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Educação Empreendedora por Programa de TV para Jovens na Tanzânia — Ruka Juu

Avaliação de Impacto
Publicado em 09/07/2026
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Qual era o objetivo?

Educar e motivar jovens em empreendedorismo, habilidades de negócios e alfabetização financeira por meio de um programa televisivo.

Onde e quando?

O programa Ruka Juu (“Jump Up”) foi produzido pela organização não governamental Femina HIP e transmitido em rede nacional de televisão na Tanzânia entre março e maio de 2011, em 11 episódios semanais.

A Femina HIP é uma plataforma multimídia voltada para jovens e comunidades em todo o país, que desde 1999 promove estilos de vida saudáveis, igualdade de gênero e, mais recentemente, empreendedorismo e alfabetização financeira.

O programa foi premiado com o segundo lugar no Pan-African Awards for Entrepreneurship in Education de 2013, em uma competição com mais de 350 iniciativas de 33 países.

Os resultados abaixo referem-se a um estudo experimentalOs estudos experimentais utilizam mecanismos aleatórios (isto é, sorteios) para definir quem será e quem não será contemplado por um determinado programa ou política pública, garantindo que as diferenças futuras entre estes grupos possam ser atribuídas com maior credibilidade à intervenção em si — e não a diferenças entre quem é e quem não é "tratado". envolvendo 2.132 alunos do último ano do ensino secundário (Form IV) de 43 escolas de Dar es Salaam, com aleatorização no nível da escola.

Como era o desenho?

O programa Ruka Juu consistiu em 11 episódios semanais construídos em torno de seis jovens empreendedores (três mulheres e três homens), recrutados em áreas semiurbanas de toda a Tanzânia para servir como modelos de inspiração para os telespectadores.

Os participantes do reality show, todos à frente de pequenos negócios próprios, competiam pelo prêmio de 5 milhões de xelins tanzanianos (cerca de US$ 3.100).

O público acompanhava cada concorrente ao longo de uma série de desafios práticos que incentivavam tanto os participantes quanto os telespectadores a refletir sobre como planejar e operar um negócio.

Os temas abordados incluíam avaliação de mercado, atendimento ao cliente, marketing, controle de registros, crédito, poupança, seguro, saúde e aparência pessoal. O programa tinha um foco particular em empoderamento feminino, com um episódio dedicado especificamente a questões de gênero.

O desenho experimental utilizou um esquema de encorajamento simétrico: as 21 escolas do grupo de tratamento foram incentivadas a assistir ao programa Ruka Juu, enquanto as 22 escolas do grupo de controle foram incentivadas a assistir a um filme de fim de semana exibido no mesmo horário. Os alunos e seus pais assinaram um contrato comprometendo-se a assistir, na medida do possível, ao programa designado. Os participantes receberam 10.000 xelins tanzanianos (cerca de US$ 7) pela participação no estudo. Essa simetria no desenho permite descartar que o incentivo econômico em si explique os efeitos observados.

O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?

Foram documentadas, no artigo listado a seguir, as seguintes evidências de monitoramento e impacto:

  • o desenho de encorajamento criou com sucesso uma diferença exógena na exposição ao programa: o grupo de tratamento acertou aproximadamente 1 desvio-padrãoO desvio-padrão mede a dispersão de valores de uma variável —valores mais altos indicam ocorrência de valores longe da média e valores mais baixos refletem maior concentração de valores próximos à média. Uma forma de interpretar efeitos medidos na escala de desvios-padrão, que é usada para tornar comparáveis provas usadas em diferentes contextos, é: "A cada aumento de 10% de um desvio-padrão equivale, aproximadamente, um salto de 4 posições a partir do aluno mediano (isto é, na posição 50)". Um aumento de 30% de um desvio-padrão, por exemplo, equivaleria a passar da posição 50 para a posição 62 (isto é, 30%/10% x 4 posições). Essas aproximações se tornam menos precisas para efeitos muito grandes. a mais em um teste incentivado sobre o conteúdo do programa Ruka Juu e reportou ter assistido, em média, a 5,7 dos 11 episódios [1];
  • no curto prazo, poucas semanas após o fim do programa, foram encontrados indícios sugestivos de que o programa aumentou o interesse dos telespectadores por empreendedorismo:
    • houve aumento de aproximadamente 25% de um desvio-padrão na probabilidade de os alunos escolherem um curso de empreendedorismo como opção preferida de formação, em medida não incentivada [1];
    • houve aumento de aproximadamente 15% de um desvio-padrão na classificação atribuída à preferência por ter um negócio próprio em relação a outras carreiras, em medida não incentivada [1];
    • para mulheres, houve aumento de aproximadamente 6 pontos percentuaisO efeito de um programa em termos percentuais (%) é diferente do efeito do programa em pontos percentuais! Por exemplo, se uma variável binária teria média de 10% na ausência da iniciativa, um impacto de 5 pontos percentuais representa um aumento de 50% (=5/10). na disposição a pagar por cursos adicionais de capacitação empresarial, em medida incentivada, embora a estimativa seja imprecisamente estimadaDiz-se que um resultado estatístico é imprecisamente estimado, ou que uma estimativa é imprecisa, quando ele também é consistente com valores distantes de um valor de referência (por exemplo, 0), após incorporada à análise as incertezas associadas à generalização para outras amostras de indivíduos de uma população.; para homens, não houve efeito [1];
  • não foram encontradas evidências de que o programa tenha transmitido conhecimentos empresariais aos telespectadores: o efeito sobre um indicador agregado de 24 questões incentivadas sobre fatos macroeconômicos, fatos empresariais, conceitos e práticas de negócios foi próximo de zero e imprecisamente estimado [1];
  • houve evidência fraca de mudança no mindset empreendedor: para mulheres, houve aumento na disposição a tomar riscos em escolhas incentivadas; para homens, não houve efeito. Não foram encontrados efeitos sobre paciência ou preferência por competição [1];
  • no longo prazo, cerca de 8 meses após o fim do programa, foram encontrados efeitos negativos sobre o desempenho escolar:
    • houve redução de aproximadamente 30% (ou 20 pontos percentuais) na parcela de alunos aprovados no exame final do ensino secundário (O-level) no grupo de tratamento [1];
    • houve aumento na taxa de faltas escolares no grupo de tratamento, com os alunos tratados sendo aproximadamente 5 pontos percentuais mais propensos a faltar à escola no dia da coleta de dados [1];
  • cerca de 2 anos após o fim do programa, em pesquisa de acompanhamento de longo prazo:
    • houve redução de aproximadamente 31% (ou 19 pontos percentuais) na probabilidade de os participantes do grupo de tratamento estarem estudando [1];
    • não foram encontradas evidências robustas de que o programa tenha causado aumento na abertura de novos negócios: o efeito estimado foi de 5,7 pontos percentuais, mas imprecisamente estimado [1];
    • não foram encontrados efeitos sobre emprego ou mobilidade geográfica [1].

Quais as fontes da informação?

  1. Bjorvatn, K., Cappelen, A. W., Helgesson Sekei, L., Sørensen, E. Ø., & Tungodden, B. (2020). Teaching Through Television: Experimental Evidence on Entrepreneurship Education in Tanzania. Management Science, 66(6), 2308-2325.
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