Terapia Interpessoal em Grupo para Adolescentes com Sintomas de Depressão em Uganda — IPT-G
Terapia Interpessoal em Grupo para Adolescentes com Sintomas de Depressão em Uganda — IPT-G
Qual era o objetivo?
Reduzir sintomas de depressão e sofrimento psicológico entre adolescentes do sexo feminino, por meio de terapia interpessoal em grupo conduzida por facilitadoras da própria comunidade.
Onde e quando?
A intervenção foi implementada em áreas urbanas e periurbanas de Kampala, Uganda, por meio de clubes ELA administrados pela BRAC Uganda.
Participaram da avaliação adolescentes do sexo feminino de 13 a 19 anos que viviam em um raio de 500 metros dos clubes selecionados. As adolescentes foram avaliadas por meio da escala PHQ-8 e aquelas com pontuação igual ou superior a 10, indicativa de risco de depressão moderada ou grave, foram convidadas a participar.
Ao todo, 1.919 adolescentes de 106 comunidades vinculadas aos clubes ELA participaram da avaliação.
O levantamento inicial ocorreu entre junho e agosto de 2019. As sessões de terapia foram realizadas entre setembro e dezembro de 2019, pouco antes do início da pandemia de COVID-19. Os resultados foram acompanhados imediatamente após a intervenção, cerca de um ano depois e novamente aproximadamente dois anos e meio após a terapia.
Como era o desenho?
A intervenção consistia em 14 sessões semanais de terapia interpessoal em grupo, oferecidas nos clubes ELA.
A terapia interpessoal é uma abordagem estruturada e de duração limitada para o tratamento da depressão. O tratamento procura identificar problemas interpessoais relacionados aos sintomas depressivos — como luto, mudanças de papel, conflitos ou isolamento social — e desenvolver formas de lidar com esses problemas.
As sessões eram conduzidas por mentoras dos clubes ELA selecionadas nas próprias comunidades. Antes da intervenção, as mentoras receberam seis dias de capacitação da StrongMinds Uganda sobre depressão, aconselhamento e condução da terapia interpessoal em grupo.
Durante a implementação, supervisoras de saúde mental da StrongMinds acompanhavam as sessões, realizavam visitas programadas e não programadas, avaliavam a qualidade da implementação e ofereciam orientação às mentoras. Também eram realizadas reuniões semanais de acompanhamento e uma capacitação adicional no meio da intervenção.
O custo estimado da terapia foi de aproximadamente US$ 48 por adolescente à qual o programa foi oferecido.
A avaliação constitui um estudo experimental Os estudos experimentais utilizam mecanismos aleatórios (isto é, sorteios) para definir quem será e quem não será contemplado por um determinado programa ou política pública, garantindo que as diferenças futuras entre estes grupos possam ser atribuídas com maior credibilidade à intervenção em si — e não a diferenças entre quem é e quem não é "tratado"..
O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?
Foram documentadas as seguintes evidências¹:
- cerca de 12 meses após a intervenção, a oferta da terapia aumentou em 5,4 pontos percentuais O efeito de um programa em termos percentuais (%) é diferente do efeito do programa em pontos percentuais! Por exemplo, se uma variável binária teria média de 10% na ausência da iniciativa, um impacto de 5 pontos percentuais representa um aumento de 50% (=5/10). a proporção de adolescentes com depressão mínima segundo a escala PHQ-8, diante de 18,4% no grupo de controle [1];
- no mesmo período, a proporção sem sofrimento psicológico segundo a escala GHQ-12 também aumentou em 5,4 pontos percentuais, diante de 27,8% no grupo de controle [1];
- os dois resultados eram estatisticamente significantes Chamam-se de estatisticamente significantes as estimativas de impacto que são distinguíveis de 0, após incorporadas à análise as incertezas associadas à generalização para outras amostras de indivíduos. após a correção para múltiplos testes [1];
- as reduções nos escores contínuos de depressão e sofrimento psicológico foram pequenas e não estatisticamente significantes, indicando que os principais efeitos estavam concentrados em adolescentes próximas aos limiares usados para classificar depressão mínima [1];
- não foram encontrados efeitos sobre autoestima, resiliência ou locus de controle [1];
- no acompanhamento de aproximadamente 30 meses, os efeitos sobre depressão e sofrimento psicológico haviam desaparecido [1];
- cerca de 12 meses após a terapia, houve aumento de aproximadamente 7,5 pontos percentuais na matrícula escolar e redução de aproximadamente 2,5 pontos percentuais na incidência de casamento. Também houve redução da fecundidade desejada e aumento da disposição a adiar recompensas, mas a maior parte desses resultados não permaneceu estatisticamente significativa após a correção para múltiplos testes [1];
- no acompanhamento mais longo, não foram encontradas evidências robustas de efeitos persistentes sobre matrícula escolar, competências, gravidez, casamento, comportamento sexual, autoeficácia ou outros resultados de capital humano [1].
Em síntese, a terapia produziu melhoras modestas na saúde mental cerca de um ano após a intervenção, mas esses efeitos não se mantiveram no acompanhamento mais longo. Os efeitos sobre capital humano também foram pequenos e, em geral, não persistiram ao longo do tempo.
¹ A interpretação dos resultados deve considerar que a intervenção terminou no final de 2019, poucos meses antes da pandemia de COVID-19. O primeiro acompanhamento de médio prazo ocorreu durante um período de forte restrição econômica e fechamento prolongado das escolas em Uganda, o que pode ter afetado tanto a saúde mental das participantes quanto os resultados educacionais.
Quais as fontes da informação?
- Baird, S.; Özler, B.; Dell’Aira, C.; Parisotto, L.; Us-Salam, D. (2025). Therapy, Mental Health, and Human Capital Accumulation among Adolescent Girls in Uganda. Journal of Development Economics, 176, 103473.
