Capacitação Empreendedora nos Estados Unidos — Project GATE
Capacitação Empreendedora nos Estados Unidos — Project GATE
Qual era o objetivo?
Formar habilidades empreendedoras e apoiar indivíduos interessados em abrir ou expandir um negócio próprio.
Onde e quando?
O Project Growing America through Entrepreneurship (Project GATE) foi uma iniciativa do Departamento do Trabalho e da Small Business Administration (SBA) dos Estados Unidos, implementada em 7 localidades de 3 estados (Pensilvânia, Minnesota e Maine), entre setembro de 2003 e julho de 2005.
Os resultados abaixo referem-se a um estudo experimentalOs estudos experimentais utilizam mecanismos aleatórios (isto é, sorteios) para definir quem será e quem não será contemplado por um determinado programa ou política pública, garantindo que as diferenças futuras entre estes grupos possam ser atribuídas com maior credibilidade à intervenção em si — e não a diferenças entre quem é e quem não é "tratado". que utiliza dados de 4.197 indivíduos, com pesquisas de acompanhamento realizadas 6, 18 e 60 meses após a aleatorização.1
Como era o desenho?
Os indivíduos sorteados para o grupo de tratamento receberam acesso gratuito a uma oferta abrangente de serviços de capacitação empreendedora, fornecidos por 14 organizações parceiras — incluindo Small Business Development Centers (SBDCs) e organizações comunitárias sem fins lucrativos — localizadas nas regiões de Filadélfia, Pittsburgh, Minneapolis/St. Paul, Duluth (Minnesota) e cidades no Maine.
O custo estimado da capacitação foi de 1.321 dólares por participante.
A capacitação começava com uma avaliação individual para elaboração de um plano de serviços personalizado, que combinava consultoria individual com treinamentos em grupo.
64% dos participantes do grupo de tratamento receberam consultoria individualizada, adaptada à experiência, às capacidades e às circunstâncias de cada indivíduo.
77% participaram de cursos e oficinas em grupo, que abordavam temas gerais e especializados em diferentes níveis de experiência — desde estrutura jurídica, planos de negócios e marketing, até gestão de crescimento, obtenção de financiamento, questões legais e contabilidade.
Os indivíduos do grupo de controle não receberam oferta de serviços gratuitos, mas não foram impedidos de buscar capacitação por conta própria. De fato, 44% do grupo de controle obteve alguma forma de capacitação empreendedora por outros meios nos primeiros 6 meses, e 65% até o final do período de acompanhamento de 60 meses.
O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?
Foram documentadas, no artigo listado na seção abaixo, as seguintes evidências de impacto:
- o programa aumentou substancialmente a quantidade de capacitação recebida pelos participantes:
- 89% dos participantes do grupo de tratamento receberam alguma capacitação durante o período do estudo, em comparação com 65% do grupo de controle. O grupo de tratamento acumulou, em média, 27,6 horas de capacitação, contra 19,1 horas do grupo de controle [1];
- houve aumento de 13 pontos percentuaisO efeito de um programa em termos percentuais (%) é diferente do efeito do programa em pontos percentuais! Por exemplo, se uma variável binária teria média de 10% na ausência da iniciativa, um impacto de 5 pontos percentuais representa um aumento de 50% (=5/10). na parcela de participantes que elaboraram um plano de negócios nos primeiros 6 meses, efeito que persistiu nos horizontes de 18 e 60 meses [1];
- o programa gerou efeitos positivos sobre a criação de negócios no curto prazo, mas esses efeitos se dissiparam ao longo do tempo:
- houve aumento de 37% (ou 13,4 pontos percentuais) na taxa de empreendedorismo 6 meses após a aleatorização, sobre uma base de 36% no grupo de controle [1];
- não foram encontradas evidências de efeitos estatisticamente significantesChamam-se de estatisticamente significantes as estimativas de impacto que são distinguíveis de 0, após incorporadas à análise as incertezas associadas à generalização para outras amostras de indivíduos. na taxa de empreendedorismo 18 meses após a aleatorização [1];
- não foram encontradas evidências de efeitos estatisticamente significantes na taxa de empreendedorismo 60 meses após a aleatorização [1];
- não foram encontrados efeitos sobre vendas, contratação de funcionários ou renda familiar em nenhum dos horizontes analisados:
- não foram encontradas evidências de efeitos estatisticamente significantes nas vendas mensais dos negócios em nenhum dos 3 horizontes [1];
- não foram encontradas evidências de efeitos estatisticamente significantes na contratação de funcionários [1];
- não foram encontradas evidências de efeitos estatisticamente significantes na renda domiciliar [1];
- não foram encontradas evidências de efeitos estatisticamente significantes na satisfação com o trabalho [1];
- a análise de efeitos heterogêneos não encontrou evidências de impactos positivos duradouros para os subgrupos mais propensos a enfrentar falhas de mercado — indivíduos com restrições de crédito, minorias raciais, mulheres, ou indivíduos com menor capital humano:
- não foram encontradas evidências de efeitos estatisticamente significantes para nenhum desses subgrupos nos horizontes de médio e longo prazo [1];
- o único efeito heterogêneo relevante foi para indivíduos desempregados no momento da inscrição, que apresentaram efeito positivo sobre empreendedorismo no curto prazo:
- houve aumento de 23 pontos percentuais na taxa de empreendedorismo entre os desempregados aos 6 meses, mas esse efeito se dissipou nos horizontes mais longos [1].
1 Cerca de 55% dos participantes estavam desempregados no momento da inscrição e 39% recebiam seguro-desemprego. Aproximadamente 44% reportaram histórico de crédito ruim, 46% eram mulheres, e quase 50% pertenciam a minorias raciais.
Quais as fontes da informação?
- Fairlie, R. W., Karlan, D., & Zinman, J. (2015). Behind the GATE Experiment: Evidence on Effects of and Rationales for Subsidized Entrepreneurship Training. American Economic Journal: Economic Policy, 7(2), 125-161.
Políticas e Programas Relacionados
Capacitação Empreendedora para Microempreendedores no Peru — Jóvenes Productivos e Impulsa Perú
Melhorar o desempenho de microempresas e promover sua formalização, por meio de capacitação em habilidades empresariais e informações sobre regimes tributários simplificados.
Capacitação Empresarial para Empreendedores na Libéria — Small Enterprise Programme (SEP)
Aprimorar as práticas empresariais e o desempenho de pequenos empreendedores por meio de capacitação em habilidades de gestão de negócios.
Mentoria Remota por Homens para Empreendedores Homens em Uganda
Apoiar o crescimento de pequenas empresas por meio de mentoria individualizada de empreendedores homens com mentores homens.
