Grupos Online de Networking Profissional para Empreendedoras em Gana
Grupos Online de Networking Profissional para Empreendedoras em Gana
Qual era o objetivo?
Expandir as redes profissionais de empreendedoras e aumentar oportunidades de colaboração empresarial para melhorar o desempenho de seus negócios.
Onde e quando?
A intervenção foi implementada entre fevereiro e junho de 2021 em Gana, por meio de uma parceria entre pesquisadores e as ONGs Women’s Empowerment & Investment Group (WEIG), Annan Capital Partners (ACP) e GUBA Foundation.
Os resultados abaixo referem-se a um estudo experimentalOs estudos experimentais utilizam mecanismos aleatórios (isto é, sorteios) para definir quem será e quem não será contemplado por um determinado programa ou política pública, garantindo que as diferenças futuras entre estes grupos possam ser atribuídas com maior credibilidade à intervenção em si — e não a diferenças entre quem é e quem não é "tratado". envolvendo 1.771 empreendedoras, selecionadas entre candidatas a um fundo de estímulo ao empreendedorismo feminino durante a pandemia de COVID-19.1
Como era o desenho?
A intervenção teve como foco empreendedoras proprietárias de microempresas voltadas ao crescimento, em setores diversos como manufatura, comércio varejista, serviços e agricultura.
O componente central da intervenção foi a criação de grupos de networking online na plataforma WhatsApp, compostos por 8 empreendedoras agrupadas por preferências de colaboração e setor de atuação.
A intervenção durou aproximadamente 16 semanas, dividida em duas rodadas. Em cada rodada, após uma chamada introdutória em grupo, as participantes eram convidadas a realizar encontros virtuais individuais semanais com cada uma das demais integrantes do grupo.
Ao final da primeira rodada, as empreendedoras eram realocadas em um novo grupo para a segunda rodada. Além disso, as participantes receberam acesso a um diretório online de empresas do grupo de tratamento e podiam solicitar conexões com potenciais colaboradoras por meio dos pesquisadores de campo.
A amostra é positivamente selecionada em relação à média das empreendedoras em Gana: 39% tinham diploma universitário, 80% possuíam negócios formalmente registrados, e as empresas tinham em média 3,5 funcionários e vendas mensais de 848 dólares.
O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?
Foram documentadas, no artigo listado na seção abaixo, as seguintes evidências de monitoramento e impacto:
- 84% das empreendedoras convidadas foram adicionadas aos grupos de WhatsApp. Um ano após a intervenção, cerca de 25% ainda mantinham contato com integrantes dos grupos [1];
- a intervenção gerou aumentos em inovação e melhoria de práticas empresariais:
- houve aumento de 31% na probabilidade de introduzir mudanças nos negócios, como novos produtos ou novas formas de marketing [1];
- houve aumento de 19% de um desvio padrãoO desvio-padrão mede a dispersão de valores de uma variável —valores mais altos indicam ocorrência de valores longe da média e valores mais baixos refletem maior concentração de valores próximos à média. Uma forma de interpretar efeitos medidos na escala de desvios-padrão, que é usada para tornar comparáveis provas usadas em diferentes contextos, é: "A cada aumento de 10% de um desvio-padrão equivale, aproximadamente, um salto de 4 posições a partir do aluno mediano (isto é, na posição 50)". Um aumento de 30% de um desvio-padrão, por exemplo, equivaleria a passar da posição 50 para a posição 62 (isto é, 30%/10% x 4 posições). Essas aproximações se tornam menos precisas para efeitos muito grandes. em um indicador agregado de práticas empresariais, impulsionado por melhorias em marketing e planejamento financeiro [1];
- a intervenção gerou aumento de 21% nos lucros mensais (ou 265 cedis ganeses, equivalentes a cerca de 53 dólares por mês). O aumento de lucros se concentrou acima do percentil 60 da distribuição [1];
- não foram encontrados efeitos sobre vendas, o que sugere que o aumento de lucros decorreu de ganhos de eficiência e redução de custos [1];
- a intervenção alterou a composição das colaborações empresariais: houve redução nas colaborações com amigos e familiares e aumento nas colaborações com membros da rede do programa [1];
- a análise de efeitos de pares revelou que empreendedoras alocadas em grupos com participantes com maior escolaridade, melhores práticas empresariais e maiores vendas e lucros na linha de base tiveram maiores melhorias em inovação, práticas e lucros. Grupos com maior diversidade de setores de atuação também geraram melhores resultados [1];
- não foram encontrados efeitos sobre ambição empresarial, autoeficácia empreendedora ou empoderamento feminino [1].2
1 A amostra foi composta por candidatas ao COVID-19 Stimulus Fund oferecido pelas ONGs parceiras. Por conta do processo de seleção, a amostra é positivamente selecionada em relação à média de empreendedoras em Gana. A idade média era de 37 anos, 56% eram casadas e 67% tinham pelo menos um filho menor de 18 anos. A aleatorização atribuiu 704 empreendedoras ao braço de networking, 608 ao braço de networking com apoio jurídico, e 436 ao grupo de controle. A taxa de resposta na pesquisa de acompanhamento, realizada 1 ano após a intervenção, foi de 86%.
2 O outro braço do estudo adicionou apoio jurídico ao componente de networking. Os resultados sobre inovação, práticas e lucros foram qualitativamente semelhantes, mas o apoio jurídico levou a uma redução de 52% na probabilidade de colaboração, possivelmente por maior seletividade na escolha de parceiros.
Quais as fontes da informação?
- Asiedu, E., Lambon-Quayefio, M., Truffa, F., & Wong, A. (2023). Female Entrepreneurship and Professional Networks. Working Paper.
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