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Colocação Profissional e Apoio para Trabalhadores Acidentados em Hong Kong, China

Avaliação de Impacto
Publicado em 11/06/2026
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Qual era o objetivo?

Auxiliar trabalhadores com lesões musculoesqueléticas relacionadas ao trabalho a retornar ao emprego competitivo por meio de colocação profissional assistida e apoio individualizado.

Onde e quando?

O programa de colocação profissional e apoio (job placement and support) foi implementado pelo Hong Kong Workers’ Health Center, uma organização não governamental que oferece serviços de apoio a trabalhadores acidentados, em parceria com o Department of Rehabilitation Sciences da Hong Kong Polytechnic University.

Os resultados abaixo referem-se a um estudo experimental Os estudos experimentais utilizam mecanismos aleatórios (isto é, sorteios) para definir quem será e quem não será contemplado por um determinado programa ou política pública, garantindo que as diferenças futuras entre estes grupos possam ser atribuídas com maior credibilidade à intervenção em si — e não a diferenças entre quem é e quem não é "tratado". que utiliza dados de 63 trabalhadores com lesões musculoesqueléticas relacionadas ao trabalho, em licença médica por mais de 6 meses, que já haviam concluído um programa prévio de 3 semanas de preparação para o trabalho (Training on Work Readiness). Os participantes foram aleatoriamente designados ao grupo de colocação profissional com apoio (PS, n=32) ou ao grupo de autocolocação (SP, n=31), com avaliação pré e pós-intervenção e acompanhamento do retorno ao trabalho 3 semanas após o programa.

Como era o desenho?

O programa teve duração de 3 semanas e foi baseado na abordagem de gestão de caso (case management). Cada participante do grupo de colocação profissional com apoio foi designado a um dos cinco gestores de caso com experiência em aconselhamento vocacional. O programa incluiu quatro componentes principais.

O primeiro componente consistiu em uma entrevista individual de aproximadamente 1 hora, na qual o gestor de caso reuniu informações sobre histórico médico, histórico profissional, capacidades funcionais, habilidades adicionais, formação acadêmica e preferências de emprego.

O segundo componente foi uma sessão de aconselhamento vocacional de 1 hora, na qual o gestor de caso auxiliou o participante a formular um plano de ação concreto, estabelecer metas realistas compatíveis com seus interesses e capacidades funcionais, e identificar barreiras para o retorno ao trabalho.

O terceiro componente consistiu em duas sessões adicionais de aconselhamento, focadas em preparação para entrevistas, pontualidade e habilidades de apresentação. Além das sessões individuais, foram realizadas sessões em grupo sobre preparação para o emprego, incluindo informações sobre o mercado de trabalho local, métodos de busca de emprego, preparação de currículo e preenchimento de formulários de candidatura, com demonstrações em vídeo, dramatizações e orientação dos gestores de caso.

O quarto componente foi a colocação assistida. Nas semanas seguintes, os gestores de caso auxiliaram os participantes na busca de vagas adequadas por meio de jornais, anúncios na internet e vagas do Labour Department. Também realizaram contato inicial com empregadores e, quando necessário, acompanharam os participantes em entrevistas e apoiaram a negociação de condições de trabalho. Após a obtenção do emprego, os gestores de caso puderam oferecer apoio na adaptação ao novo ambiente de trabalho por meio de contatos telefônicos, visitas ao local de trabalho e suporte psicológico.

O tempo médio de contato por participante no programa foi de 4 a 5 horas.

Os participantes do grupo de comparação foram encaminhados ao Workers’ Health Center, onde receberam orientação para buscar empregos por meio de sites do Labour Department ou de jornais — o procedimento padrão de encaminhamento para trabalhadores em busca de emprego.

O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?

Foram documentadas, no artigo listado na seção abaixo, as seguintes evidências de impacto:

  • a taxa de retorno ao trabalho foi maior no grupo de colocação profissional com apoio: 73,1% dos participantes desse grupo retornaram ao trabalho, contra 51,6% no grupo de autocolocação [1];
  • a diferença de 21,5 pontos percentuais O efeito de um programa em termos percentuais (%) é diferente do efeito do programa em pontos percentuais! Por exemplo, se uma variável binária teria média de 10% na ausência da iniciativa, um impacto de 5 pontos percentuais representa um aumento de 50% (=5/10). na taxa de retorno ao trabalho foi estatisticamente significativa Chamam-se de estatisticamente significantes as estimativas de impacto que são distinguíveis de 0, após incorporadas à análise as incertezas associadas à generalização para outras amostras de indivíduos. [1];
  • não foram encontradas evidências de diferenças estatisticamente significantes na média de horas trabalhadas por semana entre os grupos: 33,9 horas no grupo de colocação com apoio e 32,2 horas no grupo de autocolocação [1];
  • também não houve diferença estatisticamente significativa no número de empregos obtidos durante o período de acompanhamento [1];
  • a renda mensal média foi maior no grupo de colocação profissional com apoio — 4.468 dólares de Hong Kong, contra 2.958 dólares de Hong Kong no grupo de autocolocação —, mas essa diferença não foi estatisticamente significativa [1];
  • os participantes do grupo de colocação profissional com apoio apresentaram melhora relativa nos níveis de ansiedade, medidos pela escala C-STAI: enquanto a pontuação do grupo de intervenção diminuiu, a do grupo de autocolocação aumentou ao longo do período [1];
  • houve melhora relativa na qualidade de vida relacionada à saúde, medida pelo SF-36: a pontuação aumentou no grupo de colocação com apoio e diminuiu no grupo de autocolocação [1];
  • houve melhora relativa na prontidão para o trabalho na dimensão de ação da escala C-LASER: a pontuação aumentou no grupo de colocação com apoio e diminuiu no grupo de autocolocação [1];
  • cerca de 27% dos trabalhadores do grupo de colocação profissional com apoio permaneceram desempregados após o programa;
  • os autores reportam que a maioria desses trabalhadores estava envolvida em litígios de compensação trabalhista, o que pode ter dificultado o retorno ao trabalho [1];
  • o estudo não acompanha os participantes por tempo suficiente para avaliar se os empregos obtidos foram mantidos no médio ou longo prazo [1].

Quais as fontes da informação?

  1. Li-Tsang, C. W. P., Li, E. J. Q., Lam, C. S., Hui, K. Y. L., & Chan, C. C. H. (2008). The Effect of a Job Placement and Support Program for Workers with Musculoskeletal Injuries: A Randomized Control Trial (RCT) Study. Journal of Occupational Rehabilitation, 18(3), 299-306.