Formação de Habilidades Cognitivas e Socioemocionais em Estudo das Children of the National Longitudinal Survey of Youth (CNLSY/79) dos Estados Unidos

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Formação de Habilidades Cognitivas e Socioemocionais em Estudo das Children of the National Longitudinal Survey of Youth (CNLSY/79) dos Estados Unidos

Estudo estatístico
Publicado em 01/01/2026 Atualizado em 09/01/2026
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Qual era o objetivo?

Caracterizar o processo de formação de capital humano durante a infância e a adolescência e entender as melhores estratégias de mitigação dos efeitos adversos da vulnerabilidade social.

Onde e quando?

As informações abaixo referem-se a um estudo estatístico observacionalOs estudos observacionais analisam dados coletados em situações em que os pesquisadores não têm controle sobre a exposição dos indivíduos à política ou ao programa social, baseando-se na observação das associações entre variáveis em seus contextos naturais. Nesse tipo de estudo, que frequentemente recebe o nome de "experimento natural" ou "quase-experimento", diferenças entre os grupos podem ser influenciadas por fatores que limitam a capacidade de estabelecer relações causais entre o programa e resultados de interesse. Estudos observacionais se apoiam nas metodologias modernas de inferência causal para contornar esse problema, construindo contrafactuais convincentes. que utiliza dados longitudinais de uma survey aplicada a uma amostra representativa de jovens americanos a partir de 1979, o National Longitudinal Survey of Youth (NLSY/79). A pesquisa acompanhou cerca de 12.500 homens e mulheres nascidos entre 1957 e 1964, com 14 a 22 anos em 1979. A partir de 1986, todos os bebês nascidos nas famílias acompanhadas pela NSLY/79 foram testados em 8 ocasiões, a cada 2 anos desde o nascimento, o que gerou uma base de dados denominada Children of the National Longitudinal Survey of Youth (CNLSY/79). Os autores do estudo consolidaram informações sobre as famílias e as crianças ao longo dos acompanhamentos, construindo um painel de dados com uma amostra de 2.207 crianças.

Como era o desenho?

O objetivo central do estudo foi propor e estimar um modelo empírico de formação do capital humano durante a infância e a adolescência para aproximar numericamente medidas-resumo de relações entre:

  1. habilidades cognitivas e socioemocionais das crianças da amostra em diferentes fases da vida;
  2. habilidades cognitivas e socioemocionais das mães dessas crianças;¹
  3. variáveis que permitiam caracterizar o ambiente doméstico das famílias e, em particular, atividades de pais e cuidadores que fornecessem estímulos para a desenvolvimento infantil.²

No modelo proposto pelos autores, habilidades cognitivas e socioemocionais desenvolvidas até um determinado período são insumos para a formação de habilidades em períodos futuros. A esse processo, combinam-se, de forma mais ou menos produtiva, medidas sobre a qualidade do ambiente doméstico, como o capital humano da mãe, e medidas de uso do tempo e de disponibilidade de recursos materiais destinados à formação do capital humano das crianças do domicílio.

O modelo postula a existência de dois estágios de desenvolvimento na vida da criança: um correspondente ao início da primeira infância (até os 5 anos) e outro à infância plena e à adolescência (até os 14 anos). Essa divisão em estágios implica que há parâmetros distintos que governam a formação de capital humano antes e depois dos 5 anos.

A principal variável de interesse foi o total de anos de estudo das crianças da amostra quando adultas. Os principais objetivos dos exercícios de estimação foram:

  • aproximar parâmetros que caracterizavam a força das influências entre habilidades em um dado estágio da vida de uma criança, para estudar quantitativamente o grau de persistência entre essas habilidades;
  • estimar a elasticidade de substituiçãoEm modelos de formação de capital humano, a elasticidade de substituição entre investimentos e habilidades é um parâmetro que captura o quão fácil seria compensar níveis baixos na segunda variável com aumentos na primeira variável. entre investimentos e habilidades para os dois estágios descritos acima;
  • entender as consequências dos padrões identificados para a formulação de estratégias de mitigação dos efeitos de situações de desvantagem e de suas reverberações.

