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Capacitação Geral e Assistência Técnica para Microempreendedoras em Lima

Avaliação de Impacto
Publicado em 07/07/2026
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Qual era o objetivo?

Capacitar microempreendedoras em boas práticas empresariais e oferecer assistência técnica individualizada para o aprimoramento de seus negócios.

Onde e quando?

A intervenção foi implementada entre 2009 e 2010 em quatro distritos de Lima Metropolitana (Comas, Independencia, Villa El Salvador e San Juan de Miraflores), no contexto de um programa de serviços de desenvolvimento empresarial (BDS) apoiado pelo Banco Mundial e pela UNIFEM, voltado ao empoderamento econômico de mulheres.

A implementação ficou a cargo de um consórcio de três organizações com ampla experiência em capacitação profissional para adultos: CAPLAB, CELATS e INPET.

Os resultados abaixo referem-se a um estudo experimentalOs estudos experimentais utilizam mecanismos aleatórios (isto é, sorteios) para definir quem será e quem não será contemplado por um determinado programa ou política pública, garantindo que as diferenças futuras entre estes grupos possam ser atribuídas com maior credibilidade à intervenção em si — e não a diferenças entre quem é e quem não é "tratado". envolvendo 1.979 microempreendedoras elegíveis, recrutadas em 34 zonas dos quatro distritos, com aleatorização no nível individual, estratificada por características socioeconômicas e zona de residência.

Como era o desenho?

A intervenção combinou dois componentes. O primeiro foi um curso intensivo de formação geral idêntico ao oferecido ao outro grupo de tratamento: 36 sessões de 3 horas, três vezes por semana ao longo de 3 meses, totalizando 108 horas, com módulos de desenvolvimento pessoal, desenvolvimento empresarial e gestão, e melhorias de produtividade, ministrados por profissionais especializados de um consórcio de três organizações.

O segundo componente, de assistência técnica, também durou 3 meses e combinou visitas individuais dos consultores aos negócios das participantes com sessões em grupo para discussão de problemas comuns e estratégias empresariais.

Os três módulos da assistência técnica seguiam a mesma estrutura da capacitação geral, mas com foco mais específico nas características de cada negócio. No módulo de desenvolvimento pessoal, foram incluídos aconselhamento individual e apoio a grupos de autoajuda, além de um módulo de alfabetização digital.

No módulo de desenvolvimento empresarial, sessões individuais e em grupo ajudaram a examinar forças e fraquezas dos negócios e discutir ajustes e inovações. A formação de grupos de investimento entre empresas do mesmo ramo foi incentivada e apoiada, para que pudessem coordenar atividades empresariais comuns.

O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?

Foram documentadas as seguintes evidências sobre o pacote de capacitação geral com assistência técnica para microempreendedoras:

  • cerca de 53% das mulheres convidadas aceitaram iniciar a capacitação geral, e apenas 46% das designadas para a assistência técnica iniciaram as sessões em grupo desse componente [1];
  • no curto prazo, 7 a 10 meses após o fim da capacitação, foram encontrados efeitos positivos sobre vendas e práticas empresariais:
    • houve aumento de 20% nas vendas em um mês normal [1];
    • houve aumento de 12% de um desvio-padrãoO desvio-padrão mede a dispersão de valores de uma variável —valores mais altos indicam ocorrência de valores longe da média e valores mais baixos refletem maior concentração de valores próximos à média. Uma forma de interpretar efeitos medidos na escala de desvios-padrão, que é usada para tornar comparáveis provas usadas em diferentes contextos, é: "A cada aumento de 10% de um desvio-padrão equivale, aproximadamente, um salto de 4 posições a partir do aluno mediano (isto é, na posição 50)". Um aumento de 30% de um desvio-padrão, por exemplo, equivaleria a passar da posição 50 para a posição 62 (isto é, 30%/10% x 4 posições). Essas aproximações se tornam menos precisas para efeitos muito grandes. em um indicador residual de produtividade [1];
    • houve aumento de 5% de um desvio-padrão em um indicador agregado de boas práticas empresariais [1];
    • houve aumento de 19% (ou 4,4 pontos percentuaisO efeito de um programa em termos percentuais (%) é diferente do efeito do programa em pontos percentuais! Por exemplo, se uma variável binária teria média de 10% na ausência da iniciativa, um impacto de 5 pontos percentuais representa um aumento de 50% (=5/10).) na parcela de microempreendedoras que mantinham registros de vendas [1];
    • houve aumento de 71% (ou 7,5 pontos percentuais) na participação em associações empresariais, sobre uma base de 10,5% no grupo de controle [1];
  • no médio prazo, cerca de 2 anos após o fim da capacitação, os efeitos sobre vendas se mantiveram estáveis e os efeitos sobre práticas persistiram:
    • houve aumento de 19% nas vendas em um mês normal [1];
    • houve aumento de 17% nas vendas em um mês ruim [1];
    • houve aumento de 5,2% de um desvio-padrão no indicador agregado de boas práticas empresariais [1];
    • houve aumento de 40% (ou 3,7 pontos percentuais) na parcela de microempreendedoras que pagavam a si mesmas um salário fixo, e de 27% (ou 3,4 pontos percentuais) na parcela que registrava retiradas de dinheiro ou produtos do negócio [1];
  • houve, além disso, aumento no acesso a crédito de fontes informais no médio prazo: aumento de 36% (ou 5,8 pontos percentuais) no número de empréstimos de fontes informais [1];
  • esses efeitos sobre vendas foram indistinguíveis dos observados para o grupo que recebeu apenas a capacitação geral, o que sugere que a assistência técnica não gerou ganhos adicionais de vendas no médio prazo [1];
  • não foram encontradas evidências de efeitos sobre capital, número de funcionários ou formalização tributária [1];
  • os efeitos de médio prazo sobre vendas foram particularmente pronunciados para as empresas maiores na linha de base e para as empreendedoras com maior nível educacional [1].

Quais as fontes da informação?

  1. Valdivia, M. (2015). Business Training Plus for Female Entrepreneurship? Short and Medium-Term Experimental Evidence from Peru. Journal of Development Economics, 113, 33-51.
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