Formação de Habilidades Cognitivas e Socioemocionais em Estudo das Children of the National Longitudinal Survey of Youth (CNLSY/79) dos Estados Unidos
Formação de Habilidades Cognitivas e Socioemocionais em Estudo das Children of the National Longitudinal Survey of Youth (CNLSY/79) dos Estados Unidos
Qual era o objetivo?
Caracterizar o processo de formação de capital humano durante a infância e a adolescência e entender as melhores estratégias de mitigação dos efeitos adversos da vulnerabilidade social.
Onde e quando?
As informações abaixo referem-se a um estudo estatístico observacionalOs estudos observacionais analisam dados coletados em situações em que os pesquisadores não têm controle sobre a exposição dos indivíduos à política ou ao programa social, baseando-se na observação das associações entre variáveis em seus contextos naturais. Nesse tipo de estudo, que frequentemente recebe o nome de "experimento natural" ou "quase-experimento", diferenças entre os grupos podem ser influenciadas por fatores que limitam a capacidade de estabelecer relações causais entre o programa e resultados de interesse. Estudos observacionais se apoiam nas metodologias modernas de inferência causal para contornar esse problema, construindo contrafactuais convincentes. que utiliza dados longitudinais de uma survey aplicada a uma amostra representativa de jovens americanos a partir de 1979, o National Longitudinal Survey of Youth (NLSY/79). A pesquisa acompanhou cerca de 12.500 homens e mulheres nascidos entre 1957 e 1964, com 14 a 22 anos em 1979. A partir de 1986, todos os bebês nascidos nas famílias acompanhadas pela NSLY/79 foram testados em 8 ocasiões, a cada 2 anos desde o nascimento, o que gerou uma base de dados denominada Children of the National Longitudinal Survey of Youth (CNLSY/79). Os autores do estudo consolidaram informações sobre as famílias e as crianças ao longo dos acompanhamentos, construindo um painel de dados com uma amostra de 2.207 crianças.
Como era o desenho?
O objetivo central do estudo foi propor e estimar um modelo empírico de formação do capital humano durante a infância e a adolescência para aproximar numericamente medidas-resumo de relações entre:
- habilidades cognitivas e socioemocionais das crianças da amostra em diferentes fases da vida;
- habilidades cognitivas e socioemocionais das mães dessas crianças;¹
- variáveis que permitiam caracterizar o ambiente doméstico das famílias e, em particular, atividades de pais e cuidadores que fornecessem estímulos para a desenvolvimento infantil.²
No modelo proposto pelos autores, habilidades cognitivas e socioemocionais desenvolvidas até um determinado período são insumos para a formação de habilidades em períodos futuros. A esse processo, combinam-se, de forma mais ou menos produtiva, medidas sobre a qualidade do ambiente doméstico, como o capital humano da mãe, e medidas de uso do tempo e de disponibilidade de recursos materiais destinados à formação do capital humano das crianças do domicílio.
O modelo postula a existência de dois estágios de desenvolvimento na vida da criança: um correspondente ao início da primeira infância (até os 5 anos) e outro à infância plena e à adolescência (até os 14 anos). Essa divisão em estágios implica que há parâmetros distintos que governam a formação de capital humano antes e depois dos 5 anos.
A principal variável de interesse foi o total de anos de estudo das crianças da amostra quando adultas. Os principais objetivos dos exercícios de estimação foram:
- aproximar parâmetros que caracterizavam a força das influências entre habilidades em um dado estágio da vida de uma criança, para estudar quantitativamente o grau de persistência entre essas habilidades;
- estimar a elasticidade de substituiçãoEm modelos de formação de capital humano, a elasticidade de substituição entre investimentos e habilidades é um parâmetro que captura o quão fácil seria compensar níveis baixos na segunda variável com aumentos na primeira variável. entre investimentos e habilidades para os dois estágios descritos acima;
- entender as consequências dos padrões identificados para a formulação de estratégias de mitigação dos efeitos de situações de desvantagem e de suas reverberações.
A estimação envolveu dois passos centrais. No primeiro, foram utilizados métodos de análise fatorial confirmatória para a formação de grupos de habilidades e para a extração de fatores latentesEm estudos de avaliação de políticas públicas e programas sociais, fatores latentes são características que não são observadas diretamente na amostra, mas que pesquisadores conseguem estimar a partir de um conjunto de respostas ou indicadores. Um fator latente funciona como um índice sintético: ele combina várias respostas observadas, atribui pesos diferentes a cada item conforme padrões encontrados nos dados e produz uma medida contínua. Esses fatores ajudam a reduzir a complexidade dos dados e a medir construtos abstratos de maneira consistente.. Na etapa subsequente, modelos estatísticos de equações simultâneas foram aplicados a esses fatores latentes, usando especificações com elasticidade de substituição constante para cada estágio de desenvolvimento.
