Capacitação Empreendedora Orientada a Mindset para Microempreendedoras na Etiópia — StartUp! e ReachUp!
Capacitação Empreendedora Orientada a Mindset para Microempreendedoras na Etiópia — StartUp! e ReachUp!
Qual era o objetivo?
Fomentar a autoestima e o espírito empreendedor de microempreendedoras, por meio de um ciclo de aprendizagem voltado ao desenvolvimento de habilidades de vida e à mudança de mentalidade.
Onde e quando?
A iniciativa foi implementada a partir de janeiro de 2015, em Mekelle, na Etiópia, pelo Digital Opportunity Trust (DOT), uma empresa social que opera com um modelo de entrega liderado por jovens universitários recém-formados.
O programa foi conduzido em centros de serviços de desenvolvimento empresarial (Business Development Service Centres) e direcionado a clientes do Women Entrepreneurship Development Project (WEDP), um projeto do Banco Mundial voltado ao apoio a microempreendedoras com potencial de crescimento.
Os resultados abaixo se referem a um estudo experimentalOs estudos experimentais utilizam mecanismos aleatórios (isto é, sorteios) para definir quem será e quem não será contemplado por um determinado programa ou política pública, garantindo que as diferenças futuras entre estes grupos possam ser atribuídas com maior credibilidade à intervenção em si — e não a diferenças entre quem é e quem não é "tratado". envolvendo aproximadamente 800 microempreendedoras.
Como era o desenho?
O programa teve como foco mulheres proprietárias ou coproprietárias de micro e pequenas empresas, com licença de funcionamento, registradas no WEDP.
O principal componente consistiu em dois cursos — StartUp! e ReachUp! — com duração total de aproximadamente 30 horas, oferecidos em sessões de meio período ao longo de 15 a 20 dias, para que as empreendedoras pudessem continuar operando seus negócios.
O conteúdo era organizado em torno de um ciclo de aprendizagem empreendedora (experiência, reflexão, generalização e aplicação) e abordava:
- identificação de forças, habilidades e paixões pessoais;
- definição de metas e planejamento de meios de subsistência sustentáveis;
- desenvolvimento de habilidades em TIC, resolução de problemas e autoconfiança;
- construção de conexões com pares, redes de apoio locais e serviços digitais e financeiros;
- sessões de coaching em grupo para abordar desafios comuns e apoiar o desenvolvimento de redes entre pares;
- mudança de atitude fundamental voltada ao fortalecimento de forças interiores e paixões, com vistas ao aumento da autoestima e da autoconfiança.
Os instrutores eram jovens universitários recém-formados, recrutados pelo DOT e treinados em um programa intensivo de três semanas (Intern Learning Experience) que cobria habilidades em TIC, empreendedorismo, facilitação, coaching, liderança e igualdade de gênero. O treinamento era gratuito para as participantes.
O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?
Foram documentadas, no artigo listado na seção abaixo, as seguintes evidências de monitoramento e impacto causal:
- cerca de 1 a cada 2 microempreendedoras convidadas (52%) participou do treinamento, e aquelas que participaram tendiam a ser proprietárias de negócios menores e menos lucrativos do que as que não participaram [1];
- aproximadamente 1 a cada 4 empreendedoras (25%) havia fechado seu negócio 2 anos após o treinamento, sem diferenças estatisticamente significantesChamam-se de estatisticamente significantes as estimativas de impacto que são distinguíveis de 0, após incorporadas à análise as incertezas associadas à generalização para outras amostras de indivíduos. entre os grupos de tratamento e controle na taxa de sobrevivência das empresas [1];
- o treinamento teve efeito positivo sobre os lucros das microempreendedoras:
- aumento de 30% (ou 1.155 birr etíopes) no lucro mensal médio, 1 ano após o treinamento, em relação à média do grupo de controle, de 4.693 birr etíopes [1];
- 2 anos após o treinamento, o efeito sobre os lucros continuou positivo (965 birr etíopes, ou 21%), mas o resultado estatístico é imprecisamente estimadoChamam-se de estatisticamente significantes as estimativas de impacto que são distinguíveis de 0, após incorporadas à análise as incertezas associadas à generalização para outras amostras de indivíduos. [1];
- não foram encontradas evidências de impacto estatisticamente significante sobre receitas, custos, número de funcionários, horas trabalhadas pela proprietária ou valor do estoque de capital [1];
- o treinamento teve efeito positivo sobre indicadores psicológicos das empreendedoras, 1 ano após o treinamento:
- aumento de 8,5% de um desvio-padrãoO desvio-padrão mede a dispersão de valores de uma variável —valores mais altos indicam ocorrência de valores longe da média e valores mais baixos refletem maior concentração de valores próximos à média. Uma forma de interpretar efeitos medidos na escala de desvios-padrão, que é usada para tornar comparáveis provas usadas em diferentes contextos, é: "A cada aumento de 10% de um desvio-padrão equivale, aproximadamente, um salto de 4 posições a partir do aluno mediano (isto é, na posição 50)". Um aumento de 30% de um desvio-padrão, por exemplo, equivaleria a passar da posição 50 para a posição 62 (isto é, 30%/10% x 4 posições). Essas aproximações se tornam menos precisas para efeitos muito grandes. em um indicador de iniciativa pessoal, que mede, por exemplo, se a empreendedora faz mais do que lhe é pedido e se é capaz de realizar suas ideias [1];
- aumento de 8,9% de um desvio-padrão em um indicador de autoeficácia empreendedora, que mede, por exemplo, se a empreendedora acredita ser capaz de superar problemas e se sente competente para gerir bem seu negócio [1];
- não foram encontradas evidências de impacto sobre identidade empreendedora, locus de controle empreendedor, competência para lidar com erros ou atitude diante de risco nesse horizonte temporal [1];
- 2 anos após o treinamento, os efeitos sobre os indicadores psicológicos se dissiparam e não foram encontradas evidências de impacto estatisticamente significante sobre nenhuma das variáveis psicológicas. Houve, além disso, queda de 20,9% de um desvio-padrão no indicador de identidade empreendedora [1];
- não foram encontradas evidências de impacto estatisticamente significante sobre indicadores de boas práticas empresariais (manutenção de registros, marketing, controle de estoque, planejamento financeiro) nem sobre conhecimento empresarial, 1 ou 2 anos após o treinamento [1].
Quais as fontes da informação?
- Alibhai, S., Buehren, N., Frese, M., Goldstein, M., Papineni, S., & Wolf, K. (2019). Full Esteem Ahead? Mindset-Oriented Business Training in Ethiopia. Policy Research Working Paper 8892. Washington, DC: World Bank.
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