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Regularização de Títulos de Propriedade em Comunidades Urbanas de Buenos Aires

Avaliação de Impacto
Publicado em 01/07/2025 Atualizado em 08/09/2025
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Qual era o objetivo?

Diminuir os riscos associados à expropriação de moradias e aumentar a segurança institucional da população moradora.

Onde e quando?

A iniciativa foi implementada, a partir de 1984, em comunidades da periferia de Buenos Aires, na Argentina. As informações abaixo referem-se a um estudo observacionalOs estudos observacionais analisam dados coletados em situações em que os pesquisadores não têm controle sobre a exposição dos indivíduos à política ou ao programa social, baseando-se na observação das associações entre variáveis em seus contextos naturais. Nesse tipo de estudo, que frequentemente recebe o nome de "experimento natural" ou "quase-experimento", diferenças entre os grupos podem ser influenciadas por fatores que limitam a capacidade de estabelecer relações causais entre o programa e resultados de interesse. Estudos observacionais se apoiam nas metodologias modernas de inferência causal para contornar esse problema, construindo contrafactuais convincentes. que utiliza dados de cerca de 400 famílias que viviam nas áreas afetadas, entrevistadas cerca de 20 anos depois, entre 2003 e 2007.

Como era o desenho?

Com foco em comunidades urbanas na região de San Francisco Solano, que tinham se formado em 1981 após a ocupação de áreas privadas por cerca de 1.800 famílias sem-terra, o principal componente da iniciativa foi a expropriação das posses, por meio de uma lei sancionada em 1984. A transferência dos títulos de propriedade para os moradores efetivos dessas comunidades ocorreu mediante compensação financeira aos antigos proprietários.

Para receber os títulos, as condições do marco jurídico determinaram que famílias teriam que comprovar residência anterior à lei, ausência de outra propriedade e uso residencial do lote. O processo ocorreu de maneira gradual e atingiu somente parte dos integrantes das comunidades, pois alguns proprietários não aceitaram a compensação e recorreram à justiça nos anos subsequentes.

O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?

Foram documentadas, no artigo listado na seção abaixo, as seguintes evidências:

  • com a formalização das posses, as famílias afetadas passaram a gastar mais em aprimoramentos do domicílio, e houve aumentos de 37% em um índice de qualidade habitacional e de 12% na área total construída [1];
  • não foram encontradas evidências de efeitos estatisticamente significantesChamam-se de estatisticamente significantes as estimativas de impacto que são distinguíveis de 0, após incorporadas à análise as incertezas associadas à generalização para outras amostras de indivíduos. sobre o engajamento dos moradores adultos com o mercado de trabalho e a renda das famílias afetadas, ou sobre acesso a contas bancárias e instrumentos de crédito —sugerindo que o principal mecanismo mediador foi a mudança nas percepções subjetivas sobre segurança e estabilidade habitacional [1];
  • houve, também, redução na quantidade de integrantes em domicílios afetados, e a média de membros por família caiu 16% (ou em 0,95 membro), o que pode ser atribuído tanto a reduções de fecundidade quanto à menor presença de parentes da família estendida no ambiente doméstico [1];
  • em paralelo às mudanças descritas acima, houve melhorias em indicadores educacionais das crianças dos domicílios afetados pela iniciativa:
    • houve, em particular, redução de 35% (ou de 0,69 anoO efeito de um programa em termos percentuais (%) é diferente do efeito do programa em anos! Por exemplo, um impacto de 1 ano para crianças que teriam 10 anos de escolaridade na ausência da iniciativa representa um aumento de 10% (=1/10).) no número de anos de atraso escolar, quando observadas com 6 a 20 anos [1];
    • além disso, a taxa de conclusão do ensino médio mais que dobrou, chegando a 53%, com aumento de 27 pontos percentuais, para jovens afetados, quando observados com 18 a 20 anos [1].

Quais as fontes da informação?

  1. Galiani, S., & Schargrodsky, E. (2010). Property Rights for the Poor: Effects of Land Titling. Journal of Public Economics, 94(9-10), 700-729.
  2. Di Tella, R., Galiant, S., & Schargrodsky, E. (2007). The Formation of Beliefs: Evidence from the Allocation of Land Titles to Squatters. The Quarterly Journal of Economics, 122(1), 209-241.
  3. Galiani, S., & Schargrodsky, E. (2016). The Deregulation of Land Titles. Man and the Economy, 3(2), 169-188.

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