Estudo sobre Suplementação de Vitamina A e Resiliência Climática no Bangladesh
Estudo sobre Suplementação de Vitamina A e Resiliência Climática no Bangladesh
Qual era o objetivo?
Entender o papel protetivo que a saúde preventiva pode cumprir em contextos de exposição a catástrofes climáticas.
Onde e quando?
Entre 2001 e 2007, foi realizado um estudo experimentalOs estudos experimentais utilizam mecanismos aleatórios (isto é, sorteios) para definir quem será e quem não será contemplado por um determinado programa ou política pública, garantindo que as diferenças futuras entre estes grupos possam ser atribuídas com maior credibilidade à intervenção em si — e não a diferenças entre quem é e quem não é "tratado". de suplementação nutricional com vitamina A e β-Caroteno durante a gestação e vitamina A nos primeiros meses de vida, chamado JiVitA, em áreas rurais de Gaibandha e Rangpur, no Bangladesh. Durante a realização do estudo, em março de 2005, a área foi atingida por um tornado que destruiu cerca de 7% da região.
Como era o desenho?
O estudo JiVitA envolveu, como principal componente, a suplementação nutricional semanal, com visitas domiciliares, iniciada no primeiro trimestre de gestação e mantida até 12 semanas pós-parto, com foco em mulheres casadas em idade reprodutiva (13 a 45 anos) da região. O estudo incluiu os seguintes grupos experimentais:
- vitamina A, na forma de 7.000 µg de retinol por semana;
- 42 mg de β-caroteno por semana.¹
As informações abaixo referem-se a um estudo observacionalOs estudos observacionais analisam dados coletados em situações em que os pesquisadores não têm controle sobre a exposição dos indivíduos à política ou ao programa social, baseando-se na observação das associações entre variáveis em seus contextos naturais. Nesse tipo de estudo, que frequentemente recebe o nome de "experimento natural" ou "quase-experimento", diferenças entre os grupos podem ser influenciadas por fatores que limitam a capacidade de estabelecer relações causais entre o programa e resultados de interesse. Estudos observacionais se apoiam nas metodologias modernas de inferência causal para contornar esse problema, construindo contrafactuais convincentes. baseado na reanálise dos dados experimentais e da heterogeneidade de efeitos da vitamina A para crianças de maior e de menor exposição às consequências do tornado.
O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?
Foram documentadas, no artigo listado na seção abaixo, as seguintes evidências de monitoramento e impacto:
- houve, na região direta afetada pelo tornado, uma piora generalizada em indicadores de saúde infantil:
- crianças in utero durante a ocorrência do evento registraram peso 2,9% (ou 70 gramasO efeito de um programa em termos percentuais (%) é diferente do efeito do programa em gramas! Por exemplo, um impacto de 30 gramas em bebês que, na ausência da iniciativa, teriam 3 quilos representa um aumento de 1% (=30/3000).) menor, e tiveram incidência de baixo e baixíssimo peso ao nascer 8 e 6 pontos percentuaisO efeito de um programa em termos percentuais (%) é diferente do efeito do programa em pontos percentuais! Por exemplo, se uma variável binária teria média de 10% na ausência da iniciativa, um impacto de 5 pontos percentuais representa um aumento de 50% (=5/10). (15% e 43%) maiores do que crianças que não moravam em áreas afetadas diretamente pelo tornado [1];
- não foram encontrados efeitos estatisticamente significantesChamam-se de estatisticamente significantes as estimativas de impacto que são distinguíveis de 0, após incorporadas à análise as incertezas associadas à generalização para outras amostras de indivíduos. na duração média das gestações e na taxa de prematuridade [1];
- houve reduções de 2,8% a 2,9% (ou de 35 a 37 centímetrosO efeito de um programa em termos percentuais (%) é diferente do efeito do programa medido em centímetros! Por exemplo, um impacto de 2 centímetros em uma criança que mediria 1 metro na ausência da iniciativa representa um aumento de 2% (=2/100).) em uma medida de circunferência do braço, de 1,5% a 2,6% (de 0,65 a 0,90 centímetros) no perímetro do tórax e de 0,44% a 0,69% (ou de 0,17 a ,28 centímetros) no perímetro cefálico, embora esse último resultado seja imprecisamente estimado, nos acompanhamentos futuros aos 3 e aos 6 meses [1].²
- crianças no grupo experimental que moravam na região diretamente afetada pelo tornado e que receberam suplementação com vitamina A não tiveram efeitos negativos estatisticamente significantesChamam-se de estatisticamente significantes as estimativas de impacto que são distinguíveis de 0, após incorporadas à análise as incertezas associadas à generalização para outras amostras de indivíduos. nas variáveis acima, o que demonstra um papel protetivo impressionante da vitamina A nesse contexto [1];
- os efeitos descritos acima, tanto os adversos do tornado quanto os efeitos protetivos da vitamina A, foram resultado de mudanças que ocorreram apenas para meninos [1,2,3].³
- Gestantes com cegueira noturna, avaliadas por visita domiciliar por volta de 28 semanas, receberam tratamento com 25.000 UI de vitamina A por semana, por 4 a 8 semanas, independentemente do grupo. Todas as cápsulas continham 5 UI de vitamina E para aumentar a estabilidade. Além disso, materiais educativos sobre cuidado e dieta durante a gestação foram distribuídos a todas as gestantes, independentemente de participarem do estudo.
- Houve também aumento de 48% a 55% na frequência de febre em crianças de 0 a 3 anos quando do tornado.
- Os autores interpretam esse resultado de heterogeneidade por gênero como manifestação de uma maior vulnerabilidade de meninos a choques negativos in utero.
Quais as fontes da informação?
- Gunnsteinsson, S., Molina, T., Adhvaryu, A., Christian, P., Labrique, A., Sugimoto, J., Shamin, A. A. & West Jr, K. P. (2022). Protecting Infants from Natural Disasters: The Case of Vitamin A Supplementation and a Tornado in Bangladesh. Journal of Development Economics, 158, 102914.
- Kraemer, S. (2000). The Fragile Male. British Medical Journal, 321(7276), 1609-1612.
- Pongou, R. (2013). Why is Infant Mortality Higher in Boys than in Girls? A New Hypothesis based on Preconception Environment and Evidence from a Large Sample of Twins. Demography, 50(2), 421-444.
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