Formação em Liderança e Empreendedorismo Social para Jovens em Uganda — Educate! Experience
Formação em Liderança e Empreendedorismo Social para Jovens em Uganda — Educate! Experience
Qual era o objetivo?
Desenvolver habilidades de liderança e empreendedorismo social em jovens do ensino secundário, dotando-os de competências socioemocionais e empresariais para melhorar suas trajetórias educacionais e ampliar sua agência, capacidade de planejamento e preparação para oportunidades futuras.
Onde e quando?
O Educate! Experience foi desenhado e implementado pela Educate!, uma organização sem fins lucrativos com experiência na oferta de programas de empreendedorismo social e mentoria para estudantes secundaristas em Uganda, Ruanda e Quênia. O programa foi implementado durante o ano letivo de 2012–2013, nos dois últimos anos do ensino secundário, em escolas públicas, privadas e comunitárias de seis dos distritos mais populosos de Uganda: Iganga, Jinja, Kampala, Masaka, Mbarara e Mukono.1
Os resultados abaixo referem-se a um estudo experimental Os estudos experimentais utilizam mecanismos aleatórios (isto é, sorteios) para definir quem será e quem não será contemplado por um determinado programa ou política pública, garantindo que as diferenças futuras entre estes grupos possam ser atribuídas com maior credibilidade à intervenção em si — e não a diferenças entre quem é e quem não é "tratado". com aleatorização por escola, que incluiu 48 escolas e 1.942 estudantes na linha de base. Quatro anos após a intervenção, foram entrevistados 1.595 estudantes, com taxas de acompanhamento semelhantes entre os grupos de tratamento e controle.2
Como era o desenho?
O programa tinha três componentes centrais. O primeiro era um curso de liderança e empreendedorismo social com 35 aulas, ministrado em inglês por mentores jovens treinados, com sessões semanais de 80 minutos ao longo de cinco períodos letivos. O currículo dedicava duas sessões a habilidades socioemocionais para cada sessão dedicada a habilidades empresariais. Os temas incluíam liderança socialmente responsável, empreendedorismo, engajamento comunitário, pensamento crítico, criatividade, autoconfiança, comunicação e trabalho em equipe. Os estudantes também realizavam projetos individuais e em grupo, como iniciativas comunitárias e negócios.
O segundo componente consistia em mentorias individuais e em grupo, conduzidas por mentores da Educate! fora do horário de aula. As sessões individuais, de aproximadamente 15 minutos uma ou duas vezes por período letivo, focavam no desenvolvimento pessoal dos estudantes. Uma vez por período, o mentor realizava uma sessão em grupo com toda a turma.
O terceiro componente era o Clube de Desenvolvimento de Negócios, que apoiava os estudantes na concepção e gestão de projetos geradores de renda. Os membros do clube elegiam uma diretoria, escolhiam um modelo de negócio, levantavam fundos e gerenciavam o empreendimento de forma independente, com orientação do mentor. O clube era encerrado antes da formatura, e os lucros eram divididos entre os membros.
O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?
Foram documentadas, no artigo listado na seção abaixo, as seguintes evidências de impacto:
- o programa gerou ganhos duradouros em habilidades socioemocionais 4 anos após a intervenção:
- houve aumento de 14% de um desvio-padrão O desvio-padrão mede a dispersão de valores de uma variável —valores mais altos indicam ocorrência de valores longe da média e valores mais baixos refletem maior concentração de valores próximos à média. Uma forma de interpretar efeitos medidos na escala de desvios-padrão, que é usada para tornar comparáveis provas usadas em diferentes contextos, é: "A cada aumento de 10% de um desvio-padrão equivale, aproximadamente, um salto de 4 posições a partir do aluno mediano (isto é, na posição 50)". Um aumento de 30% de um desvio-padrão, por exemplo, equivaleria a passar da posição 50 para a posição 62 (isto é, 30%/10% x 4 posições). Essas aproximações se tornam menos precisas para efeitos muito grandes. em garra e perseverança, com efeitos mais expressivos entre as mulheres (19% de um desvio-padrão) [1];
- houve aumento de 12% de um desvio-padrão em plasticidade comportamental e cognitiva, com efeitos mais expressivos entre as mulheres (18% de um desvio-padrão) [1];
- houve aumento de 10% de um desvio-padrão em autoeficácia [1];
- houve aumento de 16% de um desvio-padrão em comportamento prossocial [1];
- houve aumento de 16% de um desvio-padrão em criatividade e de 18% de um desvio-padrão em persuasão [1];
- o programa teve efeitos sobre a trajetória educacional, com resultados concentrados entre as mulheres:
- houve aumento de 4,3% (ou 3,7 pontos percentuaisO efeito de um programa em termos percentuais (%) é diferente do efeito do programa em pontos percentuais! Por exemplo, se uma variável binária teria média de 10% na ausência da iniciativa, um impacto de 5 pontos percentuais representa um aumento de 50% (=5/10). ) na taxa de conclusão do ensino secundário para a amostra total e de 8,3% (ou 6,9 pontos percentuais) entre as mulheres, praticamente eliminando a diferença de gênero nesse indicador [1];
- houve aumento de 10,5% (ou 8 pontos percentuais) na taxa de matrícula ou conclusão do ensino superior entre as mulheres [1];
- houve aumento de 56% (ou 14,4 pontos percentuais) na taxa de matrícula em cursos de negócios ou áreas STEM entre as mulheres [1];
- o programa contribuiu para o adiamento da formação familiar e para comportamentos sexuais mais seguros:
- os participantes adotaram normas de gênero mais igualitárias:
- houve redução de 16% de um desvio-padrão em um índice de normas de gênero tradicionais, com efeitos mais expressivos entre as mulheres (22% de um desvio-padrão) [1];
- as mulheres participantes passaram a reivindicar mais participação nas decisões do domicílio e no mercado de trabalho, enquanto os homens participantes passaram a reconhecer o direito das mulheres a relações sexuais consentidas e ao uso de métodos contraceptivos [1];
- o programa contribuiu para a redução da aceitação social da violência por parceiro íntimo e para a redução de sua incidência:
- houve redução de 13% de um desvio-padrão na aceitação social da violência, com efeitos mais expressivos entre as mulheres (18% de um desvio-padrão) [1];
- houve redução de 18% (ou 6,1 pontos percentuais) na incidência ou ameaça de violência física reportada pelas mulheres, embora o efeito tenha sido imprecisamente estimado [1];
- as mulheres participantes formaram parcerias com indivíduos de maior renda e status social, e apresentaram melhores dinâmicas de negociação nos relacionamentos:
- houve aumento de 27% na renda dos parceiros das mulheres participantes [1];
- houve aumento de 30% (ou 11,4 pontos percentuais) na probabilidade de concordância inicial entre as mulheres e seus parceiros em conversas sobre planejamento familiar, participação feminina no mercado de trabalho e uso de preservativo, e de 31% (ou 12,9 pontos percentuais) na probabilidade de concordância com a decisão final [1].
1 À época do estudo, a Educate! havia alcançado cerca de 3.600 jovens. Hoje, a organização já atendeu aproximadamente 198 mil jovens por meio do Educate! Experience.
2 Em 2012, o custo total da intervenção foi estimado em 223 dólares por participante por ano.
Quais as fontes da informação?
- Chioda, L., Gertler, P., & Perales, N. (2023). Empowering Women: Teaching Leadership Skills to Youth in Uganda. CEDIL Research Project Paper 10. Centre of Excellence for Development Impact and Learning (CEDIL), London and Oxford.
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