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Bolsas-Mérito para Meninas em Escolas do Distrito Rural de Busia no Quênia

Publicado em 10/03/2024 Atualizado em 29/05/2024
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Qual o objetivo?

Apoiar famílias de meninas com alto desempenho escolar no financiamento dos custos de sua escolarização.

Onde e quando?

As bolsas-mérito foram estabelecidas no ano de 2002, no distrito de Busia, no Quênia, com apoio da ONG holandesa International Christelijk Steunfonds Africa, e no contexto de um estudo experimentalOs estudos experimentais utilizam mecanismos aleatórios (isto é, sorteios) para definir quem será e quem não será contemplado por um determinado programa ou política pública, garantindo que as diferenças futuras entre estes grupos possam ser atribuídas com maior credibilidade à intervenção em si — e não a diferenças entre quem é e quem não é "tratado". envolvendo 127 escolas e aproximadamente 4.500 alunos.

Como é o desenho?

A ONG concedeu bolsas de estudo de 2 anos para as 15% melhores alunas do 6° ano nas escolas participantes, com base na pontuação total em exames em 5 disciplinas realizados pelo Ministério da Educação. A cada ano, o valor consistia em uma bolsa de 6,40 dólares para as mensalidades, um montante pago diretamente à escola, e 12,80 dólares para materiais escolares, pago diretamente à família. O anúncio dos vencedores ocorreu em uma cerimônia de premiação na escola realizada para alunos, pais, professores e autoridades locais.

O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?

Foram documentadas, no artigo listado na seção abaixo, as seguintes evidências a respeito do monitoramento e do impacto causal do programa sobre os alunos matriculados nas escolas participantes:

  • durante os 2 anos em que o programa esteve em operação, foram distribuídas 110 bolsas-mérito em Busia [1];
  • há evidências de que a participação dos pais na vida escolar de suas filhas tenha aumentado, com, por exemplo, idas mais frequentes às escolas [1];
  • aumento de 8,1% (ou 7 pontos percentuaisO efeito de um programa em termos percentuais (%) é diferente do efeito do programa em pontos percentuais. Por exemplo, se uma variável binária tem média de 10%, um efeito de 5 pontos percentuais representa aumento de 50%.) na frequência dos professores e aumento de 3,6% (ou 3,2 pontos percentuais) na frequência de alunas meninas, de 1 a 2 anos após a implementação das bolsas [1];
  • não foram encontradas evidências de efeitos estatisticamente significantesChamam-se de estatisticamente significantes as estimativas de impacto que são distinguíveis do valor zero, após incorporada à análise as incertezas associadas à generalização para outras amostras de indivíduos. em um indicador de motivação intrínseca com respeito à vida escolar, construído a partir de informação sobre o envolvimento com lições de casa, ir para escola, ou frequentar o contraturno escolar [1];
  • aumento de 19% a 27% de um desvio-padrãoO desvio-padrão mede a dispersão de valores de uma variável - valores mais altos indicam maior ocorrência de valores longe da média e valores mais baixos refletem maior concentração de valores próximos à média. Para a distribuição normal, ou para distribuições razoavelmente similares a uma normal, um aumento de 10% de um desvio-padrão equivale a um efeito de 4 percentis a partir do percentil 50 - isto é, a passar da posição 50 para a posição 54, em uma fila de 100. nas notas em exames padronizados de Matemática, Língua, Ciências da Natureza e Ciências Humana, no grupo de meninas, de 1 a 2 anos após a implementação das bolsas [1];
  • os efeitos acima foram particularmente pronunciados entre as meninas logo acima da mediana da distribuição de notas no início da implementação, mas também há evidências de efeitos estatisticamente significantes para aquelas que estavam abaixo da mediana [1];
  • foram encontradas também evidências de que o programa teve externalidades positivas para o grupo de garotos, para os quais houve aumento de 9% a 24% de um desvio-padrão nas notas, nos mesmos exames e horizonte temporal [1].

Quais as fontes bibliográficas dessa informação?

  1. Kremer, M., Miguel, E., & Thornton, R. (2009). Incentives to Learn. The Review of Economics and Statistics, 91(3), 437-456.

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