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Informação sobre Conversas com Bebês para Gestantes e Mães em Gana

Avaliação de Impacto
Publicado em 06/10/2026
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Qual era o objetivo?

Incentivar gestantes e mães de bebês a conversar mais frequentemente com seus filhos desde os primeiros meses de vida, corrigindo percepções equivocadas sobre a importância dessas interações para o desenvolvimento da linguagem e das habilidades cognitivas.

Onde e quando?

A intervenção foi implementada em 2021, na região de Tamale, no norte de Gana, em dez unidades públicas de saúde utilizadas por mulheres para acompanhamento pré-natal e pós-natal.

Participaram mulheres de 18 a 40 anos que estavam grávidas ou tinham um bebê pequeno e cujo filho teria entre 2 e 18 meses aproximadamente seis meses depois da intervenção. Também era necessário falar inglês ou dagbani, principal idioma da região.

Como era o desenho?

A intervenção possuía dois componentes simples.

O primeiro era um vídeo informativo de aproximadamente três minutos, disponível em inglês ou dagbani. O vídeo explicava que conversar diretamente com o bebê contribui para sua aprendizagem e desenvolvimento, mesmo antes de a criança conseguir falar.

Também apresentava exemplos de como incorporar essas conversas às atividades cotidianas, como:

  • descrever objetos durante caminhadas;
  • conversar durante o preparo das refeições;
  • contar histórias;
  • cantar;
  • comentar figuras e livros.

O segundo componente era um calendário de parede com imagens e mensagens do vídeo. Além de funcionar como lembrete, o calendário possuía estrelas semanais que as mães eram incentivadas a preencher caso tivessem conversado com a criança todos os dias naquela semana, com o objetivo de apoiar a formação do hábito.

A intervenção era entregue logo após consultas de pré-natal ou pós-natal nas próprias unidades públicas de saúde. Esse formato foi pensado para permitir eventual integração às rotinas dos serviços de saúde.

O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?

Foram documentadas as seguintes evidências sobre a intervenção:

  • seis a oito meses depois, as mães que receberam o vídeo e o calendário apresentavam um índice de crenças sobre a importância de conversar com bebês 0,126 desvio padrão O desvio-padrão mede a dispersão de valores de uma variável —valores mais altos indicam ocorrência de valores longe da média e valores mais baixos refletem maior concentração de valores próximos à média. Uma forma de interpretar efeitos medidos na escala de desvios-padrão, que é usada para tornar comparáveis provas usadas em diferentes contextos, é: "A cada aumento de 10% de um desvio-padrão equivale, aproximadamente, um salto de 4 posições a partir do aluno mediano (isto é, na posição 50)". Um aumento de 30% de um desvio-padrão, por exemplo, equivaleria a passar da posição 50 para a posição 62 (isto é, 30%/10% x 4 posições). Essas aproximações se tornam menos precisas para efeitos muito grandes. maior e relatavam práticas de interação verbal 0,124 desvio padrão maiores [1];
  • as mães também relataram melhores habilidades de linguagem das crianças, com aumento de 0,102 desvio padrão, e melhor comunicação por gestos, com aumento de 0,097 desvio padrão; após ajuste para múltiplos testes, o resultado mais robusto foi o de linguagem infantil [1];
  • em medidas mais concretas, as mães tinham probabilidade 10,4 pontos percentuais O efeito de um programa em termos percentuais (%) é diferente do efeito do programa em pontos percentuais! Por exemplo, se uma variável binária teria média de 10% na ausência da iniciativa, um impacto de 5 pontos percentuais representa um aumento de 50% (=5/10). maior de afirmar que os pais deveriam conversar com seus filhos desde o nascimento; também houve maior frequência relatada de leitura ou observação de livros com a criança [1];
  • as medidas objetivas foram menos conclusivas:
    • o índice de desenvolvimento infantil observado diretamente pelos pesquisadores aumentou 0,038 desvio padrão, e as gravações feitas durante um dia inteiro não mostraram aumento estatisticamente preciso no número de palavras dirigidas à criança ou em suas vocalizações [1];
  • a dificuldade de manter o novo comportamento parece ser uma limitação relevante:
    • meses depois, apenas 36% das mães ainda lembravam espontaneamente da principal mensagem sobre conversar com o bebê, embora 78% continuassem utilizando o calendário [1];
    • as próprias participantes mencionavam dificuldade de formar o hábito como uma das principais barreiras [1].

Em síntese, uma intervenção muito simples de informação e lembretes alterou as crenças das mães e produziu mudanças relatadas nas práticas de interação verbal e no desenvolvimento da linguagem infantil. No entanto, os resultados obtidos com medidas objetivas foram menores e imprecisos, de modo que a evidência é mais convincente para mudanças de conhecimento e comportamentos relatados do que para efeitos persistentes e objetivamente medidos sobre desenvolvimento infantil.

Quais as fontes da informação?

  1. Dupas, P., Falezan, C., Jayachandran, S., & Walsh, M. (2025). Informing Mothers about the Benefits of Conversing with Infants: Experimental Evidence from Ghana. American Economic Journal: Economic Policy, 17(2), 388–417.
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