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Paulo Tafner na “Live do Valor”: o aumento da pobreza e as perspectivas para o Brasil

O economista analisa a evolução da pobreza, destacando o impacto nas chances de mobilidade social
Publicado em 17/08/2022
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O economista e diretor-presidente do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (Imds), Paulo Tafner, foi o entrevistado da “Live do Valor” na quarta-feira (10/8). Conduzida pela jornalista Lucianne Carneiro, do jornal “Valor Econômico”, a entrevista abordou o aumento da pobreza no Brasil ocorrido em 2021, as perspectivas para o cenário nacional e a implicação para a desigualdade, analisando o impacto do aumento na pobreza sobre as chances de mobilidade social e o futuro das atuais gerações. O economista também comentou sobre as perspectivas para a evolução da pobreza nos próximos anos.

Em um contexto inicial, Tafner retratou o estudo mais recente desenvolvido pelo Imds, que traz os dados de pobreza até 2021, e o que vem pela frente. O estudo mostra que o país atingiu um pico de pobreza naquele ano, quando 22,3% da população brasileira estava em situação de pobreza, o que equivale a cerca de 47 milhões de pessoas. “A pobreza é uma linha arbitrária e a severidade da pobreza é o quão próximo ou longe dessa linha você está”, afirma. “Tem mais gente pobre e gente mais pobre. Isso torna a situação especialmente grave.”

Tafner também explicou que o Imds usa, em suas pesquisas, a linha de pobreza desenvolvida pelo IBGE, IPEA e pela CEPAL. A ferramenta é composta por linhas regionalizadas (são 24 linhas regionais), que refletem os perfis de consumo de cada localidade brasileira e expressam preços relativos para as diferentes regiões. Os dados levam em conta o poder de compra e a estrutura de preços e as linhas são atualizadas anualmente pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor, o INPC.

Paulo Tafner destacou, também, a diferença entre pobreza e extrema pobreza. A extrema pobreza, que, em termos técnicos, é exatamente a metade da linha da pobreza, é traduzida em uma situação que pode por em risco a sobrevivência das pessoas. Ele comentou ainda sobre o grande problema de distribuição da pobreza e da extrema pobreza no território nacional, que agrava o quadro.

Perguntado sobre as medidas necessárias para resolver o problema da pobreza no país, Tafner afirmou que a resposta está nos “aprimoramentos pequenos, parciais e progressivos”. De maneira geral, segundo ele, o que os governos têm feito, quando se quer dar prioridade a uma política em particular, é cortar o investimento de outra área. Para o economista, o corte dos recursos alocados para o investimento promove uma redução do potencial de crescimento da economia, portanto, reduzindo o potencial de enfrentamento estrutural da pobreza, o que “tem se mostrado insuficiente, uma vez que não há quase mais o que cortar de investimento público no Brasil.”

Ao fechar a entrevista, o economista comentou sobre as perspectivas para 2022 e os próximos anos. Com os bancos centrais e governantes preocupados em fazer um pouso mais suave depois do impacto da pandemia e com uma possível resolução da guerra da Ucrânia, que impactou negativamente o mundo como um todo, Tafner enxerga as cadeias de produção voltando à normalidade, os preços se ajustando e uma perspectiva de crescimento e refração inflacionária. “Em relação aos próximos anos, isso é uma incógnita ainda. Mas eu sou otimista. Eu vejo com muitos bons olhos a perspectiva de redução acentuada dos níveis de pobreza, mas tudo depende de fatores externos.”

Veja a live completa aqui.