Capacitação Empreendedora para Microempreendedores no Peru — Jóvenes Productivos e Impulsa Perú
Capacitação Empreendedora para Microempreendedores no Peru — Jóvenes Productivos e Impulsa Perú
Qual era o objetivo?
Melhorar o desempenho de microempresas e promover sua formalização, por meio de capacitação em habilidades empresariais, apoio à formulação de planos de negócios, informação sobre regimes tributários simplificados e, para parte dos participantes, oferta de capital semente.
Onde e quando?
Os programas foram implementados pelo Ministério do Trabalho do Peru em diversas províncias do país. O programa Jóvenes Productivos é voltado a jovens de 18 a 29 anos em situação de pobreza, e o programa Impulsa Perú é voltado a trabalhadores autônomos ou subempregados não atendidos pelo Jóvenes Productivos. Entre 2012 e 2017, os dois programas capacitaram mais de 22.000 empreendedores.
Os resultados abaixo referem-se a um estudo observacional Os estudos observacionais analisam dados coletados em situações em que os pesquisadores não têm controle sobre a exposição dos indivíduos à política ou ao programa social, baseando-se na observação das associações entre variáveis em seus contextos naturais. Nesse tipo de estudo, que frequentemente recebe o nome de "experimento natural" ou "quase-experimento", diferenças entre os grupos podem ser influenciadas por fatores que limitam a capacidade de estabelecer relações causais entre o programa e resultados de interesse. Estudos observacionais se apoiam nas metodologias modernas de inferência causal para contornar esse problema, construindo contrafactuais convincentes. que utiliza dados de 1.133 beneficiários dos dois programas — 633 participantes do Jóvenes Productivos, treinados em 2013 e entrevistados em 2015, e 500 participantes do Impulsa Perú, treinados em 2015 e entrevistados em 2017 — e um grupo de comparação construído a partir de 13.798 trabalhadores autônomos da Pesquisa Nacional de Domicílios do Peru.1
Como era o desenho?
Os participantes receberam treinamento em habilidades cognitivas e socioemocionais, além de assistência técnica na formulação de planos de negócios. Uma parte substancial das oficinas foi dedicada à promoção da formalização: os participantes aprendiam a emitir notas fiscais, calcular impostos e inscrever-se em regimes tributários simplificados, além de receberem informações sobre os custos e benefícios de aderir ao setor formal, com exemplos e depoimentos de ex-participantes.
Um componente importante do programa foi a oferta de capital semente aos participantes com os melhores planos de negócios: 29% dos beneficiários entrevistados receberam esse financiamento, e a grande maioria deles considerou o recurso importante ou muito importante para o desenvolvimento de seus negócios.
Cerca de 89% dos participantes consideraram as oficinas de boa ou muito boa qualidade. Entretanto, um ponto fraco identificado foi o acompanhamento pós-programa: 30% dos participantes não receberam nenhuma mentoria após a conclusão das oficinas, e 16% consideraram a mentoria recebida de baixa qualidade.
O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?
Foram documentadas, no artigo listado na seção abaixo, as seguintes evidências de impacto:
- houve aumento de 20 a 25 pontos percentuais O efeito de um programa em termos percentuais (%) é diferente do efeito do programa em pontos percentuais! Por exemplo, se uma variável binária teria média de 10% na ausência da iniciativa, um impacto de 5 pontos percentuais representa um aumento de 50% (=5/10). na probabilidade de os participantes possuírem um número de identificação tributária (RUC) dois anos após a conclusão do programa, comparados ao grupo de controle, com resultados robustos a cinco especificações econométricas distintas [1];
- na comparação antes-depois entre os participantes (sem grupo de controle para essas variáveis), a parcela de negócios com licença de funcionamento municipal passou de 18% para 58%, e a parcela de negócios que emitiam notas fiscais passou de 13% para 46%, dois anos após o programa [1];
- houve aumento de 0,8 a 0,9 empregados por empresa entre os beneficiários, comparados ao grupo de controle, o que representa aproximadamente uma duplicação em relação à média pré-programa de 1,0 empregado [1];
- houve aumento de 9% a 18% (ou 4 a 8 pontos percentuais) na probabilidade de os beneficiários trabalharem mais de quatro horas por dia em seus negócios, comparados ao grupo de controle [1];
- a mediana do investimento nos negócios mais do que duplicou entre os participantes, passando de 909 para 1.969 dólares, e a parcela de participantes que ganhavam mais de 230 dólares por mês triplicou, de 24% para 75%, embora essas comparações antes-depois não disponham de grupo de controle [1];
- entrevistas em profundidade sugerem três mecanismos por trás do aumento da formalização: a oportunidade de repensar o plano de negócios original, a desmistificação dos procedimentos tributários e o acesso a capital semente [1];
- apesar do aumento substancial na formalização, cerca de 60% dos beneficiários permaneceram no setor informal dois anos após o programa [1].
1 O grupo de controle foi construído a partir do módulo de trabalho autônomo da Pesquisa Nacional de Domicílios do Peru, utilizando pareamento por vizinho mais próximo e pareamento por kernel, com correspondência exata por sexo, nível de educação e província de residência, e idade mais próxima possível. Os valores pré-programa para o grupo de controle foram estimados por meio de painéis sintéticos. Uma limitação importante é que a comparabilidade entre tratados e controles não pode ser garantida em dimensões não observáveis, como motivação. A pesquisa de beneficiários inclui apenas os participantes que concluíram o programa; segundo entrevistas, a taxa de evasão foi de cerca de 25%.
Quais as fontes da informação?
- Barron, M. (2020). Business Training Programs and Microenterprise Formalization in Peru. Cogent Economics & Finance, 8(1), 1791546.
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