Capacitação em Gestão Empresarial e Educação Financeira para Jovens Empreendedores em Tuzla (Bósnia e Herzegovina)

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Capacitação em Gestão Empresarial e Educação Financeira para Jovens Empreendedores em Tuzla (Bósnia e Herzegovina)

Avaliação de Impacto
Publicado em 20/04/2026 Atualizado em 21/04/2026
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Qual era o objetivo?

Formar habilidades de gestão empresarial e educação financeira que pudessem apoiar jovens empreendedores na condução de seus negócios.

Onde e quando?

A iniciativa foi implementada entre junho e dezembro de 2009, na região metropolitana de Tuzla, na Bósnia e Herzegovina, por meio de uma parceria entre pesquisadores do Banco Mundial e a Partner Microcredit Foundation (Partner), uma das maiores instituições de microcrédito do país, fundada em 2001 e com 44 escritórios. Os resultados abaixo referem-se a um estudo experimental Os estudos experimentais utilizam mecanismos aleatórios (isto é, sorteios) para definir quem será e quem não será contemplado por um determinado programa ou política pública, garantindo que as diferenças futuras entre estes grupos possam ser atribuídas com maior credibilidade à intervenção em si — e não a diferenças entre quem é e quem não é "tratado". envolvendo 445 clientes jovens da Partner, com idades entre 18 e 35 anos, que possuíam empréstimos para fins empresariais e haviam expressado interesse em participar de um curso de capacitação. À época, cerca de dois terços dos participantes já possuíam um negócio e o terço restante havia obtido empréstimos para empreendimentos planejados ou potenciais.

Como era o desenho?

O programa de capacitação consistiu em um curso intensivo de 9 horas, distribuídas em 3 dias de 3 horas cada, composto por seis módulos abrangentes. O primeiro módulo abordou conceitos gerais de empreendedorismo, incluindo vantagens e desvantagens de ser empreendedor, tipos legais de empresa, registro de negócios e o sistema tributário. O segundo módulo enfatizou a importância do planejamento empresarial e explicou como desenvolver um plano de negócios. O terceiro módulo cobriu estratégias de marketing e vendas. O quarto módulo tratou de gestão financeira, incluindo contabilidade, planejamento e separação de contas pessoais e empresariais. O quinto módulo focou no crescimento dos negócios, explorando estratégias de investimento e destacando as vantagens do investimento inicial de capital. O sexto e último módulo abordou questões de educação financeira, incluindo fontes de financiamento externo, cálculos de taxas de juros, diversificação e compreensão de termos contratuais.

O curso foi ministrado pelo Entrepreneurship Development Center (EDC), uma ONG local com experiência em formação empreendedora, cujos instrutores eram professores da Universidade de Tuzla. As turmas tinham entre 6 e 10 participantes. Os participantes receberam 50 marcos conversíveis (aproximadamente 35 dólares) como compensação pelo custo de oportunidade do tempo, além de transporte gratuito até o local do treinamento. O custo total por participante foi de cerca de 350 marcos conversíveis (aproximadamente 245 dólares).

O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?

Foram documentadas, no artigo listado na seção abaixo, as seguintes evidências de monitoramento e impacto:

  • dos 297 indivíduos convidados para o treinamento, apenas 117 (39%) efetivamente participaram do curso, sendo a falta de tempo a principal razão apontada para a não participação;
  • entre os que participaram, mais de 96% declararam que recomendariam o curso a um amigo [1];
  • o programa melhorou o conhecimento empresarial e financeiro dos participantes que tinham nível inicial mais baixo de educação financeira:
    • houve aumento de 27% (ou de 0,24 pontos em um escore de 0 a 3) no indicador de conhecimento financeiro e empresarial para indivíduos com nível inicial abaixo da mediana, mas não foram encontradas evidências de efeitos estatisticamente significantes Chamam-se de estatisticamente significantes as estimativas de impacto que são distinguíveis de 0, após incorporadas à análise as incertezas associadas à generalização para outras amostras de indivíduos e estudos. para o restante da amostra [1];
  • o treinamento melhorou práticas empresariais e investimentos entre os negócios que sobreviveram durante o período do estudo:
    • os empreendedores do grupo de tratamento tinham 17 pontos percentuais O efeito de um programa em termos percentuais (%) é diferente do efeito do programa em pontos percentuais! Por exemplo, se uma variável binária teria média de 10% na ausência da iniciativa, um impacto de 5 pontos percentuais representa um aumento de 50% (=5/10). a mais de probabilidade de terem implementado novos processos produtivos do que os do grupo de controle (contra uma base de 12%) [1];
    • houve redução de 22 pontos percentuais na parcela de empreendedores que utilizavam contas pessoais para fins empresariais (contra uma base de 66% no grupo de controle) [1];
    • os empreendedores convidados para o treinamento tinham 11 pontos percentuais a mais de probabilidade de investirem suas economias no negócio (contra uma base de 2% no grupo de controle) [1];
  • em termos de desempenho dos negócios, foram encontrados efeitos heterogêneos por gênero:
    • não foram encontradas evidências de efeitos estatisticamente significantes sobre os lucros médios da amostra como um todo, mas houve aumento de 82% nos lucros de empresas conduzidas por mulheres, com relação à média do grupo de controle feminino [1];
    • mulheres e empreendedores com nível inicial de educação financeira acima da mediana foram significativamente mais propensos a declarar que tinham mantido ou aumentado suas vendas, da ordem de 15 pontos percentuais (contra uma base de 47% no grupo de controle) [1];
    • por outro lado, empresas conduzidas por mulheres apresentaram redução no número de empregados em decorrência do programa, possivelmente porque reotimizaram sua razão capital-trabalho como resultado do treinamento [1];
  • não foram encontradas evidências de efeitos sobre a sobrevivência dos negócios nem sobre a abertura de novos empreendimentos:
    • a taxa de sobrevivência dos negócios foi de aproximadamente 61% tanto no grupo de tratamento quanto no de controle, em um período em que 36% dos negócios foram encerrados [1];
    • apenas um indivíduo sem negócio no início do estudo abriu um novo empreendimento durante o período [1];
  • em relação ao comportamento de crédito, o treinamento levou a mudanças na forma como os participantes se relacionaram com fontes de financiamento:
    • mulheres do grupo de tratamento foram significativamente menos propensas a tomar novos empréstimos junto à Partner, mas não junto a outras fontes, sugerindo que o treinamento as levou a buscar alternativas de financiamento [1];
    • para novos empréstimos tomados junto à Partner, o número médio de parcelas aumentou de 23 para 28 (e de 21 para 39 para mulheres), indicando condições de financiamento mais favoráveis [1];
    • o grupo de tratamento foi duas vezes mais propenso a refinanciar seus empréstimos existentes com a Partner (4,6 pontos percentuais a mais, contra uma base de 4,2%), tipicamente com taxas de juros menores ou prazos mais longos [1].

Quais as fontes da informação?

  1. Bruhn, M., & Zia, B. (2013). Stimulating Managerial Capital in Emerging Markets: The Impact of Business Training for Young Entrepreneurs. Journal of Development Effectiveness, 5(2), 232-266.
Imds | Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social
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