Capacitação Empreendedora e de Gênero para Microempreendedoras no Vietnã
Capacitação Empreendedora e de Gênero para Microempreendedoras no Vietnã
Qual era o objetivo?
Fortalecer uma dimensão do poder de decisão intradomiciliar de mulheres empreendedoras, por meio de capacitação em empreendedorismo e igualdade de gênero.
Onde e quando?
O programa foi implementado pelo TYM Fund, a maior organização de microfinanças do norte do Vietnã, a partir de fevereiro de 2012, nas províncias de Vinh Phuc e Hanói. Os resultados abaixo se referem a um estudo experimental Os estudos experimentais utilizam mecanismos aleatórios (isto é, sorteios) para definir quem será e quem não será contemplado por um determinado programa ou política pública, garantindo que as diferenças futuras entre estes grupos possam ser atribuídas com maior credibilidade à intervenção em si — e não a diferenças entre quem é e quem não é "tratado". envolvendo 187 centros de crédito, aleatorizados em três grupos: dois grupos de tratamento e um grupo de controle com 86 centros. O poder de barganha intradomiciliar foi medido por meio de um experimento de laboratório em campo envolvendo 339 casais. A medida de poder de barganha intradomiciliar analisada no artigo foi obtida por meio de um experimento de laboratório em campo envolvendo 339 casais.
Como era o desenho?
O programa foi baseado no pacote de treinamento Gender and Entrepreneurship Together (GET) Ahead for Women in Enterprise, desenvolvido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). O programa completo continha nove módulos, dos quais dois eram voltados à igualdade de gênero e sete ao empreendedorismo. Cada módulo tinha duração de 45 a 60 minutos e foi oferecido durante as reuniões mensais dos centros de crédito do TYM Fund. Discussões adicionais sobre cada módulo foram organizadas em sessões semanais.
O programa teve por foco mulheres empreendedoras integrantes do TYM Fund. A participação foi voluntária e gratuita, com adesão de mais de 95% das mulheres selecionadas em todas as sessões.
Os dois módulos de igualdade de gênero abordaram temas como a construção de autoconfiança e a promoção de normas de igualdade entre homens e mulheres. Os sete módulos de empreendedorismo visaram aprimorar habilidades de gestão de negócios, o que poderia fortalecer o potencial de geração de renda das mulheres e, consequentemente, influenciar sua posição relativa em decisões intradomiciliares.
Neste braço de tratamento, apenas as mulheres empreendedoras participaram das sessões de treinamento, sem o convite ou a presença de seus cônjuges. Foram atribuídos 31 centros de crédito a este grupo de tratamento.
Para medir o poder de barganha, o estudo utilizou jogos incentivados de alocação intertemporal. Mulheres e maridos tomaram decisões separadamente e, depois, em conjunto. A partir da comparação entre decisões individuais e conjuntas, os autores estimaram o peso relativo das preferências de cada cônjuge nas decisões do casal.
O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?
Foram documentadas, no artigo listado na seção abaixo, as seguintes evidências a respeito do impacto causal do programa de capacitação empreendedora e de gênero, sem a participação dos cônjuges, sobre o poder de barganha intradomiciliar das mulheres:
- as preferências dos maridos dominaram as decisões conjuntas do domicílio no grupo de controle, com uma razão de poder de barganha feminino de 0,392, indicando que as preferências das esposas tinham menos da metade do peso das preferências dos maridos nas decisões domiciliares [1];
- a participação no treinamento, sem a presença dos cônjuges, aumentou a razão de poder de barganha feminino para 0,746, o que representa um aumento de aproximadamente 90%, tornando as decisões conjuntas do domicílio mais alinhadas às preferências das mulheres [1];
- a razão de poder de barganha feminino neste grupo de tratamento é estatisticamente diferente da razão observada no grupo de controle [1];
- a razão de poder de barganha feminino neste grupo de tratamento não é estatisticamente diferente da razão observada no grupo em que os cônjuges foram convidados (0,853), sugerindo que o convite aos maridos não gerou ganhos adicionais estatisticamente distinguíveis no empoderamento feminino [1];
- não foram encontradas evidências de que o treinamento tenha alterado as preferências temporais individuais das mulheres, sugerindo que o programa atuou como um fator distributivo — modificando o peso relativo das preferências femininas nas decisões conjuntas — e não como uma mudança nas preferências individuais [1].
Quais as fontes da informação?
- Bulte, E., Lensink, R., & Vu, N. (2016). Gender Training and Female Empowerment: Experimental Evidence from Vietnam. Economics Letters, 145, 117-119.
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