Abertura de Unidades da Instituição de Microcrédito Al Amana em Áreas Rurais do Marrocos
Abertura de Unidades da Instituição de Microcrédito Al Amana em Áreas Rurais do Marrocos
Qual era o objetivo?
Diminuir o peso de restrições a crédito e prover alívio da situação de pobreza para famílias em áreas rurais.
Onde e quando?
A instituição privada de microfinanças Al Amana foi criada em 2000, no Marrocos, e, em 2012, tinha 300 mil tomadores ativos de empréstimos. As informações abaixo referem-se a um estudo experimentalOs estudos experimentais utilizam mecanismos aleatórios (isto é, sorteios) para definir quem será e quem não será contemplado por um determinado programa ou política pública, garantindo que as diferenças futuras entre estes grupos possam ser atribuídas com maior credibilidade à intervenção em si — e não a diferenças entre quem é e quem não é "tratado". que envolveu 162 vilarejos em áreas rurais do país, entre 2006 e 2007.
Como era o desenho?
Durante o período, a Al Amana abriu novas unidades e ofereceu um produto de microcrédito que tinha como características:
- focalização: domicílios do meio rural com membros entre 18 e 70 anos, que já eram proprietários de um empreendimento, excluindo em atividade agrícola não-pecuária;
- valor do empréstimo e taxa de juros: de 124 a 1.855 dólares americanos a uma taxa percentual anual de 12,5% a 14,5%, incluindo juro e taxas;
- responsabilização: produto ofertado para grupos de 3 a 4 pessoas, conjuntamente responsabilizadas pelo pagamento do empréstimo;
- duração e pagamento: os empréstimos deveriam ser pagos no horizonte de 3 a 18 meses, com pagamentos semanais, quinzenais, ou mensais, a depender do valor do empréstimo;
- restrições com relação ao uso do crédito: não havia;
- colateral: não havia;
- incentivos dinâmicos: não havia;
- flexibilidade de pagamento: não havia.
O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?
Foram documentadas, no artigo listado na seção abaixo, as seguintes evidências a respeito do monitoramento e do impacto causal da expansão das unidades ofertantes de microcrédito:
- no horizonte de aproximadamente 2 anos após o início da expansão, a parcela de pessoas que tinham tomado algum tipo de empréstimo nos vilarejos em que as unidades foram abertas era 31% (ou 7,6 pontos percentuaisO efeito de um programa em termos percentuais (%) é diferente do efeito do programa em pontos percentuais! Por exemplo, se uma variável binária teria média de 10% na ausência da iniciativa, um impacto de 5 pontos percentuais representa um aumento de 50% (=5/10).) maior e o valor dos empréstimos tomados era 64% maior [1];
- embora não tenham sido encontradas evidências de efeitos estatisticamente significantesChamam-se de estatisticamente significantes as estimativas de impacto que são distinguíveis de 0, após incorporadas à análise as incertezas associadas à generalização para outras amostras de indivíduos. sobre a parcela de pessoas que tinham um emprego autônomo, parte do valor recebido como empréstimo parece ter sido usado como investimento em negócios existentes: nos vilarejos em que as unidades foram criadas, houve aumento de 9,1% no valor total dos ativos usados por empregados autônomos — na sua maioria, vacas e cabras —, no mesmo horizonte temporal dos resultados acima [1];
- aumento de 22% na renda auferida em atividades ligadas ao emprego autônomo, com redução paralela, em 6,7%, na renda obtida como salário no mercado de trabalho, o que acabou resultando em um efeito positivo, mas estatisticamente insignificante, sobre a renda total [1];
- de forma consistente com o resultado acima, não foram encontradas evidências de efeitos estatisticamente significantes sobre a renda per capita ou o consumo per capita das famílias, nem de bens duráveis nem de não duráveis, no mesmo horizonte temporal dos resultados acima [1];
- não foram encontradas evidências de que crianças, adolescentes e jovens adultos de 6 a 20 anos que moravam nessas regiões tinham chances mais altas de estarem matriculadas no sistema educacional, ainda no horizonte temporal dos resultados acima [1];
- por fim, também não foram observados efeitos estatisticamente significantes em um indicador de empoderamento feminino [1].
Quais as fontes da informação?
- Crépon, B., Devoto, F., Duflo, E., & Parienté, W. (2015). Estimating the Impact of Microcredit on Those Who Take it Up: Evidence from a Randomized Experiment in Morocco. American Economic Journal: Applied Economics, 7(1), 123-150.
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