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Capacitação em Iniciativa Pessoal para Proprietários de Pequenos Negócios em Uganda

Avaliação de Impacto
Publicado em 06/07/2026
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Qual era o objetivo?

Formar habilidades de iniciativa pessoal — comportamento autoiniciado, proativo e persistente — que pudessem apoiar proprietários de pequenos negócios na condução de seus empreendimentos.

Onde e quando?

A iniciativa foi implementada em Kampala, capital de Uganda, por pesquisadores em parceria com quatro organizações locais de apoio a micro e pequenas empresas (a Uganda Small Scale Industry Association, a Uganda Women Entrepreneurship Association, a Katwe Metal Fabricators Cluster Association e a Uganda Chamber of Commerce).

Os resultados abaixo referem-se a um estudo experimentalOs estudos experimentais utilizam mecanismos aleatórios (isto é, sorteios) para definir quem será e quem não será contemplado por um determinado programa ou política pública, garantindo que as diferenças futuras entre estes grupos possam ser atribuídas com maior credibilidade à intervenção em si — e não a diferenças entre quem é e quem não é "tratado". envolvendo 100 proprietários de pequenos negócios, com idades entre 20 e 60 anos, que operavam há pelo menos 1 ano, tinham entre 1 e 50 empregados e comando suficiente de inglês. Cerca de metade dos participantes era do sexo feminino e cerca de 80% operava no setor formal.

Os dados foram coletados em 4 ondas, antes do treinamento, logo após, de 4 a 5 meses depois e 12 meses depois da intervenção.

Como era o desenho?

O programa consistiu em um treinamento intensivo de 3 dias, baseado na teoria de regulação da ação e no modelo de facetas da iniciativa pessoal (personal initiative). A ideia central foi traduzir evidências científicas sobre a relação entre comportamentos proativos e desempenho empresarial em princípios de ação — regras práticas com base científica, compreensíveis e ajustáveis a circunstâncias específicas — e treiná-los por meio de uma abordagem de aprender fazendo.

O conteúdo foi estruturado em torno de três dimensões do comportamento de iniciativa pessoal — ser autoiniciado, ser proativo e ser persistente na superação de barreiras — aplicadas a cada etapa da sequência de ação: definição de metas, busca de informações, planejamento, monitoramento e feedback.

Para cada combinação de dimensão e etapa, o treinamento seguiu quatro passos: primeiro, a apresentação e explicação dos princípios de ação; segundo, a discussão de estudos de caso de empreendedores africanos que exemplificavam comportamentos positivos e negativos à luz dos princípios; terceiro, exercícios práticos em grupo aplicando os princípios a um caso fictício; e quarto, a aplicação dos princípios de ação ao próprio negócio do participante, com feedback do instrutor e dos colegas.

Na última metade do terceiro dia, cada participante desenvolveu um projeto pessoal para seu negócio, integrando todos os princípios de ação aprendidos: formulação de uma meta de iniciativa pessoal, reflexão sobre como e onde obter informações, elaboração de um plano e desenvolvimento de sinais para monitoramento e feedback.

Os projetos foram discutidos em pequenos grupos. Ao final, os participantes firmaram contratos de aplicação com outro empreendedor, comprometendo-se a implementar os princípios em seus negócios. A participação foi gratuita e o grupo de controle recebeu o treinamento após a última coleta de dados.

O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?

Foram documentadas as seguintes evidências sobre a capacitação em iniciativa pessoal:

  • o treinamento aumentou significativamente o comportamento de iniciativa pessoal dos participantes, com efeitos de grande magnitude:
    • o indicador agregado de iniciativa pessoal, que combina medidas de comportamento de iniciativa, de iniciativa em produtos e marketing e de superação de barreiras, apresentou tamanho de efeito de 1,53 desvios-padrão O desvio-padrão mede a dispersão de valores de uma variável —valores mais altos indicam ocorrência de valores longe da média e valores mais baixos refletem maior concentração de valores próximos à média. Uma forma de interpretar efeitos medidos na escala de desvios-padrão, que é usada para tornar comparáveis provas usadas em diferentes contextos, é: "A cada aumento de 10% de um desvio-padrão equivale, aproximadamente, um salto de 4 posições a partir do aluno mediano (isto é, na posição 50)". Um aumento de 30% de um desvio-padrão, por exemplo, equivaleria a passar da posição 50 para a posição 62 (isto é, 30%/10% x 4 posições). Essas aproximações se tornam menos precisas para efeitos muito grandes. em favor do grupo de tratamento, de 4 a 5 meses após a intervenção [1];
    • cada uma das três medidas comportamentais de iniciativa pessoal apresentou diferenças estatisticamente significantes Chamam-se de estatisticamente significantes as estimativas de impacto que são distinguíveis de 0, após incorporadas à análise as incertezas associadas à generalização para outras amostras de indivíduos. entre os grupos, com tamanhos de efeito entre 1,15 e 1,26 desvios-padrão [1];
  • em termos de desempenho dos negócios, foram encontrados efeitos positivos em todas as medidas de sucesso, no horizonte de 12 meses após a intervenção:
    • as vendas do grupo de tratamento aumentaram de 2,66 milhões para 3,39 milhões de xelins ugandenses (aumento de 27%), enquanto as vendas do grupo de controle diminuíram de 3,95 milhões para 2,81 milhões de xelins ugandenses [1];
    • o número médio de empregados por empresa no grupo de tratamento aumentou de 7,9 para 10,7 (aumento de 35%), enquanto no grupo de controle diminuiu de 6,7 para 5,0 [1];
    • os 5 empreendedores que encerraram seus negócios durante o período do estudo pertenciam integralmente ao grupo de controle;
    • nenhum empreendedor do grupo de tratamento encerrou atividades [1];
  • a análise de mediação mostrou que o aumento do comportamento de iniciativa pessoal foi integralmente responsável pelo aumento no indicador agregado de sucesso empresarial — ou seja, o efeito do treinamento sobre o sucesso dos negócios operou por meio da mudança no comportamento dos empreendedores, e não por outros canais [1];
  • a redução nas vendas e no número de empregados do grupo de controle durante o período pode estar relacionada a dois eventos negativos que afetaram a economia de Kampala nos 6 meses anteriores à última coleta de dados: uma inundação que atingiu várias partes da cidade e o fechamento temporário de áreas industriais por motivos de segurança relacionados a uma visita oficial. Observações qualitativas indicaram que empreendedores do grupo de tratamento perceberam essas circunstâncias como oportunidades — por exemplo, para mudar seus negócios para localizações melhores — enquanto empreendedores do grupo de controle tenderam a reagir de forma mais passiva [1].

Quais as fontes da informação?

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