Programa de Consultoria em Gestão do Instituto Poblano para la Productividad Competitiva no México

Data de publicação: 12/05/2022

Data da última atualização: 20/10/2022

Qual o objetivo?

Expandir as competências gerenciais dos proprietários de empresas, dando-lhes acesso à consultoria subsidiada e serviços de mentoria.

Onde e quando foi implementado?

O programa de consultoria foi implementado em 2008 e 2009 pelo Instituto Poblano para la Productividad Competitiva (IPPC), no estado de Puebla, no México, no contexto de um estudo experimental de impacto de larga escala, envolvendo 432 empresas.

Como é o desenho?

O programa teve duração de 1 ano e foco em microempresas, pequenas empresas e empresas de médio porte da região, nos setores de manufatura, serviços e comércio. Conforme definição do Ministério da Economia do México, microempresas têm até 10 funcionários em tempo integral. Pequenas empresas têm entre 11 e 50 funcionários em tempo integral no setores de manufatura e de serviços e entre 11 e 30 funcionários em tempo integral no setor de comércio. Empresas de médio porte, por sua vez, têm até 100 funcionários em tempo integral nos setores de serviço e de comércio e até 250 funcionários em tempo integral no setor de manufatura.

Foram oferecidos serviços de consultoria para diagnóstico de problemas que impediam as empresas de crescer mais, sugestões de melhorias e auxílio na sua implementação. Para a seleção das 9 organizações que dariam as consultorias, foi elaborado um processo de licitação próprio. As consultorias vencedoras assinaram um contrato com a IPPC que exigia que elas gastassem 4 horas por semana com cada empresa. As microempresas pagaram apenas 10% do custo de mercado dos serviços, as pequenas empresas 20% e as médias empresas cerca de 30%. Para garantir uma boa implementação dos serviços de consultoria, o IPPC exigiu que consultores e empresas apresentassem periodicamente documentação relacionada às atividades previstas pelo programa. Além disso, os proprietários das empresas contempladas também compareceram aos escritórios do IPPC pessoalmente a cada trimestre, para pagar sua parte dos custos do programa, o que proporcionava uma oportunidade de expressar queixas e propor melhorias.

Na primeira etapa de implementação do programa, os gerentes e a maioria dos funcionários das empresas contempladas realizaram um teste computadorizado de identificação de seus pontos fortes e talentos. Este teste foi baseado no método StrengthsFinder, da Gallup. Os consultores foram treinados para ajudar às empresas a interpretar e aplicar os resultados às suas decisões de atribuir responsabilidades dentro da organização. Por exemplo, um talento era "habilidade de comunicação", enquanto outro era "operações". Os funcionários identificados pelo método como portadores do primeiro talento eram particularmente adequados para interagir com os clientes, enquanto os segundos fariam um bom trabalho se fossem alocados na manutenção de registros e contabilidade.

Nas etapas posteriores de implementação, as consultorias ofereceram serviços em tópicos como:

  1. definição clara de visão e missão da empresa e de metas específicas para o futuro;
  2. estudo da estrutura organizacional e definição clara de responsabilidades;
  3. aprimoramento da contabilidade e da manutenção de registros, por meio de treinamento ou incorporação de software;
  4. formulação ou aprimoramento da estratégia de vendas e marketing;
  5. seleção estratégica do número e da localização de pontos de venda;
  6. acesso a crédito ou soluções alternativas de financiamento;
  7. gestão de recursos humanos e aprimoramento de práticas de contratação;
  8. mediação de problemas familiares em empresas geridas por famílias;
  9. estratégias de priorização e precificação dos produtos;
  10. redução de custos pela negociação com fornecedores ou substituição dos fornecedores usuais;
  11. treinamento em trabalho em equipe e comunicação, para os funcionários, e treinamento de liderança, para gestores e donos das empresas.
O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?

Foram documentadas, nos artigos listados na seção abaixo, as seguintes evidências a respeito do monitoramento e do impacto causal da implementação do programa:

  • 8 a cada 15 empresas que receberam a oferta subsidiada dos serviços de consultoria aceitaram pagar por esses serviços nos meses subsequentes, sendo que as que o fizeram tendem a ser mais produtivas, ter mais empregados em tempo integral e mais tempo de operação no mercado [1];
  • as práticas de gestão que mais aumentaram foram esforços novos de marketing (em 29%, ou 13 pontos percentuais) e manutenção de registros formais sobre as atividades financeiras da empresa, empregando um contador ou software (em 8,9%, ou 7,6 pontos percentuais) [1];
  • não foram encontrados efeitos estatisticamente significantes sobre a taxa de empresas que registraram patentes, desenvolveram novos produtos ou atraíram novas formas de financiamento [1];
  • aumento de 20% em um indicador de espírito empreendedor, que media a confiança do empreendedor e a capacidade de estabelecer e revisar metas, no horizonte de 1 a 4 meses após o fim da implementação [1];
  • aumento de 21 a 22% de um desvio padrão em indicadores de produtividade das empresas (entre eles, o retorno sobre ativos), também no horizonte de 1 a 4 meses após o fim da implementação, embora não tenham sido encontrados efeitos estatisticamente significantes sobre vendas e número total de empregados [1, 2];
  • aumento de 10% no lucro auferido pelas empresas, ainda no horizonte de 1 a 4 meses após o fim da implementação, embora esta estimativa não seja robusta a alguns exercícios estatísticos de avaliação da qualidade da informação contida nos dados [1, 2];
  • aumento de 57% (ou 5,6 indivíduos) no número total de empregados pelas empresas, de 2010 a 2014, isto é, no período de 5 anos que se seguiram à implementação [1];
  • aumento de 72% na massa salarial total, no mesmo horizonte temporal [1].
De onde vem essa informação?
  1. Bruhn, M., Karlan, D., & Schoar, A. (2018). The Impact of Consulting Services on Small and Medium Enterprises: Evidence from a Randomized Trial in Mexico. Journal of Political Economy, 126(2), 635-687.
  2. Bruhn, M., Karlan, D., & Schoar, A. (2010). What Capital is Missing in Developing Countries?. American Economic Review, 100(2), 629-33.


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