Capacitação em Iniciativa Pessoal para Proprietários de Pequenos Negócios em Uganda
Capacitação em Iniciativa Pessoal para Proprietários de Pequenos Negócios em Uganda
Qual era o objetivo?
Formar habilidades de iniciativa pessoal — comportamento autoiniciado, proativo e persistente — que pudessem apoiar proprietários de pequenos negócios na condução de seus empreendimentos.
Onde e quando?
A iniciativa foi implementada em Kampala, capital de Uganda, por pesquisadores em parceria com quatro organizações locais de apoio a micro e pequenas empresas (a Uganda Small Scale Industry Association, a Uganda Women Entrepreneurship Association, a Katwe Metal Fabricators Cluster Association e a Uganda Chamber of Commerce).
Os resultados abaixo referem-se a um estudo experimentalOs estudos experimentais utilizam mecanismos aleatórios (isto é, sorteios) para definir quem será e quem não será contemplado por um determinado programa ou política pública, garantindo que as diferenças futuras entre estes grupos possam ser atribuídas com maior credibilidade à intervenção em si — e não a diferenças entre quem é e quem não é "tratado". envolvendo 100 proprietários de pequenos negócios, com idades entre 20 e 60 anos, que operavam há pelo menos 1 ano, tinham entre 1 e 50 empregados e comando suficiente de inglês. Cerca de metade dos participantes era do sexo feminino e cerca de 80% operava no setor formal.
Os dados foram coletados em 4 ondas, antes do treinamento, logo após, de 4 a 5 meses depois e 12 meses depois da intervenção.
Como era o desenho?
O programa consistiu em um treinamento intensivo de 3 dias, baseado na teoria de regulação da ação e no modelo de facetas da iniciativa pessoal (personal initiative). A ideia central foi traduzir evidências científicas sobre a relação entre comportamentos proativos e desempenho empresarial em princípios de ação — regras práticas com base científica, compreensíveis e ajustáveis a circunstâncias específicas — e treiná-los por meio de uma abordagem de aprender fazendo.
O conteúdo foi estruturado em torno de três dimensões do comportamento de iniciativa pessoal — ser autoiniciado, ser proativo e ser persistente na superação de barreiras — aplicadas a cada etapa da sequência de ação: definição de metas, busca de informações, planejamento, monitoramento e feedback.
Para cada combinação de dimensão e etapa, o treinamento seguiu quatro passos: primeiro, a apresentação e explicação dos princípios de ação; segundo, a discussão de estudos de caso de empreendedores africanos que exemplificavam comportamentos positivos e negativos à luz dos princípios; terceiro, exercícios práticos em grupo aplicando os princípios a um caso fictício; e quarto, a aplicação dos princípios de ação ao próprio negócio do participante, com feedback do instrutor e dos colegas.
Na última metade do terceiro dia, cada participante desenvolveu um projeto pessoal para seu negócio, integrando todos os princípios de ação aprendidos: formulação de uma meta de iniciativa pessoal, reflexão sobre como e onde obter informações, elaboração de um plano e desenvolvimento de sinais para monitoramento e feedback.
Os projetos foram discutidos em pequenos grupos. Ao final, os participantes firmaram contratos de aplicação com outro empreendedor, comprometendo-se a implementar os princípios em seus negócios. A participação foi gratuita e o grupo de controle recebeu o treinamento após a última coleta de dados.
O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?