A estimação envolveu dois passos centrais. No primeiro, foram utilizados métodos de análise fatorial confirmatória para a formação de grupos de habilidades e para a extração de fatores latentesEm estudos de avaliação de políticas públicas e programas sociais, fatores latentes são características que não são observadas diretamente na amostra, mas que pesquisadores conseguem estimar a partir de um conjunto de respostas ou indicadores. Um fator latente funciona como um índice sintético: ele combina várias respostas observadas, atribui pesos diferentes a cada item conforme padrões encontrados nos dados e produz uma medida contínua. Esses fatores ajudam a reduzir a complexidade dos dados e a medir construtos abstratos de maneira consistente.. Na etapa subsequente, modelos estatísticos de equações simultâneas foram aplicados a esses fatores latentes, usando especificações com elasticidade de substituição constante para cada estágio de desenvolvimento.

O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?

Foram documentadas, no artigo listado na seção abaixo, as seguintes evidências:

  • os modelos estimados apontam para um conjunto rico de interações entre habilidades cognitivas e socioemocionais no ciclo de vida das crianças da amostra:
    • tanto para habilidades cognitivas quanto para habilidades não-cognitivas, estimativas de parâmetros que caracterizam a relação de influência entre os períodos apresentaram magnitude maior no segundo estágio de desenvolvimento infantil (depois dos 5) do que no primeiro estágio, o que sugere haver, sob esse aspecto de “auto-produtividade”, mais persistência no processo de formação de capital humano após a primeira infância [1];
    • habilidades socioemocionais durante o primeiro estágio têm relação estatisticamente significanteChamam-se de estatisticamente significantes as estimativas de impacto que são distinguíveis de 0, após incorporadas à análise as incertezas associadas à generalização para outras amostras de indivíduos. com habilidades cognitivas, sugerindo que a primeira infância também é marcada pela “produtividade cruzada” entre esses grupos de habilidades [1];
    • por outro lado, essa produtividade cruzada não opera no sentido inverso: foi encontrada pouca evidência de que habilidades cognitivas desempenhassem papel determinante e direto na formação de novas habilidades socioemocionais, em ambos os estágios de desenvolvimento do modelo [1].
  • a elasticidade de substituiçãoEm modelos de formação de capital humano, a elasticidade de substituição entre investimentos e habilidades é um parâmetro que captura o quão fácil seria compensar níveis baixos na segunda variável com aumentos na primeira variável. entre investimentos e habilidades cognitivas é substancialmente menor no segundo estágio, após os 5 anos, o que sugere ser mais produtivo agir sobre o problema de carências em habilidades cognitivas com mudanças no ambiente doméstico e em investimentos compensatórios durante a primeira infância [1]
  • diante da configuração de parâmetros estimados na amostra da CNSLY/79, as melhores estratégias de mitigação de efeitos de adversidades envolvem um volume relativamente maior de investimentos no primeiro do que no segundo estágio de desenvolvimento [1].
  1. O conjunto de variáveis usadas como medidas de habilidades cognitivas incluiu informações sobre a duração da gestação, peso ao nascer, indicadores de desenvolvimento sociomotor aos 1-2 e 3-4 anos, testes de vocabulário aos 3-4 e 5-6 anos e uma bateria de exames padronizados de Matemática e Língua Inglesa (leitura), aos 5-6, 7-8, …, 13-14. O conjunto de variáveis usadas como medidas de habilidades socioemocionais continha informações sobre o estado emocional da criança no parto e medidas padronizadas de comportamento baseadas em informações autorreportadas pelas mães ou cuidadoras, nessas etapas da vida.
  2. O conjunto de variáveis incluiu a frequência de eventos fora do ambiente doméstico, o número de livros, a frequência com que os pais liam aos filhos, a frequência com que os pais elogiavam e encorajavam os filhos, entre muitos outros indicadores.
  3. Em alguns dos modelos apresentados pelos autores, observou-se um padrão oposto nas habilidades socioemocionais. Nesse caso, as estimativas dos parâmetros sugerem que seria desejável concentrar os esforços na remediação socioemocional no segundo período.

Quais as fontes da informação?

  1. Cunha, F., Heckman, J. J., & Schennach, S. M. (2010). Estimating the Technology of Cognitive and Noncognitive Skill Formation. Econometrica, 78(3), 883-931.
  2. Agostinelli, F., & Wiswall, M. (2016). Identification of Dynamic Latent Factor Models: The Implications of Renormalization in a Model of Child Development. National Bureau of Economic Research Working Paper.
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