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Programa Escolar Primary School Deworming Project de Desverminação no Quênia

Publicado em 20/10/2022
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Qual o objetivo?

Combater, nas escolas, verminoses de alta prevalência, como ancilostomídeos e lombrigas.

Onde e quando foi implementado?

O programa, chamado Primary School Deworming Project (PSDP, ou "Projeto de Desverminação nas Escolas Primárias", em tradução livre), foi implementado pela ONG holandesa International Christelijk Steunfonds Africa em escolas de ensino fundamental em zonas rurais no distrito de Busia, no contexto de um estudo experimentalOs estudos experimentais utilizam mecanismos aleatórios (isto é, sorteios) para definir quem será e quem não será contemplado por um determinado programa ou política pública, garantindo que as diferenças futuras entre estes grupos possam ser atribuídas com maior credibilidade à intervenção em si - e não a diferenças entre quem é e quem não é "tratado". Quênia, entre os anos de 1998 e 2001, com a colaboração do departamento local de saúde.

Como é o desenho?

O PSDP teve dois componente principais. Em primeiro lugar, foram distribuídos, gratuitamente:

  1. tratamento vermífugo – mais especificamente, albendazol – a cada 6 meses para todas as crianças que estudavam em escolas com prevalência de vermes transmitidos pelo solo acima de 50%;
  2. praziquantel anualmente para todas as crianças em escolas com prevalência acima de 30% de esquistossomose.

Em ambos os casos, para administração das doses de vermífugos, foi requerido consentimento dos pais.

Além disso, em segundo lugar, foram fornecidas informações aos moradores sobre prevenção de verminoses, enfatizando a importância de uma boa higiene das mãos, do uso de sapatos e dos perigos de nadar em lagoas de coceira. Estas informações foram disseminadas por diversos canais, como palestras e cartazes nas escolas, com estímulo ao reforço das principais mensagens pelos professores.

O que aprendemos com o monitoramento e a avaliação?

Foram documentadas, nos artigos listados na seção abaixo, as seguintes evidências a respeito do impacto causal do programa sobre os alunos matriculados nas escolas participantes:

  • redução de 48% na taxa de alunos que tinham infecção considerada moderada ou severa com ancilóstomos, lombrigas, vermes nematelmintos ou esquistossomose, após 1 ano de implementação [1];
  • redução de 20% na taxa de alunos que reportaram estar doentes frequentemente, também após 1 ano de implementação [1];
  • redução de 50% na taxa de alunos diagnosticados com anemia e aumento de 9% de um desvio-padrão em um indicador de altura por idade, no mesmo horizonte temporal [1];
  • nenhum efeito estatisticamente significanteChamam-se de estatisticamente significantes as estimativas de impacto que são distinguíveis do valor zero, após incorporada à análise as incertezas associadas à generalização para outras amostras de indivíduos. sobre indicadores de adoção de práticas de prevenção, por exemplo, sobre o uso de sapatos [1];
  • aumento de 7% na frequência escolar [1];
  • há evidências consistentes de que os efeitos positivos descritos acima tenham subestimado os efeitos positivos totais da intervenção, dado que a vermifugação e a informação sobre prevenção afetam não somente os alunos diretamente contemplados, mas também aqueles que estudavam nas áreas próximas, em poderia ter ocorrido contaminação ou re-contaminação [1];
  • não foram encontrados efeitos estatisticamente significantes em indicadores de aprendizado no mesmo período, construídos a partir de exames padronizados em Matemática, Língua e Ciências [1];
  • a introdução de uma pequena taxa para obtenção dos vermífugos – que foram inteiramente subsidiados durante a implementação – reduziu o uso em 80%, sugerindo que subsídios externos podem ser um componente fundamental para a consolidação de seus efeitos [2];
  • aumento de 4% no número de anos totais de estudo alcançados 10 anos depois da implementação da intervenção – e estes efeitos foram maiores entre mulheres, de 6%, que também vivenciaram um aumento de 24% na taxa de aprovação em exames para entrada no ensino médio [3];
  • melhoria em indicadores de participação no mercado de trabalho, como um aumento de 46% no número de horas trabalhadas em negócios próprios (excluindo agricultura), e um aumento de 17% no número de horas totais trabalhadas durante a semana, entre os homens, ambos também 10 anos depois da implementação da intervenção [3];
  • os efeitos acima se traduziram, ainda, em melhoria de indicadores de renda do trabalho, como um aumento de 27% em salários, entre aqueles que recebiam salários, ainda 10 anos depois da implementação da intervenção [3].

De onde vem essa informação?

  1. Miguel, E., & Kremer, M. (2004). Worms: Identifying Impacts on Education and Health in the Presence of Treatment Externalities. Econometrica, 72(1), 159-217.
  2. Kremer, M., & Miguel, E. (2007). The Illusion of Sustainability. The Quarterly Journal of Economics, 122(3), 1007-1065.
  3. Baird, S., Hicks, J., Kremer, M., & Miguel, E. (2016). Worms at Work: Long-run Impacts of a Child Health Investment. The Quarterly Journal of Economics, 131(4), 1637-1680.

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