O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?
Foram documentadas, no artigo listado na seção abaixo, as seguintes evidências:
- os modelos estimados apontam para um conjunto rico de interações entre habilidades cognitivas e socioemocionais no ciclo de vida das crianças da amostra:
- tanto para habilidades cognitivas quanto para habilidades não-cognitivas, estimativas de parâmetros que caracterizam a relação de influência entre os períodos apresentaram magnitude maior no segundo estágio de desenvolvimento infantil (depois dos 5) do que no primeiro estágio, o que sugere haver, sob esse aspecto de “auto-produtividade”, mais persistência no processo de formação de capital humano após a primeira infância [1];
- habilidades socioemocionais durante o primeiro estágio têm relação estatisticamente significanteChamam-se de estatisticamente significantes as estimativas de impacto que são distinguíveis de 0, após incorporadas à análise as incertezas associadas à generalização para outras amostras de indivíduos. com habilidades cognitivas, sugerindo que a primeira infância também é marcada pela “produtividade cruzada” entre esses grupos de habilidades [1];
- por outro lado, essa produtividade cruzada não opera no sentido inverso: foi encontrada pouca evidência de que habilidades cognitivas desempenhassem papel determinante e direto na formação de novas habilidades socioemocionais, em ambos os estágios de desenvolvimento do modelo [1].
- a elasticidade de substituiçãoEm modelos de formação de capital humano, a elasticidade de substituição entre investimentos e habilidades é um parâmetro que captura o quão fácil seria compensar níveis baixos na segunda variável com aumentos na primeira variável. entre investimentos e habilidades cognitivas é substancialmente menor no segundo estágio, após os 5 anos, o que sugere ser mais produtivo agir sobre o problema de carências em habilidades cognitivas com mudanças no ambiente doméstico e em investimentos compensatórios durante a primeira infância [1];³
- diante da configuração de parâmetros estimados na amostra da CNSLY/79, as melhores estratégias de mitigação de efeitos de adversidades envolvem um volume relativamente maior de investimentos no primeiro do que no segundo estágio de desenvolvimento [1].
- O conjunto de variáveis usadas como medidas de habilidades cognitivas incluiu informações sobre a duração da gestação, peso ao nascer, indicadores de desenvolvimento sociomotor aos 1-2 e 3-4 anos, testes de vocabulário aos 3-4 e 5-6 anos e uma bateria de exames padronizados de Matemática e Língua Inglesa (leitura), aos 5-6, 7-8, …, 13-14. O conjunto de variáveis usadas como medidas de habilidades socioemocionais continha informações sobre o estado emocional da criança no parto e medidas padronizadas de comportamento baseadas em informações autorreportadas pelas mães ou cuidadoras, nessas etapas da vida.
- O conjunto de variáveis incluiu a frequência de eventos fora do ambiente doméstico, o número de livros, a frequência com que os pais liam aos filhos, a frequência com que os pais elogiavam e encorajavam os filhos, entre muitos outros indicadores.
- Em alguns dos modelos apresentados pelos autores, observou-se um padrão oposto nas habilidades socioemocionais. Nesse caso, as estimativas dos parâmetros sugerem que seria desejável concentrar os esforços na remediação socioemocional no segundo período.
Quais as fontes da informação?
- Cunha, F., Heckman, J. J., & Schennach, S. M. (2010). Estimating the Technology of Cognitive and Noncognitive Skill Formation. Econometrica, 78(3), 883-931.
- Agostinelli, F., & Wiswall, M. (2016). Identification of Dynamic Latent Factor Models: The Implications of Renormalization in a Model of Child Development. National Bureau of Economic Research Working Paper.
Políticas e Programas Relacionados
Programa Promoting Alternative Thinking Strategies (PATHS) em Zurique
Transmitir estratégias de tomada de decisão e habilidades de autorregulação para crianças.
Implementação do Programa Ensino Integral no Ensino Médio de São Paulo
Formar jovens autônomos, solidários e competentes por meio da construção de um modelo de escola que seja um espaço de realização de potencialidades pessoais e sociais.
Informação sobre os Retornos da Educação em Madagascar
Aumentar as taxas de progressão e o aprendizado das crianças em idade escolar.