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Programa One Laptop per Child de Acesso de Escolares a Computadores em Lima

Publicado em 25/10/2022 Atualizado em 11/03/2024
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Qual o objetivo?

Promover a aprendizagem autocapacitada, fornecendo laptops para crianças em países em desenvolvimento.

Onde e quando foi implementado?

O programa One Laptop per Child (OLPC) foi implementado em parceria com o Ministério da Educação para fins avaliativos em escolas públicas de ensino fundamental em Lima, Peru, entre os meses de junho e setembro de 2011.

Como é o desenho?

O OLPC forneceu laptops para uso doméstico para crianças que frequentavam escolas públicas de ensino fundamental (do 1º ao 6º ano) de baixo desempenho, com turno matutino e que tinham um total de 400 a 800 alunos. Essas escolas foram classificadas de acordo com seu desempenho médio no exame nacional padronizado da segunda série entre 2007 e 2009. Além disso, uma outra restrição usada para selecionar as escolas participantes foi que elas tivessem menos de 25 turmas, uma proporção de computadores escolares para alunos inferior a 0,15 e uma sala de aula disponível para funcionamento de um laboratório de informática no período da tarde.

Em seguida, os pais foram convidados a assinar um termo de consentimento por escrito para que seu filho ou filha pudesse participar do programa. Os laptops distribuídos tinham 512 MB de memória RAM, 2 GB de armazenamento flash e uma bateria que durava de duas a três horas. O sistema operacional era Linux e a interface gráfica, conhecida como Sugar, era projetada para ser usada por crianças e tinha suporte para instalação de centenas de aplicativos. Antes da distribuição, trinta e dois aplicativos, selecionados pelo Ministério da Educação para uso nacional, foram instalados nos laptops incluindo: (i) aplicativos padrão, como processador de texto, software de desenho, calculadora e bate-papo; (ii) jogos educativos, incluindo Tetris, Sudoku e quebra-cabeças; (iii) aplicativos para criar, editar e reproduzir música; (iv) dois ambientes de programação; e (v) outros aplicativos, incluindo gravação de som e vídeo e certas seções da Wikipedia. Os laptops também foram pré-carregados com e-books apropriados para a idade, que também foram selecionados pelo Ministério da Educação. Para incentivar o uso adequado dos laptops, foi fornecido a todos os alunos beneficiados um manual de instruções. O manual apresentava informações gerais sobre como usar o laptop e instruções práticas mais detalhadas para dez aplicativos priorizados.

As sessões semanais de treinamento ocorreram em cada escola durante um período de sete semanas, aos fins de semana. Em cada sábado durante o período de treinamento, houve três sessões de duas horas para alunos organizadas por série (1–2º, 3–4º, e 5-6º anos, respectivamente).

O que aprendemos com o monitoramento e a avaliação?

Foram documentadas, no artigo publicado listado na seção abaixo, as seguintes evidências a respeito do monitoramento e do impacto causal do programa nos alunos do 3º ao 6º ano que receberam acesso aos laptops:

  • a frequência média dos alunos das escolas participantes nas sessões de treinamento foi de cerca de 50% e aproximadamente 70% dos alunos compareceram a pelo menos uma sessão [1];
  • aumento de 80% na taxa de crianças que relataram ter um computador em casa, além de passarem 18 minutos a mais, ou aproximadamente 40%, utilizando um computador por dia, sendo que este efeito sobre o uso é maior entre meninos do que entre meninas [1];
  • aumento de 6% nas crianças que relataram usar um computador na semana anterior e de 12% nas crianças que relataram usar um computador no dia anterior, quando questionadas sobre o uso cinco meses após o início da intervenção [1];
  • aumento de 14% na propensão a usar computadores para jogar jogos, embora não tenha encontrado efeito na probabilidade de relatar o uso do computador para fazer lições de casa, no mesmo horizonte temporal [1];
  • aumento de cerca de 80% de um desvio-padrãoO desvio-padrão mede a dispersão de valores de uma variável - valores mais altos indicam maior ocorrência de valores longe da média e valores mais baixos refletem maior concentração de valores próximos à média. Para a distribuição normal, ou para distribuições razoavelmente similares a uma normal, um aumento de 10% de um desvio-padrão equivale a um efeito de 4 percentis a partir do percentil 50 - isto é, a passar da posição 50 para a posição 54, em uma fila de 100. nas notas de testes de proficiência no uso dos laptops e da sua interface, sugerindo um alto potencial do programa para a formação de habilidades de uso de tecnologias [1];
  • redução de 11% em um indicador de esforço escolar (engajamento com estudos), construído a partir de relatos dados pelos professores [1];
  • de forma consistente com os resultados apresentados acima, não foram encontradas, de modo geral, evidências de impacto no desempenho acadêmico ou nas habilidades cognitivas dos alunos nas escolas participantes, também medido 5 meses após o início da intervenção [1];
  • no entanto, foi observado um aumento de 14% de um desvio-padrão em um indicador de habilidades cognitivas entre alunos que, ao início do ano, tinham as piores notas (abaixo da mediana) [1].

De onde vem essa informação?

  1. Beuermann, D. W., Cristia, J., Cueto, S., Malamud, O., & Cruz-Aguayo, Y. (2015). One Laptop per Child at Home: Short-term Impacts from a Randomized Experiment in Peru. American Economic Journal: Applied Economics, 7(2), 53-80.

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