Piloto da Reforma de 1991 nos Itinerários Formativos Profissionalizantes do Ensino Médio da Suécia
Piloto da Reforma de 1991 nos Itinerários Formativos Profissionalizantes do Ensino Médio da Suécia
Qual era o objetivo?
Aumentar a qualidade da educação e dar mais flexibilidade às escolhas de itinerários formativos e de especializações durante o processo de escolarização.
Onde e quando?
O projeto-piloto foi implementado entre 1988 e 1991 na Suécia, precedendo a introdução de uma reforma a nível nacional. Os resultados abaixo referem-se a estudos observacionaisOs estudos observacionais analisam dados coletados em situações em que os pesquisadores não têm controle sobre a exposição dos indivíduos à política ou ao programa social, baseando-se na observação das associações entre variáveis em seus contextos naturais. Nesse tipo de estudo, que frequentemente recebe o nome de "experimento natural" ou "quase-experimento", diferenças entre os grupos podem ser influenciadas por fatores que limitam a capacidade de estabelecer relações causais entre o programa e resultados de interesse. Estudos observacionais se apoiam nas metodologias modernas de inferência causal para contornar esse problema, construindo contrafactuais convincentes. sobre o impacto do piloto, que utilizam dados de jovens que perseguiram itinerários profissionalizantes entre 1986 e 1991 no país, observados entre 1985 e 2010.
Como era o desenho?
O piloto e a reforma tiveram como foco alunos de itinerários formativos profissionalizantes na entrada do Ensino Médio. As mudanças foram motivadas pela ideia de que o sistema educacional deveria transmitir uma formação mais ampla, sem decisões precoces de especialização, e permitir que todos os alunos pudessem escolher trajetórias educacionais que envolvessem a entrada em uma universidade.
Foram introduzidas três mudanças principais no sistema vigente. A primeira foi o aumento da duração dos itinerários formativos profissionalizantes, de 2 para 3 anos, em algumas escolas de municípios selecionados para participar do piloto. Foi, então, dada aos alunos a possibilidade de escolher entre esses dois tipos de itinerários. A segunda mudança foi o aumento do conteúdo propriamente acadêmico do currículo educacional, reduzindo o grau de especialização da educação nessa etapa. Mais especificamente, a Língua Sueca era a única matéria acadêmica nos itinerários de 2 anos, e os itinerários de 3 anos introduziram Língua Inglesa, Ciências Sociais e a possibilidade de escolha de uma eletiva acadêmica.¹ A terceira mudança criou a possibilidade de que alunos que tinham escolhido esses itinerários pudessem realizar provas de admissão para frequentar a universidade.
O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?
Foram documentadas, nos artigos listados na seção abaixo, as seguintes evidências a respeito do monitoramento e do impacto causal do piloto:
- aumento de 35% a 38% (ou de 3,8 a 4,1 pontos percentuaisO efeito de um programa em termos percentuais (%) é diferente do efeito do programa em pontos percentuais! Por exemplo, se uma variável binária teria média de 10% na ausência da iniciativa, um impacto de 5 pontos percentuais representa um aumento de 50% (=5/10).) na taxa de evasão escolar, para alunos que ingressaram em itinerários formativos mais longos, criados pelo piloto [1];
- o efeito descrito acima foi impulsionado por efeitos pronunciados para os alunos que tinham nota média global baixa na escola antes da entrada (53% ou 8,3 pontos percentuais) e para os alunos cujos pais tinham completado um itinerário formativo profissionalizante quando estavam no Ensino Médio (44% ou 5,2 pontos percentuais) [1];
- redução de 20% na taxa de homens entre os 16 e 20 anos que cometeram crimes contra a propriedade, com pico de queda no momento em que estes estariam no terceiro ano dos itinerários, embora não tenham sido encontradas evidências de efeitos estatisticamente significantesChamam-se de estatisticamente significantes as estimativas de impacto que são distinguíveis de 0, após incorporadas à análise as incertezas associadas à generalização para outras amostras de indivíduos e estudos. na mesma taxa para crimes violentos [3];
- não foram observados efeitos estatisticamente significantes sobre as taxas de matrícula ou de conclusão do ensino superior [1];
- também não foram encontradas evidências de que a conclusão de itinerários introduzidos pelo piloto tenha tido efeito positivo sobre os rendimentos do trabalho, no horizonte de 4 a 18 anos depois da saída do Ensino Médio [1,2];
- em um horizonte temporal ainda mais longo, também não foram encontradas evidências de que a conclusão dos itinerários tenha tido um efeito protetivo sobre o emprego durante a crise de 2008 e nos anos subsequentes [2].
- Em 1988, 86% dos alunos que se matricularam nos itinerários formativos mais longos escolheram Matemática como eletiva.
Quais as fontes da informação?
- Hall, C. (2012). The Effects of Reducing Tracking in Upper Secondary School: Evidence from a Large-Scale Pilot Scheme. Journal of Human Resources, 47(1), 237-269.
- Hall, C. (2016). Does More General Education Reduce the Risk of Future Unemployment? Evidence from an Expansion of Vocational Upper Secondary Education. Economics of Education Review, 52, 251-271.
- Åslund, O., Grönqvist, H., Hall, C., & Vlachos, J. (2018). Education And Criminal Behavior: Insights from an Expansion of Upper Secondary School. Labour Economics, 52, 178-192.
Políticas e Programas Relacionados
Reforma de 1973 na Organização do Sistema Educacional da Romênia
Alinhar a educação com as necessidades econômicas e industriais do país pelo aumento da qualidade da formação técnica e profissional.
Reforma de 1999 nos Itinerários Formativos Profissionalizantes do Ensino Médio da Finlândia
Permitir que jovens que escolhessem rotas profissionalizantes no sistema educacional pudessem se candidatar a vagas em universidades.
Reforma de 1994 nos Itinerários Formativos do Ensino Médio da Noruega
Aumentar a qualidade da formação técnica e profissional e tornar mais maleáveis as escolhas de itinerários formativos e de especializações durante o ciclo básico de escolarização.