Capacitação em Gestão Kaizen em Sala de Aula para Pequenos Fabricantes no Vietnã
Capacitação em Gestão Kaizen em Sala de Aula para Pequenos Fabricantes no Vietnã
Qual era o objetivo?
Aprimorar as práticas de gestão e de produção de pequenos fabricantes em aglomerações industriais no Vietnã, por meio de capacitação presencial em sala de aula baseada na abordagem Kaizen e em conteúdos básicos de gestão empresarial.
Onde e quando?
A iniciativa foi implementada em 2010, em dois aglomerados industriais nos arredores de Hanói, no Vietnã: um cluster de produtos de aço, na província de Bac Ninh, e outro de malhas e vestuário, na província de Ha Tay.
Os resultados abaixo referem-se a um estudo experimental Os estudos experimentais utilizam mecanismos aleatórios (isto é, sorteios) para definir quem será e quem não será contemplado por um determinado programa ou política pública, garantindo que as diferenças futuras entre estes grupos possam ser atribuídas com maior credibilidade à intervenção em si — e não a diferenças entre quem é e quem não é "tratado". com 312 pequenas empresas manufatureiras, acompanhadas em pesquisas de seguimento realizadas em 2011, 2013 e 2016.
Como era o desenho?
O programa consistiu em um curso presencial de aproximadamente 40 horas, distribuído ao longo de 3 semanas, com aulas de 2,5 horas por dia, 5 dias por semana.
O conteúdo incluiu contabilidade básica, marketing, estratégia de negócios e gestão da produção com base na abordagem Kaizen — um método japonês de melhoria contínua voltado à organização do ambiente produtivo, à coordenação da divisão do trabalho, à redução de desperdícios e ao controle de qualidade.
O módulo de Kaizen abordou temas como organização do espaço de trabalho, controle de estoque, fluxo de produção, manutenção de máquinas, separação de materiais defeituosos e boas práticas de limpeza e organização da oficina.
As aulas foram ministradas por uma consultora local certificada como instrutora-mestre do programa Start/Improve Your Business (SIYB), da Organização Internacional do Trabalho, com suporte de um especialista japonês em Kaizen.
A taxa de adesão ao componente em sala de aula foi parcial. Considerando as empresas que completaram ao menos 10 dos 15 dias de treinamento, a adesão foi de 38% no cluster de aço e 58% no cluster de malhas e vestuário. Por isso, os resultados abaixo devem ser interpretados como efeitos do convite para participar da capacitação, e não necessariamente como efeitos da participação integral no curso.
Como as empresas estavam localizadas em clusters industriais, havia possibilidade de difusão informal de práticas entre empresas tratadas e não tratadas. Esse tipo de contaminação pode reduzir a diferença estimada entre tratamento e controle, especialmente nos acompanhamentos de mais longo prazo.
O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?
Foram documentadas, nos artigos listados na seção abaixo, as seguintes evidências a respeito do impacto causal do convite para participar apenas do componente de capacitação em sala de aula:
- não foram encontradas evidências estatisticamente significantes Chamam-se de estatisticamente significantes as estimativas de impacto que são distinguíveis de 0, após incorporadas à análise as incertezas associadas à generalização para outras amostras de indivíduos. de que o convite para a capacitação em sala de aula tenha aumentado a sobrevivência das empresas no conjunto da amostra [2];
- cinco anos após a intervenção, a estimativa pontual de impacto sobre sobrevivência foi positiva, de 12,3 pontos percentuais O efeito de um programa em termos percentuais (%) é diferente do efeito do programa em pontos percentuais! Por exemplo, se uma variável binária teria média de 10% na ausência da iniciativa, um impacto de 5 pontos percentuais representa um aumento de 50% (=5/10)., mas não estatisticamente significativa, em comparação com uma taxa de sobrevivência de 52% no grupo de controle [2];
- também não foram encontradas evidências estatisticamente significantes de aumento do valor adicionado das empresas no braço apenas sala de aula, embora as estimativas pontuais tenham sido positivas em alguns horizontes de acompanhamento [2];
- por outro lado, a capacitação em sala de aula gerou efeitos positivos sobre práticas de gestão no médio prazo, ainda que menores do que os observados no braço combinado de sala de aula com consultoria in loco [1, 2, 3];
- cinco anos após a intervenção, as empresas convidadas apenas para a capacitação em sala de aula adotavam 0,8 prática Kaizen adicional em relação ao grupo de controle, em uma escala de 0 a 11 [2];
- no mesmo horizonte de cinco anos, o escore geral de gestão das empresas convidadas apenas para a capacitação em sala de aula era 1,8 ponto maior do que o do grupo de controle [2];
- a evidência de acompanhamento mais longo mostra que os efeitos sobre práticas de gestão foram mais claros até 2016 e permaneceram observáveis em 2017, mas desapareceram no acompanhamento de 2021, quando as empresas do grupo de controle haviam alcançado as tratadas [1];
- houve mudança positiva no escore de mindset empreendedor: cinco anos após a intervenção, as empresas convidadas apenas para a capacitação em sala de aula apresentaram escore 0,72 ponto maior do que o grupo de controle, em uma escala de 0 a 7 [2];
- esse escore empreendedor incluía comportamentos como disposição para aprender gestão, participação posterior em treinamentos, uso de consultores externos, viagens de negócio e introdução ou melhoria de produtos [2];
- o padrão de efeitos variou entre os dois clusters industriais. No cluster de aço, o componente de sala de aula pareceu relativamente mais importante, possivelmente porque o uso de máquinas pesadas tornava mais difícil reorganizar fisicamente o processo produtivo durante visitas de consultoria [2];
- no cluster de malhas e vestuário, os efeitos do componente em sala de aula foram menos pronunciados do que os da consultoria in loco, possivelmente porque mudanças práticas de layout e organização do trabalho eram mais fáceis de implementar com orientação direta na oficina [2];
- o braço que combinou capacitação em sala de aula e consultoria in loco apresentou impactos maiores e mais consistentes sobre sobrevivência, práticas Kaizen, escore geral de gestão, mindset empreendedor e desempenho econômico [2];
- a comparação entre os acompanhamentos de 2017 e 2023 sugere que a capacitação gerencial gerou mudanças persistentes por alguns anos, mas não permanentes: os efeitos sobre gestão se mantiveram por pelo menos cinco anos, mas desapareceram em uma janela de dez anos, em parte porque empresas do grupo de controle passaram a adotar práticas semelhantes [1].
Quais as fontes da informação?
- Higuchi, Y., Nam, V. H., & Sonobe, T. (2023). Do Management Interventions Last? Evidence from Vietnamese SMEs. ERIA Discussion Paper Series, No. 471.
- Higuchi, Y., Nam, V. H., & Sonobe, T. (2017). Management Skill, Entrepreneurial Mindset, and Firm Survival: Evidence from Randomized Experiments and Repeated Surveys in Vietnam. Working Paper.
- Higuchi, Y., Nam, V. H., & Sonobe, T. (2015). Sustained Impacts of Kaizen Training. Journal of Economic Behavior and Organization, 120, 189-206.
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