Mentoria Empresarial para Microempreendedoras em Dandora (Quênia)
Mentoria Empresarial para Microempreendedoras em Dandora (Quênia)
Qual era o objetivo?
Transmitir conhecimento localizado de empreendedoras experientes a jovens donas de microempresas para aumentar sua lucratividade.
Onde e quando?
O programa de mentoria foi conduzido em Dandora, uma área urbana densamente povoada no nordeste de Nairóbi, no Quênia, entre outubro e novembro de 2014, por pesquisadores em parceria com organizações locais. A seleção de mentoras foi feita a partir de um levantamento de 3.290 negócios na região, identificando empreendedoras com mais de 40 anos de idade e pelo menos 5 anos de experiência no mesmo negócio. Os resultados abaixo referem-se a um estudo experimental Os estudos experimentais utilizam mecanismos aleatórios (isto é, sorteios) para definir quem será e quem não será contemplado por um determinado programa ou política pública, garantindo que as diferenças futuras entre estes grupos possam ser atribuídas com maior credibilidade à intervenção em si — e não a diferenças entre quem é e quem não é "tratado". envolvendo 372 proprietárias de microempresas, acompanhadas ao longo de 17 meses.
Como era o desenho?
Cada participante do grupo de mentoria foi pareada individualmente com uma empreendedora experiente e bem-sucedida da mesma comunidade e do mesmo setor de atuação. Por exemplo, vendedoras de alimentos perecíveis foram pareadas com outras vendedoras de alimentos perecíveis, e costureiras com outras costureiras. As mentoras foram selecionadas com base em critérios de idade (acima de 40 anos), experiência (mais de 5 anos no mesmo negócio) e lucratividade.
Os encontros ocorriam semanalmente no estabelecimento da mentora, sem restrição de tempo mínimo ou de temas obrigatórios. Sugestões opcionais de pauta eram fornecidas, como discutir os desafios enfrentados pela mentorada na semana e como a mentora lidou com situações semelhantes. A mentora recebia 1.000 xelins quenianos (cerca de 10 dólares) pelo período oficial de encontros. O conteúdo das conversas variava conforme os problemas enfrentados por cada negócio, abrangendo temas como escolha de fornecedores, precificação, atração de clientes, localização e gestão de estoques.
Todas as participantes do estudo — incluindo o grupo de controle — receberam um pagamento de 4.800 xelins quenianos (cerca de 48 dólares) como incentivo à participação.
O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?
Foram documentadas, no artigo listado na seção abaixo, as seguintes evidências de monitoramento e impacto:
- 100% das mentoradas se reuniram com suas mentoras ao menos uma vez durante o período oficial do programa, e 85% haviam se encontrado com a mentora na última semana do tratamento [1];
- ao longo dos 17 meses de acompanhamento, houve aumento médio de 20% nos lucros semanais em relação ao grupo de controle [1];
- o efeito sobre lucros foi inicialmente elevado, com aumento de 61% no mês 4 e de 38% no mês 7, mas se dissipou à medida que os pares de mentoria se desfizeram: no mês 12, o efeito não era mais estatisticamente distinguível de zero [1];
- o aumento nos lucros foi gerado por redução de custos, não por aumento de receitas:
- houve aumento de 31% (ou 19 pontos percentuaisO efeito de um programa em termos percentuais (%) é diferente do efeito do programa em pontos percentuais! Por exemplo, se uma variável binária teria média de 10% na ausência da iniciativa, um impacto de 5 pontos percentuais representa um aumento de 50% (=5/10).) na probabilidade de trocar de fornecedor, compatível com a ideia de que mentoras transmitem informação localizada sobre melhores fontes de insumos [1];
- entre as mentoradas, aquelas que ainda se reuniam com suas mentoras 12 meses após o tratamento tinham lucros 55% maiores do que as que já não se reuniam, apesar de lucros médios quase idênticos na linha de base [1];
- não foram encontrados efeitos significativos sobre práticas de marketing ou propaganda, e os efeitos sobre práticas de registro contábil foram menores do que os observados no grupo que recebeu treinamento formal em sala de aula [1];
- uma análise de descontinuidade de regressão indica que não houve efeito significativo sobre os lucros das próprias mentoras, sugerindo que o benefício para as mentoradas não ocorreu às custas da lucratividade das mentoras [1].
Quais as fontes da informação?
- Brooks, W., Donovan, K., & Johnson, T. R. (2018). Mentors or Teachers? Microenterprise Training in Kenya. American Economic Journal: Applied Economics, 10(4), 196-221.
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