Qualificação Técnica, Socioemocional e Estágio para Jovens Vulneráveis na República Dominicana — Juventud y Empleo

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Qualificação Técnica, Socioemocional e Estágio para Jovens Vulneráveis na República Dominicana — Juventud y Empleo

Avaliação de Impacto
Publicado em 05/03/2024 Atualizado em 03/09/2026
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Qual era o objetivo?

Criar oportunidades de capacitação profissional e inserção no mercado de trabalho para jovens em situação de vulnerabilidade social, combinando qualificação técnica, formação em habilidades socioemocionais e estágio em empresas privadas.

Onde e quando?

O Programa Juventud y Empleo (PJyE) foi implementado na República Dominicana a partir de 2001, com o objetivo de melhorar a inserção de jovens em situação de vulnerabilidade no mercado de trabalho.

O programa era voltado a cidadãos dominicanos entre 16 e 29 anos, desempregados ou subempregados, sem ensino médio completo, residentes em áreas urbanas vulneráveis e de baixa renda. Em uma das avaliações, a elegibilidade também considerou renda familiar per capita de até US$120 mensais e residência em áreas classificadas como Prioridade I ou II pelo índice SIUBEN.

O esforço de divulgação alcançava comunidades por meio de anúncios em veículos com alto-falantes, rádio e contatos com igrejas e grupos comunitários.

As informações abaixo referem-se a dois estudos experimentaisOs estudos experimentais utilizam mecanismos aleatórios (isto é, sorteios) para definir quem será e quem não será contemplado por um determinado programa ou política pública, garantindo que as diferenças futuras entre estes grupos possam ser atribuídas com maior credibilidade à intervenção em si — e não a diferenças entre quem é e quem não é "tratado". do Juventud y Empleo. A primeira avaliação analisou coortes de aproximadamente 2.500 inscritos no programa em 2004. A segunda avaliação analisou a coorte de 2009, quando mais de 20.000 jovens se inscreveram, 16.373 atenderam aos requisitos e foram selecionados para o processo de aleatorização.

Em 2009, 10.397 jovens foram sorteados para o tratamento de qualificação técnica e socioemocional, 1.604 para o tratamento de qualificação socioemocional apenas, e o restante foi alocado em lista de espera ou no grupo de controle. A análise do braço de qualificação técnica e socioemocional utilizou dados de 3.087 jovens, sendo 1.638 no grupo de tratamento e 1.449 no grupo de controle, provenientes de 70 centros de treinamento, com acompanhamento realizado 12 meses e 3,5 anos após o encerramento do programa.

Como era o desenho?

O Juventud y Empleo combinava formação em sala de aula e estágio em empresas privadas, com duração total de aproximadamente quatro a seis meses, dependendo da coorte avaliada.

O componente de formação técnica era oferecido por instituições privadas de formação, denominadas Centros Operativos do Sistema (COS), credenciadas pelo Instituto Nacional de Formação Técnico-Profissional (INFOTEP). As instituições apresentavam propostas de cursos alinhadas aos objetivos do programa, e essas propostas eram avaliadas e revisadas pelo instituto nacional responsável pela formação técnica.

A formação técnica buscava responder às necessidades dos empregadores locais. Na coorte de 2009, os cursos disponíveis cobriam 49 ocupações, concentradas principalmente nos setores de comércio e serviços, com destaque para vendas, garçom/garçonete, assistente de salão de beleza, assistente farmacêutico, assistente de vendas e secretariado.

Além da qualificação técnica, o programa incorporava formação em habilidades socioemocionais e hábitos de trabalho. Na coorte de 2009, a formação em sala de aula totalizou 225 horas, divididas em 150 horas de qualificação técnica e 75 horas de habilidades socioemocionais. O módulo socioemocional abordava autoestima e autoconhecimento, comunicação, gestão de relacionamentos, planejamento de vida, qualidade e produtividade no trabalho, tomada de decisão, higiene e saúde, e resolução de conflitos.

Após a formação em sala de aula, os jovens realizavam estágio em empresas privadas. Na avaliação de 2004, o estágio tinha duração mínima de 2 meses. Na coorte de 2009, o estágio totalizava 240 horas, com supervisão e orientação profissional. Durante o estágio, os participantes recebiam auxílio para transporte e alimentação, além de cobertura básica de seguro de saúde e acidente.

O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?

Foram documentadas as seguintes evidências sobre o Juventud y Empleo:

  • aproximadamente 8 em cada 10 jovens que receberam uma vaga no Juventud y Empleo participaram das atividades de capacitação profissional na avaliação com coortes de 2004 [1];
  • na coorte de 2009, cerca de 90% dos jovens sorteados para o tratamento de qualificação técnica e socioemocional completaram a formação, enquanto a taxa de adesão no grupo de controle foi praticamente nula [2];
  • na avaliação com coortes de 2004, não foram encontradas evidências consistentes de efeitos sobre a taxa de emprego aproximadamente 1 ano após a participação no programa, e esses resultados foram imprecisamente estimadosDiz-se que um resultado estatístico é imprecisamente estimado, ou que uma estimativa é imprecisa, quando ele também é consistente com valores distantes de um valor de referência (por exemplo, 0), após incorporada à análise as incertezas associadas à generalização para outras amostras de indivíduos de uma população. [1];
  • na mesma avaliação, houve aumento de aproximadamente 10% nos salários dos jovens que estavam trabalhando cerca de 1 ano após o fim dos estágios [1];
  • há evidências qualitativas de que quase todos os estagiários foram dispensados ao fim do estágio de 2 meses, isto é, a taxa de contratação nas empresas em que realizaram o estágio foi muito próxima de zero [1];
  • na avaliação da coorte de 2009, os efeitos sobre mercado de trabalho foram positivos para mulheres no curto prazo, mas negativos para homens no mesmo horizonte, com dissipação para ambos os grupos em 3,5 anos [2];
  • entre as mulheres, houve aumento de 32%, ou 6,7 pontos percentuaisO efeito de um programa em termos percentuais (%) é diferente do efeito do programa em pontos percentuais! Por exemplo, se uma variável binária teria média de 10% na ausência da iniciativa, um impacto de 5 pontos percentuais representa um aumento de 50% (=5/10)., na taxa de emprego no horizonte de 12 meses [2];
  • entre as mulheres que trabalhavam, houve aumento de 15% nos salários e de 45%, ou 18,5 pontos percentuais, na proporção satisfeita com o trabalho no horizonte de 12 meses [2];
  • entre os homens, houve redução de 20%, ou 11,3 pontos percentuais, na taxa de emprego no horizonte de 12 meses [2];
  • em 3,5 anos, não foram encontrados efeitos estatisticamente significantesChamam-se de estatisticamente significantes as estimativas de impacto que são distinguíveis de 0, após incorporadas à análise as incertezas associadas à generalização para outras amostras de indivíduos. sobre emprego ou salários de mulheres ou homens [2];
  • o programa gerou efeitos duradouros sobre habilidades socioemocionais exclusivamente para mulheres, 3,5 anos após o encerramento do curso [2];
  • entre as mulheres, houve aumento de 0,14 desvio padrãoO desvio-padrão mede a dispersão de valores de uma variável —valores mais altos indicam ocorrência de valores longe da média e valores mais baixos refletem maior concentração de valores próximos à média. Uma forma de interpretar efeitos medidos na escala de desvios-padrão, que é usada para tornar comparáveis provas usadas em diferentes contextos, é: "A cada aumento de 10% de um desvio-padrão equivale, aproximadamente, um salto de 4 posições a partir do aluno mediano (isto é, na posição 50)". Um aumento de 30% de um desvio-padrão, por exemplo, equivaleria a passar da posição 50 para a posição 62 (isto é, 30%/10% x 4 posições). Essas aproximações se tornam menos precisas para efeitos muito grandes. no índice combinado de habilidades socioemocionais [2];
  • houve, além disso, aumento de 0,20 desvio padrão em perseverança, 0,19 em ambição, 0,15 em organização e 0,17 em comunicação entre as mulheres [2];
  • entre os homens, não foram encontrados efeitos sobre indicadores de habilidades socioemocionais [2];
  • os efeitos sobre expectativas e autoestima também foram positivos para mulheres e negativos para homens em 3,5 anos [2];
  • entre as mulheres, houve aumento de 6,6% no salário esperado para o futuro, de 7,1 pontos percentuais na proporção que esperava melhor condição de vida para os filhos e de 10,3 pontos percentuais na proporção que esperava maior riqueza relativa em 10 anos [2];
  • houve aumento de 0,15 desvio padrão na autoestima das mulheres em 3,5 anos [2];
  • entre os homens, houve redução de 6,7% no salário esperado para o futuro e de 8,3 pontos percentuais na proporção que esperava melhor condição de vida para os filhos [2];
  • entre homens empregados, houve aumento de 61%, ou 12,3 pontos percentuais, na proporção que buscava ativamente outro emprego, além de maior tendência a recusar ofertas de emprego com salários considerados baixos [2].

Em síntese, o Juventud y Empleo combinou qualificação técnica, formação socioemocional e estágio em empresas privadas para jovens vulneráveis na República Dominicana. A avaliação inicial encontrou efeitos salariais positivos entre jovens empregados, mas não evidência consistente de aumento do emprego. A avaliação posterior mostrou que os efeitos de curto prazo variaram fortemente por gênero: mulheres tiveram ganhos em emprego, salários, satisfação com o trabalho, habilidades socioemocionais, autoestima e expectativas, enquanto homens apresentaram resultados nulos ou negativos em vários indicadores. Em 3,5 anos, os efeitos sobre emprego e salários haviam se dissipado para ambos os grupos, mas os ganhos socioemocionais persistiram entre mulheres. A experiência sugere que programas de capacitação juvenil com estágio podem produzir benefícios relevantes, mas seus efeitos dependem do perfil dos participantes e podem ser muito diferentes para mulheres e homens.

Quais as fontes da informação?

  1. Card, D., Ibarrarán, P., Regalia, F., Rosas-Shady, D., & Soares, Y. (2011). The Labor Market Impacts of Youth Training in the Dominican Republic. Journal of Labor Economics, 29(2), 267-300.
  2. Acevedo, P., Cruces, G., Gertler, P., & Martinez, S. (2020). How vocational education made women better off but left men behind. Labour Economics, 65, 101824.

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