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Implementação de Programa de Alfabetização da Early Reading Research no Reino Unido

Avaliação de Impacto
Publicado em 19/12/2025 Atualizado em 09/01/2026
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Qual era o objetivo?

Reduzir a incidência de dificuldades de leitura e melhorar o desempenho geral dos alunos em alfabetização.

Onde e quando?

A Early Reading Research (ERR) foi implementada ao longo de três anos letivos, a partir de 2001, em um distrito educacional no Reino Unido (não declarado pelos autores), no contexto de um estudo observacionalOs estudos observacionais analisam dados coletados em situações em que os pesquisadores não têm controle sobre a exposição dos indivíduos à política ou ao programa social, baseando-se na observação das associações entre variáveis em seus contextos naturais. Nesse tipo de estudo, que frequentemente recebe o nome de "experimento natural" ou "quase-experimento", diferenças entre os grupos podem ser influenciadas por fatores que limitam a capacidade de estabelecer relações causais entre o programa e resultados de interesse. Estudos observacionais se apoiam nas metodologias modernas de inferência causal para contornar esse problema, construindo contrafactuais convincentes. envolvendo 464 crianças de 25 escolas, que atendiam majoritariamente alunos de famílias de baixa renda.¹

Como era o desenho?

A ideia central do estudo foi testar a possibilidade de que habilidades constitutivas de uma boa alfabetização —em especial a consciência fonológicaA consciência fonológica é a capacidade de reconhecer e manipular os sons da fala, independentemente de sua representação escrita. Essa habilidade se manifesta em provas por meio de tarefas como subtração de fonemas de palavras, segmentação de palavras em sílabas e identificação de rimas, que exigem que crianças reconheçam e manipulem os sons nas palavras faladas. e o domínio da regra de correspondência entre fonemas e grafemas— pudessem ser ensinadas de forma sistemática no ensino regular, com a turma inteira, desde que organizadas em rotinas frequentes e altamente estruturadas.

Nesse sentido, a ERR substituiu o currículo usual de leitura e escrita por um arranjo baseado em sessões curtas, repetidas ao longo do dia, conduzidas pelo professor da própria turma. Em cada dia letivo, os alunos participaram de 3 sessões de instrução explícita em leitura, cada uma de aproximadamente 12 minutos. Essa escolha se ancorou na ideia de prática distribuída: em vez de concentrar o ensino em uma aula longa, o desenho privilegiou exposições frequentes e breves, favorecendo a consolidação gradual das habilidades na memória.

Cada sessão seguiu uma estrutura fixa, abrangendo componentes considerados essenciais à aprendizagem da leitura. Durante blocos de cerca de 2 minutos, os alunos praticaram habilidades de síntese fonêmica (combinar fonemas isolados para formar palavras) e de segmentação fonêmica (decompor palavras faladas em seus sons constituintes), sempre em atividades exclusivamente orais, sem apoio visual. Essas atividades eram seguidas de exercícios explícitos de instrução fônica, nos quais as crianças aprendiam as correspondências entre letras e sons. O currículo introduziu primeiro os fonemas mais frequentes na língua escrita e progrediu gradualmente para combinações de letras que representam um único som, respeitando critérios de utilidade e de frequência.²

Um aspecto central do desenho foi a diferenciação pedagógica na própria aula coletiva. Em vez de separar os alunos por nível, o professor organizou as tarefas em cada atividade. Assim, enquanto alunos mais avançados eram convidados a decodificar palavras mais longas ou complexas, alunos com maiores dificuldades praticavam palavras mais simples ou observavam a modelagem de tarefas mais difíceis.² As sessões eram concluídas com momentos de leitura de livros reais pelo professor, em voz alta, nos quais se explicitava como as habilidades treinadas se aplicavam à leitura de textos. Nessas atividades de leitura, o professor chamava a atenção dos alunos para palavras específicas, retomando sons e correspondências trabalhadas anteriormente, de modo a conectar o treino técnico à leitura com sentido.

Além das sessões coletivas, cada criança foi ouvida individualmente durante uma atividade de leitura, 2 a 3 vezes por semana, seguindo um protocolo padronizado. Nessas interações, os professores eram orientados a desencorajar estratégias de adivinhação baseadas em imagens ou em contexto e a reforçar o uso sistemático das habilidades de decodificação ensinadas nas sessões coletivas. Com esses testes rápidos, o progresso dos alunos em habilidades de decodificação e no reconhecimento de palavras foi monitorado semanalmente, o que permitiu ajustar o ritmo de introdução de novos conteúdos.

A implementação foi precedida por um período inicial de formação dos professores, seguido de acompanhamento contínuo. Os docentes participaram de sessões de capacitação presenciais e receberam visitas frequentes de especialistas, que observavam as aulas, registravam a fidelidade à metodologia e ofereciam feedback focado em aspectos como o ritmo das atividades, a fluência das respostas dos alunos e a explicitação das conexões entre treino fonológico, leitura e escrita.

O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?

Foram documentadas, no artigo listado na seção abaixo, as seguintes evidências:

  • houve ganhos significativos em leitura para os alunos das escolas que implementaram o ERR:
    • em particular, alunos em turmas que implementaram o modelo apresentaram crescimento 33% mais rápido do que seus pares em indicadores de leitura [1];
    • além disso, a incidência de dificuldades severas de leitura ao fim de caiu 75%, de cerca de 20% para 5% [1].
  • crianças que tinham baixos níveis iniciais de consciência fonológica se beneficiaram de forma semelhante às demais [1].
  1. As crianças foram acompanhadas desde o início do Reception até o final do Year 2. O desenho do estudo envolveu parear salas de aula por características observáveis após seleção das salas que implementariam o currículo.
  2. Concretamente, foram ensinadas 61 conexões de alta frequência entre fonemas e grafemas na língua inglesa: 26 letras e seus sons associados, 5 vogais modificadas pelo “e” na leitura em inglês, como em “rate”, e 30 combinações de letras.
  3. Por exemplo, durante um exercício de leitura de palavras com cinco fonemas, crianças com maior domínio realizavam a tarefa em voz alta, enquanto as demais acompanhavam o processo, reforçando gradualmente o reconhecimento das correspondências grafema–fonema. Esse arranjo fazia com que alunos com dificuldades estivessem expostos continuamente às habilidades que ainda iriam dominar, sem serem excluídos da atividade coletiva.

Quais as fontes da informação?

  1. Shapiro, L. R., & Solity, J. (2008). Delivering Phonological and Phonics Training Within Whole‐Class Teaching. British Journal of Educational Psychology78(4), 597-620.
Imds | Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social
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