública, garantindo que as diferenças futuras entre estes grupos possam ser atribuídas com maior credibilidade à intervenção em si — e não a diferenças entre quem é e quem não é "tratado". envolvendo 2.408 microempreendedores, com aleatorização Aleatorização é o processo de atribuir participantes a diferentes grupos (como tratamento e controle) de forma aleatória, ou seja, por sorteio. Isso garante que, em média, os grupos sejam comparáveis entre si, permitindo identificar de forma mais confiável os efeitos causais de uma intervenção. no nível dos oficiais bancários responsáveis pelas visitas de campo.

Como era o desenho?

A capacitação baseada em heurísticas foi desenvolvida pela consultoria GRID Impact, em parceria com o IDB Lab e o Banco Pichincha, utilizando uma abordagem de desvio positivo (positive deviance). A consultoria identificou boas práticas já adotadas por empreendedores bem-sucedidos por meio de entrevistas semiestruturadas, comparando-as com as práticas de empreendedores menos bem-sucedidos.

A capacitação foi estruturada como uma sessão presencial única de 4 horas, com no máximo 25 participantes por sessão, organizada em torno de quatro categorias de regras práticas: (i) organização do caixa do negócio, com separação do dinheiro em categorias e reposição diária; (ii) contabilização diária e semanal de lucros e perdas, separando dinheiro pessoal do dinheiro do negócio e pagando um salário fixo a si mesmo; (iii) regras para concessão de crédito a clientes e pagamento regular de dívidas; (iv) regras para criação de uma poupança, com reserva diária de pelo menos 1 dólar. Os instrumentos pedagógicos incluíram dinâmicas de grupo, exercícios individuais e coletivos, e a entrega de materiais como caixas registradoras, diários financeiros e calendários de despesas.

Após a sessão, os empreendedores foram convidados a participar de um Desafio de 30 Dias voluntário, no qual oficiais do banco acompanhavam a adoção das regras práticas durante visitas regulares. Empreendedores que completassem ao menos metade das tarefas associadas a cada categoria recebiam adesivos de progresso; aqueles que completassem ao menos duas das quatro categorias recebiam um selo de certificação e participavam de um sorteio. Cerca de 91% dos participantes aderiram ao desafio.

O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?

Foram documentadas, no artigo listado na seção abaixo, as seguintes evidências de impacto:

  • a taxa de adesão entre os empreendedores convidados para a capacitação heurística foi de 54% [1];
  • houve aumento de 7,3% nas vendas (ou 6,2% de um desvio-padrão O desvio-padrão mede a dispersão de valores de uma variável —valores mais altos indicam ocorrência de valores longe da média e valores mais baixos refletem maior concentração de valores próximos à média. Uma forma de interpretar efeitos medidos na escala de desvios-padrão, que é usada para tornar comparáveis provas usadas em diferentes contextos, é: "A cada aumento de 10% de um desvio-padrão equivale, aproximadamente, um salto de 4 posições a partir do aluno mediano (isto é, na posição 50)". Um aumento de 30% de um desvio-padrão, por exemplo, equivaleria a passar da posição 50 para a posição 62 (isto é, 30%/10% x 4 posições). Essas aproximações se tornam menos precisas para efeitos muito grandes.) em relação ao grupo de controle [1];
    • os efeitos foram concentrados em dias normais e bons de vendas: houve aumento de 7,4% nas vendas em dias normais e de 8,3% nas vendas em dias bons, mas não foram encontrados efeitos em dias ruins [1];
  • houve aumento de 8,2% nos lucros (ou 8% de um desvio-padrão) em relação ao grupo de controle [1];
    • os efeitos sobre lucros também foram concentrados em dias normais e bons: houve aumento de 8,1% nos lucros em dias normais e de 10% nos lucros em dias bons [1];
  • houve aumento de 20,8% de um desvio-padrão em um indicador agregado de adoção de boas práticas empresariais, com efeitos concentrados em práticas de manutenção de registros (25,4% de um desvio-padrão) e de organização do negócio (18,8% de um desvio-padrão) [1];
    • um dos principais canais identificados foi o controle de estoque: houve aumento de 3,7 pontos percentuais O efeito de um programa em termos percentuais (%) é diferente do efeito do programa em pontos percentuais! Por exemplo, se uma variável binária teria média de 10% na ausência da iniciativa, um impacto de 5 pontos percentuais representa um aumento de 50% (=5/10). na parcela de empreendedores que acompanhavam seu estoque e de 6,1 pontos percentuais na parcela dos que priorizavam a compra de produtos com maior giro de vendas [1];
  • não foram encontradas evidências de impacto sobre o número de clientes atendidos [1];
  • os efeitos foram mais fortes para mulheres do que para homens: entre mulheres, houve aumento de 8,3% de um desvio-padrão em vendas e de 9,9% de um desvio-padrão em lucros, enquanto para homens os efeitos foram imprecisamente estimados Diz-se que um resultado estatístico é imprecisamente estimado, ou que uma estimativa é imprecisa, quando ele também é consistente com valores distantes de um valor de referência (por exemplo, 0), após incorporada à análise as incertezas associadas à generalização para outras amostras de indivíduos de uma população. [1];
    • os efeitos também foram mais fortes para empreendedores com menor capacidade de memória de trabalho, medida pelo teste de extensão de dígitos [1];
  • a taxa interna de retorno da capacitação foi estimada em pelo menos 37%, incluindo custos de desenho, e assumindo conservadoramente que os efeitos desaparecem após 1 ano [1];
  • uma capacitação tradicional implementada no mesmo contexto e período não apresentou efeitos estatisticamente significantes sobre vendas, lucros ou adoção de boas práticas [1].

Quais as fontes da informação?

  1. Arráiz, I., Bhanot, S. P., & Calero, C. (2019). Less is More: Experimental Evidence on Heuristic-Based Business Training in Ecuador. IDB Working Paper.
Imds | Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social
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