← voltar para plataforma impacto

Programa Business Edge de Capacitação para Microempresários da International Finance Corporation em Togo

Publicado em 20/12/2022
Compartilhe:

Qual o objetivo?

Capacitar microempreendedores, com foco em países em desenvolvimento.

Onde e quando foi implementado?

O programa Business Edge, desenvolvido pela International Finance Corporation (IFC), foi implementado entre os meses de Abril e Agosto de 2014, em Lomé, Togo, no contexto de uma avaliação experimental de impacto de iniciativas de capacitação profissional (aproximadamente 1500 microempresários). Em 2017, este programa tinha sido usado em 56 países para capacitação de mais de 200.000 microempresários.

Como é o desenho?

O programa teve por foco microempresários que não atuavam no setor agrícola, que estavam em atividade no mercado há pelo menos 12 meses, tinham menos de 50 funcionários e não eram donos de empresas formalmente registradas. Os participantes foram selecionados em uma lista de donos de microempresas que tinham solicitado financiamento para um projeto financiado pelo World Bank (Banco Mundial), e pagaram uma taxa subsidiada de 10 dólares americanos (valores de 2017).

Concretamente, o programa teve 48 horas de duração e se concentrou em quatro tópicos principais, apresentados para grupos de aproximadamente 20 microempresários:

  1. gestão contábil e financeira;
  2. gestão comercial e estratégias de marketing;
  3. gestão de recursos humanos;
  4. formalização dos negócios e responsabilidade fiscal.

Os encontros de formação ocorreram em salas de conferências de hotéis em várias zonas de Lomé. As ferramentas pedagógicas usadas incluíram apresentações em PowerPoint, uma pasta de trabalho do participante incluindo noções e exemplos importantes e exercícios individuais e em grupo. Exemplos dos exercícios incluíam ajudar um empresário fictício a anotar as operações em um livro-caixa, calcular o custo total de produção e identificar fontes de problemas no atendimento ao cliente. O treinamento também envolveu discussões abertas, em grupo, sobre vantagens e desvantagens de não pagar impostos, e exercícios de incorporação de papéis, como negociar com fornecedores ou como preencher o cadastro de empresas. Todos os instrutores do programa tiveram que passar por um treinamento de 5 dias, oferecido pelo IFC.

Nas semanas seguintes aos encontros de formação, um dos profissionais responsáveis pelo treinamento visitou cada microempresa por 3 horas, 1 vez por mês, durante os 4 meses seguintes, para responder a quaisquer perguntas de acompanhamento e ajudar com a implementação dos conceitos aprendidos.

O que aprendemos com o monitoramento e a avaliação?

Foram documentadas, no artigo e seu material suplementar listados na seção abaixo, as seguintes evidências a respeito do monitoramento e do impacto causal do programa Business Edge:

  • aproximadamente 8 a cada 10 microempresários que receberam convites participaram do treinamento [1];
  • aumento de 9,7% em um indicador de qualidade das práticas empresariais utilizadas, construído com informação coletada nos 2 anos e meio seguintes à implementação – o indicador inclui dados sobre a parcela de práticas recomendadas levadas a cabo nas àreas de marketing, atendimento ao cliente, manutenção de registros e gestão financeira, gestão de operações e desempenho, busca de informações e oportunidades e gestão de recursos humanos [1];
  • aumento de 1,5% de um desvio-padrãoO desvio-padrão mede a dispersão de valores de uma variável - valores mais altos indicam maior ocorrência de valores longe da média e valores mais baixos refletem maior concentração de valores próximos à média. Para a distribuição normal, ou para distribuições razoavelmente similares a uma normal, um aumento de 10% de um desvio-padrão equivale a um efeito de 4 percentis a partir do percentil 50 - isto é, a passar da posição 50 para a posição 54, em uma fila de 100. em um indicador de iniciativa pessoal no envolvimento com negócios, construído com informação coletada nos 2 anos e meio seguintes à implementação – os dados incluem a frequência de ataque ativo a problemas, busca imediata por soluções, e autoconfiança na realização de ideias próprias [1];
  • aumento de 7% de um desvio padrão em um indicador de acesso a financiamento e instrumentos financeiros, construído com informação coletada nos 2 anos e meio seguintes à implementação, sobre a possibilidade e recebimento efetivo de empréstimos, em particular em caso de emergências ligadas ao negócio, bancarização e conexão com instituições de microcrédito [1];
  • aumento de 12% de um desvio padrão em um indicador de atividades de inovação, construído com informação coletada nos 2 anos e meio seguintes à implementação sobre a ocorrência e frequência da introdução de novos produtos ou serviços e a ocorrência e frequência de busca ativa de novas técnicas de produção, marketing ou administração [1];
  • aumento de 3% de um desvio padrão em um indicador agregado de insumos de capital e trabalho, o que sugere que o programa levou as empresas a aumentarem sua atividade, no mesmo horizonte temporal dos resultados descritos acima;
  • a despeito dos efeitos positivos descritos acima, não foram encontradas evidências de efeitos estatisticamente significantesChamam-se de estatisticamente significantes as estimativas de impacto que são distinguíveis do valor zero, após incorporada à análise as incertezas associadas à generalização para outras amostras de indivíduos. sobre lucros ou vendas, no mesmo horizonte temporal [1];
  • um programa para formação de iniciativa pessoal implementado no mesmo contexto e durante o mesmo período, também gerou efeitos positivos sobre os indicadores acima, e de magnitude maior, e aumentou em 17% o valor total de vendas e em 30% o lucro total auferido pelas microempresas [1].

De onde vem essa informação?

  1. Campos, F., Frese, M., Goldstein, M., Iacovone, L., Johnson, H. C., McKenzie, D., & Mensmann, M. (2017). Teaching Personal Initiative Beats Traditional Training in Boosting Small Business in West Africa. Science, 357(6357), 1287-1290.
  2. Campos, F., Frese, M., Goldstein, M., Iacovone, L., Johnson, H. C., McKenzie, D., & Mensmann, M. (2017). Supplementary Material: Teaching Personal Initiative Beats Traditional Training in Boosting Small Business in West Africa.

Vídeos

Estamos trabalhando para que as páginas contemplem toda a evidência documentada sobre o tema e estejam sempre atualizadas. Se você quiser sugerir algum artigo, entre em contato.