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Programa de Tutoria em Alfabetização e Letramento para Alunos com Dificuldades de Aprendizagem na Colômbia

Publicado em 25/10/2022
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Qual o objetivo?

Aprimorar a qualidade da alfabetização e do letramento de crianças que apresentavam defasagens de aprendizagem.

Onde e quando foi implementado?

O programa foi implementado em escolas públicas de Ensino Fundamental I por meio de uma parceria do poder público com a instituição não-governamental Fundación Luker e do Banco Interamericano de Desenvolvimento em Manizales, na Colômbia, nos anos de 2015 a 2017, no contexto de um estudo experimentalOs estudos experimentais utilizam mecanismos aleatórios (isto é, sorteios) para definir quem será e quem não será contemplado por um determinado programa ou política pública, garantindo que as diferenças futuras entre estes grupos possam ser atribuídas com maior credibilidade à intervenção em si - e não a diferenças entre quem é e quem não é "tratado". de impacto sobre as coortes participantes.

Como é o desenho?

O programa teve por foco alunos do 3º ano do Ensino Fundamental I que apresentavam defasagens nas habilidades de decodificação, fluência de leitura e compreensão de textos.

Os alunos participaram, no segundo semestre do ano letivo, de sessões de tutoria acadêmica de 40 minutos, fornecidas 3 vezes por semana durante o horário escolar regular por 12 (em 2015) ou 16 semanas (em 2016 e 2017), para pequenos grupos (de, no máximo, 6 alunos). Cada sessão de 40 minutos foi projetada para dedicar 20 minutos a exercícios relacionados à fluência de leitura, 10 minutos à construção de vocabulário e os outros 10 minutos a estratégias de compreensão de leitura. Tanto os tutores quanto os alunos receberam uma apostila como parte da intervenção. Durante cada aula, os tutores explicaram os objetivos das atividades de cada sessão, apresentaram exercícios e, em seguida, estimularam a prática da leitura orientada e a prática da leitura independente. As sessões utilizaram um currículo baseado em práticas pedagógicas típicas da instrução fônica, enfatizando a capacidade de identificar e manipular unidades da linguagem oral, a capacidade de reconhecer as letras e os sons que elas representam, a capacidade de usar combinações de letras que representam os sons da fala, a leitura de palavras e, por fim, a fluência na leitura de frases e parágrafos.

Para operacionalizar o programa, a ONG responsável pela implementação contratou, a cada ano, uma equipe de 15 tutores que cuidavam, cada um, de 5 grupos de alunos. Estes tutores foram selecionados após uma chamada distribuída em escolas e universidades locais, após avaliação dos currículos e de entrevistas. No início de cada ano de implementação do programa, os futuros tutores receberam uma sessão de treinamento de 8 horas. Estas sessões foram ministradas por formadores que estiveram envolvidos na concepção do material, por outros especialistas locais em leitura e por ex-tutores. Durante o período de implementação, os tutores também participaram de reuniões regulares para coaching e feedback, e foram observados durante 2 sessões in loco. O feedback recebido nessas sessões foi usado para ajustar o material usado nos tutoriais em coortes posteriores.

O que aprendemos com o monitoramento e a avaliação?

Foram documentadas, no artigo publicado e no artigo para discussão listados na seção abaixo, as seguintes evidências a respeito do monitoramento e do impacto causal do programa:

  • nos 3 anos de operação do programa, a frequência dos alunos nas sessões de tutoria se manteve entre 73 e 90% do total de sessões oferecidas [1];
  • aumento de 27% de um desvio-padrãoO desvio-padrão mede a dispersão de valores de uma variável - valores mais altos indicam maior ocorrência de valores longe da média e valores mais baixos refletem maior concentração de valores próximos à média. Para a distribuição normal, ou para distribuições razoavelmente similares a uma normal, um aumento de 10% de um desvio-padrão equivale a um efeito de 4 percentis a partir do percentil 50 - isto é, a passar da posição 50 para a posição 54, em uma fila de 100. nas notas dos alunos em um exame padronizado de alfabetização (leitura) em Língua Espanhola, aplicado ao final da implementação do programa [1];
  • aumento, em particular, de 35% de um desvio-padrão na nota da parte do exame que media o conhecimento dos sons das letras do alfabeto [1];
  • aumento de 7,8% de um desvio-padrão na nota da parte do exame que media a habilidade de decodificação e leitura de pseudopalavras, embora o resultado seja imprecisamente estimadoDiz-se que um resultado estatístico é imprecisamente estimado quando ele também é consistente com valores muito próximos ou muito distantes de um valor de referência (por exemplo, 0), após incorporada à análise as incertezas associadas à generalização para outras amostras de indivíduos de uma população. [1];
  • aumento de 16% de um desvio-padrão na nota da parte do exame que media a fluência de leitura [1];
  • não foram encontrados efeitos estatisticamente significantes na nota da parte do exame que media a capacidade de compreensão do texto lido [1];
  • também não foram encontrados efeitos estatisticamente significantes na taxa de alunos que vieram a reprovar o 3º ano [1];
  • há evidências de que, ao final da implementação do programa, os colegas de sala dos participantes aumentaram sua nota no mesmo exame em 11% de um desvio-padrão, sugerindo ter havido transbordamentoDiz-se que houve transbordamento dos efeitos de uma intervenção quando ela tem efeito sobre outros indivíduos que não foram diretamente contemplados ou afetados.dos efeitos do programa para crianças que não tinham defasagens de leitura [2];
  • aumento de 15% de um desvio-padrão nas notas dos alunos em um exame padronizado de alfabetização (leitura) em Língua Espanhola, aplicado ao final do 4º ano do Ensino Fundamental I, isto é, 1 ano após o término da implementação do programa [1];
  • aumento de 30% de um desvio-padrão na nota da parte do exame que media o conhecimento dos sons das letras do alfabeto [1];
  • aumento de 8,8% de um desvio-padrão na nota da parte do exame que media a habilidade de decodificação e leitura de pseudopalavras [1];
  • aumento de 8,3% de um desvio-padrão na nota da parte do exame que media a fluência de leitura, embora o resultado seja imprecisamente estimado [1];
  • não foram encontrados efeitos estatisticamente significantes na nota da parte do exame que media a habilidade de compreensão do texto lido, no mesmo horizonte temporal [1];
  • aumento de 8,6% de um desvio-padrão nas notas dos alunos em um exame padronizado de Matemática, aplicado ao final do 4º ano do Ensino Fundamental I, isto é, 1 ano após o término da implementação do programa, sugerindo que a melhoria em habilidades de leitura gerada pelo programa teve efeitos no aprendizado de outras matérias [1].

De onde vem essa informação?

  1. Marinelli, H. A., Berlinski, S., & Busso, M. (2021). Remedial Education: Evidence from a Sequence of Experiments in Colombia. Journal of Human Resources, 0320-10801R2.
  2. Berlinski, S. G., Busso, M., & Giannola, M. (2022). Helping Struggling Students and Benefiting all: Peer effects in Primary Education. IFS Working Paper.

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