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Capacitação e Consultoria em Kaizen para Pequenas Confecções na Tanzânia

Avaliação de Impacto
Publicado em 15/07/2026
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Qual era o objetivo?

Aprimorar práticas de gestão e de produção de pequenas empresas de confecção, com foco em controle de qualidade e coordenação do trabalho.

Onde e quando?

O programa de capacitação foi implementado entre maio de 2010 e fevereiro de 2011, em Dar es Salaam, na Tanzânia, no contexto de uma parceria entre pesquisadores e associações de empresários do setor de confecções.

Os resultados abaixo referem-se a um estudo experimentalOs estudos experimentais utilizam mecanismos aleatórios (isto é, sorteios) para definir quem será e quem não será contemplado por um determinado programa ou política pública, garantindo que as diferenças futuras entre estes grupos possam ser atribuídas com maior credibilidade à intervenção em si — e não a diferenças entre quem é e quem não é "tratado". envolvendo 113 pequenas empresas de confecção, acompanhadas por meio de pesquisas de campo realizadas entre 2010 e 2014.

Como era o desenho?

O programa combinou dois componentes: capacitação em sala de aula e consultoria in loco.

O componente de capacitação em sala de aula consistiu em um programa de três semanas, com sessões diárias de 2,5 horas durante cinco dias por semana, totalizando cerca de 40 horas de formação.

O conteúdo abrangia os temas padrão dos módulos Start/Improve Your Business da OIT — empreendedorismo, marketing, registro contábil e contabilidade — acrescidos de lições introdutórias de gestão da produção e controle de qualidade inspiradas no método Kaizen.

Os participantes aprenderam sobre coordenação da divisão de trabalho entre funcionários, redução do desperdício de materiais e tempo, manutenção preventiva de equipamentos, e ferramentas de comunicação para promover esses objetivos junto a seus trabalhadores.

O programa foi conduzido por uma instrutora-mestra tanzaniana certificada no programa SIYB e três co-instrutores, com apoio de um consultor japonês especialista em Kaizen.

O componente de consultoria in loco teve início com um seminário de meio dia, no qual os empreendedores convidados foram apresentados aos princípios do Kaizen. Em seguida, cada participante foi atribuído a um instrutor, que visitou sua oficina ao menos duas vezes — e, em muitos casos, diversas vezes — para avaliar a situação do local de trabalho, elaborar um plano de melhorias e oferecer orientação concreta sobre como introduzir práticas de Kaizen junto aos trabalhadores.

Os instrutores recomendaram, entre outras medidas, reorganização do layout das oficinas, e também ofereceram aconselhamento sobre registro contábil e marketing, quando solicitado. Duas oficinas de participantes do programa em sala de aula foram convertidas em oficinas-modelo, servindo como exemplos reais de organização e práticas recomendadas.

O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?

Foram documentadas, no artigo listado na seção abaixo, as seguintes evidências de monitoramento e impacto:

  • a taxa de adesão à capacitação em sala de aula foi de 90%, e de 100% à consultoria in loco [1];
  • o custo aproximado do programa combinado foi de 2.000 dólares por empresa participante [1];
  • no curto prazo, logo após o programa, houve melhoria nas práticas de gestão dos participantes, mas não no desempenho dos negócios:
    • houve aumento de 4,95 pontos (em uma escala de 0 a 27) no escore de práticas de gestão adotadas pelas empresas, um efeito grande e estatisticamente significanteChamam-se de estatisticamente significantes as estimativas de impacto que são distinguíveis de 0, após incorporadas à análise as incertezas associadas à generalização para outras amostras de indivíduos., que permaneceu significativo ao longo de três anos [1];
    • não foram encontradas evidências de efeitos estatisticamente significantes sobre a receita de vendas ou o valor agregado nos dois primeiros anos após a capacitação [1];
  • no médio prazo, dois a três anos após o programa, houve melhoria significativa no desempenho dos negócios:
    • houve aumento de aproximadamente 23.600 dólares na receita de vendas em 2013, um efeito estatisticamente significante e equivalente a 88% da média do grupo de controle no mesmo ano [1];
    • houve aumento de aproximadamente 16.200 dólares no valor agregado em 2013, também estatisticamente significante, superando em muito o custo de 4.000 dólares do programa combinado [1];
  • o programa também teve efeitos positivos em outros indicadores de negócios:
    • houve aumento de 19 pontos percentuaisO efeito de um programa em termos percentuais (%) é diferente do efeito do programa em pontos percentuais! Por exemplo, se uma variável binária teria média de 10% na ausência da iniciativa, um impacto de 5 pontos percentuais representa um aumento de 50% (=5/10). na probabilidade de exportar produtos para feiras em países vizinhos logo após a capacitação em sala de aula [1];
    • houve aumento de cerca de 1,5 no número de produtos fabricados pelas empresas, um efeito que se manteve evidenciado até dois anos após a capacitação [1];
    • houve aumento na probabilidade de realizar investimentos em máquinas de costura e outros bens de capital no período mais tardio [1];
  • de forma interessante, embora os participantes tenham inicialmente adotado muitas das práticas ensinadas, abandonaram parte delas ao longo do tempo, retendo apenas aquelas que consideraram úteis e adaptando-as às suas operações. Essa seleção de práticas coincidiu com a emergência dos efeitos positivos sobre o desempenho dos negócios no médio prazo [1].

1 As empresas da amostra eram membros de três associações de confecções — TANCRAFT, HOT e ADAT — e empregavam, em média, pouco mais de 5 trabalhadores. A maioria era operada por mulheres empreendedoras. Os autores documentam que houve transbordamento de conhecimento dos participantes para o grupo de controle, o que implica que os efeitos estimados provavelmente subestimam o impacto verdadeiro do programa.

Quais as fontes da informação?

  1. Higuchi, Y., Mhede, E. P., & Sonobe, T. (2019). Short- and Medium-Run Impacts of Management Training: An Experiment in Tanzania. World Development, 114, 220-236.
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