Foram documentadas as seguintes evidências sobre a capacitação em iniciativa pessoal:
- o treinamento aumentou significativamente o comportamento de iniciativa pessoal dos participantes, com efeitos de grande magnitude:
- o indicador agregado de iniciativa pessoal, que combina medidas de comportamento de iniciativa, de iniciativa em produtos e marketing e de superação de barreiras, apresentou tamanho de efeito de 1,53 desvios-padrão O desvio-padrão mede a dispersão de valores de uma variável —valores mais altos indicam ocorrência de valores longe da média e valores mais baixos refletem maior concentração de valores próximos à média. Uma forma de interpretar efeitos medidos na escala de desvios-padrão, que é usada para tornar comparáveis provas usadas em diferentes contextos, é: "A cada aumento de 10% de um desvio-padrão equivale, aproximadamente, um salto de 4 posições a partir do aluno mediano (isto é, na posição 50)". Um aumento de 30% de um desvio-padrão, por exemplo, equivaleria a passar da posição 50 para a posição 62 (isto é, 30%/10% x 4 posições). Essas aproximações se tornam menos precisas para efeitos muito grandes. em favor do grupo de tratamento, de 4 a 5 meses após a intervenção [1];
- cada uma das três medidas comportamentais de iniciativa pessoal apresentou diferenças estatisticamente significantes Chamam-se de estatisticamente significantes as estimativas de impacto que são distinguíveis de 0, após incorporadas à análise as incertezas associadas à generalização para outras amostras de indivíduos. entre os grupos, com tamanhos de efeito entre 1,15 e 1,26 desvios-padrão [1];
- em termos de desempenho dos negócios, foram encontrados efeitos positivos em todas as medidas de sucesso, no horizonte de 12 meses após a intervenção:
- as vendas do grupo de tratamento aumentaram de 2,66 milhões para 3,39 milhões de xelins ugandenses (aumento de 27%), enquanto as vendas do grupo de controle diminuíram de 3,95 milhões para 2,81 milhões de xelins ugandenses [1];
- o número médio de empregados por empresa no grupo de tratamento aumentou de 7,9 para 10,7 (aumento de 35%), enquanto no grupo de controle diminuiu de 6,7 para 5,0 [1];
- os 5 empreendedores que encerraram seus negócios durante o período do estudo pertenciam integralmente ao grupo de controle;
- nenhum empreendedor do grupo de tratamento encerrou atividades [1];
- a análise de mediação mostrou que o aumento do comportamento de iniciativa pessoal foi integralmente responsável pelo aumento no indicador agregado de sucesso empresarial — ou seja, o efeito do treinamento sobre o sucesso dos negócios operou por meio da mudança no comportamento dos empreendedores, e não por outros canais [1];
- a redução nas vendas e no número de empregados do grupo de controle durante o período pode estar relacionada a dois eventos negativos que afetaram a economia de Kampala nos 6 meses anteriores à última coleta de dados: uma inundação que atingiu várias partes da cidade e o fechamento temporário de áreas industriais por motivos de segurança relacionados a uma visita oficial. Observações qualitativas indicaram que empreendedores do grupo de tratamento perceberam essas circunstâncias como oportunidades — por exemplo, para mudar seus negócios para localizações melhores — enquanto empreendedores do grupo de controle tenderam a reagir de forma mais passiva [1].
Quais as fontes da informação?
- Glaub, M. E., Frese, M., Fischer, S., & Hoppe, M. (2014). Increasing Personal Initiative in Small Business Managers or Owners Leads to Entrepreneurial Success: A Theory-Based Controlled Randomized Field Intervention for Evidence-Based Management. Academy of Management Learning & Education, 13(3), 354-379.
Políticas e Programas Relacionados
Capacitação Empreendedora e de Gênero para Microempreendedoras no Vietnã
Promover a igualdade de gênero e o empreendedorismo entre mulheres em situação de pobreza que conduziam pequenos negócios.
Capacitação em Gestão Financeira para Pequenos Negócios na África do Sul — Managing Money
Desenvolver habilidades em finanças e contabilidade que pudessem apoiar pequenos empreendedores na gestão mais eficiente de seus negócios.
Capacitação em Gestão Kaizen em Sala de Aula para Pequenos Fabricantes no Vietnã
Aprimorar as práticas de gestão e de produção de pequenos fabricantes em aglomerações industriais no Vietnã, por meio de formação em sala de aula.
