Capacitação Empreendedora para Grupos de Autoajuda na Índia
Capacitação Empreendedora para Grupos de Autoajuda na Índia
Qual era o objetivo?
Formar habilidades de gestão e comercialização para que membros de grupos de autoajuda vinculados a programas de microfinanças pudessem utilizar de forma mais eficaz os recursos financeiros recebidos.
Onde e quando?
A iniciativa foi implementada no âmbito do programa de microfinanças dos Self Help Groups (SHGs), na Índia. Os resultados abaixo referem-se a um estudo observacional Os estudos observacionais analisam dados coletados em situações em que os pesquisadores não têm controle sobre a exposição dos indivíduos à política ou ao programa social, baseando-se na observação das associações entre variáveis em seus contextos naturais. Nesse tipo de estudo, que frequentemente recebe o nome de "experimento natural" ou "quase-experimento", diferenças entre os grupos podem ser influenciadas por fatores que limitam a capacidade de estabelecer relações causais entre o programa e resultados de interesse. Estudos observacionais se apoiam nas metodologias modernas de inferência causal para contornar esse problema, construindo contrafactuais convincentes. que utiliza dados de domicílios participantes de SHGs em cinco estados indianos, coletados em 2003.
Como era o desenho?
O programa de microfinanças dos Self Help Groups (SHGs) na Índia operava por meio de grupos de 10 a 20 membros, predominantemente mulheres. Nos meses iniciais, os membros poupavam e emprestavam entre si para construir disciplina de grupo. Após demonstrar estabilidade financeira por seis meses, o grupo recebia empréstimos bancários de até quatro vezes o valor acumulado em poupança.
Os SHGs eram vinculados a bancos por intermédio de instituições promotoras (SHPIs), principalmente ONGs, mas também bancos e agentes governamentais. Essas instituições realizavam o levantamento das comunidades, divulgavam o programa, alistavam participantes e, em alguns casos, organizavam capacitações.
A capacitação empresarial avaliada pelo estudo consistiu em treinamento em desenvolvimento de habilidades e em comercialização, oferecido pelas SHPIs a alguns dos grupos já participantes do programa de microfinanças. Todos os SHGs recebiam capacitação básica, e a capacitação empresarial representava um componente adicional.
O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?
Foram documentadas, no artigo listado na seção abaixo, as seguintes evidências de impacto:
- a oferta de capacitação empresarial teve efeito positivo sobre o patrimônio dos domicílios participantes:
- houve aumento nos ativos brutos dos domicílios que receberam capacitação empresarial, com uma estimativa de retorno sobre ativos de 23%, em comparação a 18% para a capacitação básica [1];
- os efeitos sobre ativos foram particularmente pronunciados quando a capacitação era oferecida por ONGs e o financiamento era feito diretamente por bancos (modelo de vinculação 2, o mais comum no programa, com cerca de três quartos dos SHGs), caso em que o retorno estimado sobre ativos chegou a 34% [1];
- não foram encontradas evidências de efeitos estatisticamente significantes Chamam-se de estatisticamente significantes as estimativas de impacto que são distinguíveis de 0, após incorporadas à análise as incertezas associadas à generalização para outras amostras de indivíduos. sobre ativos nos outros modelos de vinculação [1];
- não foram encontradas evidências de efeitos estatisticamente significantes da capacitação empresarial sobre a renda dos domicílios, em nenhum dos modelos de vinculação analisados [1].
Quais as fontes da informação?
- Swain, R. B., & Varghese, A. (2013). Microfinance ‘Plus’: The Impact of Business Training on Indian Self Help Groups. Journal of International Development, 25(1), 11–21.
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