Aconselhamento Intensivo e Apoio à Busca de Emprego para Desempregados Mais Velhos na Alemanha — Perspektive 50plus
Aconselhamento Intensivo e Apoio à Busca de Emprego para Desempregados Mais Velhos na Alemanha — Perspektive 50plus
Qual era o objetivo?
Reintegrar pessoas desempregadas com 50 anos ou mais ao mercado de trabalho formal por meio de aconselhamento, coaching e apoio à busca de emprego.
Onde e quando?
O programa Perspektive 50plus foi introduzido pelo governo federal alemão em 2005 e continuou até 2015, com foco em pessoas desempregadas de 50 anos ou mais que recebiam o benefício assistencial condicionado à renda, Unemployment Benefit II (UB II). Em 2010, o programa já alcançava a maior parte dos centros locais de emprego na Alemanha.
As informações abaixo referem-se a um estudo observacionalOs estudos observacionais analisam dados coletados em situações em que os pesquisadores não têm controle sobre a exposição dos indivíduos à política ou ao programa social, baseando-se na observação das associações entre variáveis em seus contextos naturais. Nesse tipo de estudo, que frequentemente recebe o nome de "experimento natural" ou "quase-experimento", diferenças entre os grupos podem ser influenciadas por fatores que limitam a capacidade de estabelecer relações causais entre o programa e resultados de interesse. Estudos observacionais se apoiam nas metodologias modernas de inferência causal para contornar esse problema, construindo contrafactuais convincentes. que utiliza dados administrativos de pessoas desempregadas que entraram no recebimento do UB II em 2010, incluindo 17.193 indivíduos em centros de emprego participantes, dos quais 3.415 participaram do programa, e 14.130 indivíduos em centros não participantes. O estudo também utiliza uma amostra equivalente de 21.071 indivíduos em 2007 para comparações antes e depois da entrada dos centros no programa.
Como era o desenho?
O Perspektive 50plus era uma política ativa de mercado de trabalho direcionada a pessoas desempregadas mais velhas e de longa duração. A implementação ocorria por meio de pactos regionais de emprego formados por centros locais de emprego, frequentemente em parceria com empregadores, redes empresariais, organizações sem fins lucrativos, provedores de saúde e redes de voluntariado.
Os centros participantes tinham autonomia para organizar a combinação de serviços oferecidos. Entre os componentes estavam avaliação de habilidades, aconselhamento intensivo, coaching, apoio à busca de emprego, treinamento de curta duração, apoio à mobilidade, medidas de saúde e ações de integração social. O objetivo operacional era acelerar a transição para empregos não subsidiados e sujeitos a contribuições previdenciárias.
O desenho do programa reduzia a centralidade de esquemas de emprego público subsidiado, que haviam sido comuns na política alemã para trabalhadores mais velhos. A governança combinava financiamento federal, metas negociadas de integração e incentivos financeiros associados ao cumprimento dessas metas pelos pactos regionais.
O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?
Foram documentadas, no artigo listado na seção abaixo, as seguintes evidências de monitoramento e impacto:
- em 2010, o programa atendeu 283.332 pessoas desempregadas mais velhas, das quais 188.817 receberam mais de 25 horas de aconselhamento, treinamento ou outros serviços [1];
- os serviços oferecidos se concentraram em acompanhamento individualizado e apoio à inserção profissional: coaching representou 22,3% das medidas individuais, apoio à busca de emprego 16,8%, avaliação de habilidades 14,2% e treinamento ou desenvolvimento de habilidades 12,5% [1];
- o programa esteve associado a aumento da integração em empregos não subsidiados e sujeitos a contribuições previdenciárias [1];
- houve aumento de 4,8 pontos percentuaisO efeito de um programa em termos percentuais (%) é diferente do efeito do programa em pontos percentuais! Por exemplo, se uma variável binária teria média de 10% na ausência da iniciativa, um impacto de 5 pontos percentuais representa um aumento de 50% (=5/10). na integração ao mercado de trabalho 90 dias após o início da participação [1];
- houve aumento de 9,6 pontos percentuais 1 ano após o início da participação, o equivalente a cerca de 27% em relação à trajetória estimada do grupo de comparação [1];
- ao fim da janela de observação, o efeito estimado permaneceu positivo, em 8,8 pontos percentuais [1];
- não foram encontradas evidências de efeitos de aprisionamento sobre a entrada em emprego durante os primeiros meses de participação; ao contrário, os efeitos sobre emprego cresceram mais rapidamente no início do programa [1];
- apesar dos efeitos positivos sobre emprego, o programa reduziu a saída do recebimento de benefícios assistenciais no curto prazo [1];
- houve redução de 7,6 pontos percentuais na probabilidade de deixar o UB II após 3 meses de participação [1];
- esse efeito deixou de ser estatisticamente significanteChamam-se de estatisticamente significantes as estimativas de impacto que são distinguíveis de 0, após incorporadas à análise as incertezas associadas à generalização para outras amostras de indivíduos. após 8 meses e caiu para 1,0 ponto percentual após 1 ano [1];
- os impactos sobre emprego foram mais expressivos para homens, embora também positivos para mulheres [1];
- após 1 ano, houve aumento de 10,6 pontos percentuais na integração ao mercado de trabalho entre homens e de 8,1 pontos percentuais entre mulheres [1];
- em termos absolutos, 47,3% dos homens participantes e 41,4% das mulheres participantes foram integrados ao mercado de trabalho no primeiro ano após a entrada no programa [1];
- os autores também reportaram estimativas de intenção de tratar menores e estatisticamente insignificantes para emprego quando compararam todos os indivíduos em regiões participantes e não participantes, resultado que interpretam como compatível com possíveis efeitos de deslocamento entre participantes e não participantes [1].
Quais as fontes da informação?
- Boockmann, B., & Brändle, T. (2019). Coaching, Counseling, Case-Working: Do They Help the Older Unemployed Out of Benefit Receipt and Back Into the Labor Market? German Economic Review, 20(4), 436–468.
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