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Qualificação Profissional para Populações Vulneráveis no Brasil — PLANFOR

Avaliação de Impacto
Publicado em 03/09/2026
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Qual era o objetivo?

Melhorar a empregabilidade de populações vulneráveis por meio de cursos públicos de qualificação profissional.

Onde e quando?

O Plano Nacional de Qualificação Profissional (PLANFOR) foi elaborado em 1996 e implementado em Minas Gerais por meio do Plano Estadual de Qualificação Profissional (PEQ), incluindo cursos oferecidos na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

As informações abaixo referem-se a um estudo experimentalOs estudos experimentais utilizam mecanismos aleatórios (isto é, sorteios) para definir quem será e quem não será contemplado por um determinado programa ou política pública, garantindo que as diferenças futuras entre estes grupos possam ser atribuídas com maior credibilidade à intervenção em si — e não a diferenças entre quem é e quem não é "tratado". que utiliza dados de participantes e não participantes inicialmente elegíveis ao treinamento, acompanhados entre dezembro de 1996 e dezembro de 2000, com informações retrospectivas mensais sobre trajetórias ocupacionais.

A análise completa para a Região Metropolitana de Belo Horizonte contou com 1.159 entrevistas na quarta rodada de acompanhamento.

Como era o desenho?

O PLANFOR buscava ampliar a qualificação de trabalhadores com inserção vulnerável no mercado de trabalho. Em Minas Gerais, o PEQ oferecia cursos públicos de treinamento profissional para candidatos elegíveis, com prioridade para desempregados e outras populações excluídas.

Na pesquisa conduzida na Região Metropolitana de Belo Horizonte, os candidatos ao programa foram inicialmente inscritos e aceitos. Uma parte participou dos cursos de treinamento e outra parte, embora elegível, não participou após exclusão aleatória, permitindo comparar trajetórias ocupacionais de grupos semelhantes.

O acompanhamento registrou mensalmente se os indivíduos estavam ocupados ou desocupados, possibilitando observar entradas e saídas do desemprego ao longo de vários anos após o treinamento.

O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?

Foram documentadas as seguintes evidências sobre os cursos de qualificação profissional do PLANFOR/PEQ em Minas Gerais:

  • o treinamento reduziu a permanência média no desemprego para o total da amostra: a duração média dos episódios de desemprego foi de 9,9 meses no grupo de tratamento e de 11,8 meses no grupo de controle [1];
  • houve aumento na saída do desemprego para ocupação no total da amostra: no modelo de Cox, a taxa de saída para ocupação foi cerca de 23% maior para o grupo de tratamento do que para o grupo de controle [1];
  • a vantagem do grupo de tratamento foi mais clara em horizontes de média e longa duração do desemprego, pois a diferença entre as curvas de sobrevivência aumentou conforme os episódios de desemprego se prolongavam [1];
  • os efeitos variaram conforme a situação no mercado de trabalho no momento do treinamento [1];
  • entre os indivíduos que estavam desempregados no início do experimento, não foram encontradas evidências de efeitos estatisticamente significantesChamam-se de estatisticamente significantes as estimativas de impacto que são distinguíveis de 0, após incorporadas à análise as incertezas associadas à generalização para outras amostras de indivíduos. do treinamento sobre a geração e a manutenção do trabalho [1];
  • os impactos estimados foram melhores para os indivíduos que não estavam desempregados no momento do treinamento, indicando menor efeito para o público mais desfavorecido no mercado de trabalho [1];
  • os resultados dos modelos por episódios sugerem que o efeito do treinamento se concentrou nos primeiros episódios de desemprego, deixando de ser estatisticamente significante  entre pessoas com recorrência mais elevada de desemprego [1].

Em síntese, os cursos de qualificação profissional do PLANFOR/PEQ em Minas Gerais reduziram a duração média dos episódios de desemprego e aumentaram a saída do desemprego para ocupação no total da amostra. No entanto, os efeitos foram heterogêneos: os ganhos foram menos claros entre pessoas que já estavam desempregadas no início do experimento e entre indivíduos com recorrência mais elevada de desemprego. A experiência sugere que cursos públicos de qualificação podem melhorar trajetórias ocupacionais de parte dos participantes, mas podem ser insuficientes para os grupos em situação mais desfavorável no mercado de trabalho.

Quais as fontes da informação?

  1. Oliveira, A. M. H. C. de, & Rios-Neto, E. L. G. (2007). Uma avaliação experimental dos impactos da política de qualificação profissional no Brasil. Revista Brasileira de Economia, 61(3), 353–378.
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