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Projeto-Piloto para Aprimoramento da Alfabetização no Rio Grande do Sul

Publicado em 19/10/2022 Atualizado em 09/04/2024
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Qual o objetivo?

Promover práticas pedagógicas efetivas de alfabetização e letramento.

Onde e quando foi implementado?

A iniciativa foi implementada nos anos de 2007 e 2008 em 432 escolas públicas de 75 municípios do estado do Rio Grande do Sul, no Brasil.

Como é o desenho?

O projeto-piloto teve por foco alunos do 1º ano e professores das escolas participantes. O principal componente foi o treinamento dos professores alfabetizadores. Para tanto, foram convidadas três instituições para orientação em práticas pedagógicas com ênfase em diferentes vertentes da pedagogia da alfabetização e do letramento, e cada escola pôde selecionar a vertente na qual inscreveria seus professores:

  1. instrução fônica, centrada na apresentação explícita e sistemática das relações entre os sons (fonemas) e os grafemas (letras e sílabas) no início do processo de alfabetização;
  2. instrução construtivista, orientada pela ideia de que a porta de entrada para a alfabetização e o letramento é a apresentação das crianças a palavras para memorização, com papel crucial dado ao sentido e ao contexto de uso destas palavras no texto;
  3. gestão de ensino e aprendizagem, em que nenhum conjunto de práticas pedagógicas específico foi preconizado, e foi dada ênfase à meta de alfabetização de 95% das crianças ao final do 1º ano e aos potenciais ajustes pedagógicos ao longo do ano letivo que pudessem levar a alcançá-la.

As três instituições responsáveis, então, capacitaram os professores, disponibilizando material didático adequado, acompanhando o processo de ensino-aprendizagem e aplicando avaliações formativas aos alunos em diferentes momentos do ano letivo.

O que aprendemos com o monitoramento e a avaliação?

Foram documentadas, no artigo listado na seção abaixo, as seguintes evidências a respeito impacto do causal do projeto-piloto:

  • aumento de 32% de um desvio-padrãoO desvio-padrão mede a dispersão de valores de uma variável - valores mais altos indicam maior ocorrência de valores longe da média e valores mais baixos refletem maior concentração de valores próximos à média. Para a distribuição normal, ou para distribuições razoavelmente similares a uma normal, um aumento de 10% de um desvio-padrão equivale a um efeito de 4 percentis a partir do percentil 50 - isto é, a passar da posição 50 para a posição 54, em uma fila de 100. na nota escolar média de Língua Portuguesa em um exame padronizado aplicado em 2011, no 5º ano do ensino fundamental, para as escolas que optaram pela vertente do programa que enfatizava a instrução fônica [1];
  • aumento de 24% de um desvio-padrão na nota escolar média de Matemática no mesmo exame padronizado, também para as escolas que optaram pela vertente do programa que enfatizava a instrução fônica [1];
  • diminuição, ainda para as escolas que optaram pela vertente do programa que enfatizava a instrução fônica, de 17% (ou 5,2 pontos percentuaisO efeito de um programa em termos percentuais (%) é diferente do efeito do programa em pontos percentuais. Por exemplo, se uma variável binária tem média de 10%, um efeito de 5 pontos percentuais representa aumento de 50%.) na taxa escolar média de alunos que tinham repetido pelo menos um ano, e de 27% (ou 1,3 pontos percentuais) na taxa escolar média de alunos que tinham abandonado a escola pelo menos uma vez até o momento da aplicação dos exames padronizados [1];
  • não foram encontrados efeitos estatisticamente significantesChamam-se de estatisticamente significantes as estimativas de impacto que são distinguíveis do valor zero, após incorporada à análise as incertezas associadas à generalização para outras amostras de indivíduos. na nota média das escolas que optaram pela vertente do programa que enfatizava práticas de gestão e acompanhamento, ou por aquela que enfatizava a instrução construtivista [1].

De onde vem essa informação?

  1. Hirata, G., & Rocha e Oliveira, P. (2019). Lasting Effects of Promoting Literacy – Do When and How to Learn Matter?. Education Economics, 27(4), 339-357.

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