Financiamento à Introdução e Expansão de Vacinas em Países de Baixa Renda — Gavi
Financiamento à Introdução e Expansão de Vacinas em Países de Baixa Renda — Gavi
Qual era o objetivo?
Ampliar a cobertura vacinal e reduzir a mortalidade por doenças preveníveis por vacinação em países de baixa renda, por meio do financiamento da aquisição e introdução de vacinas e do apoio aos sistemas responsáveis por sua distribuição.
Onde e quando?
A Gavi começou a apoiar países de baixa renda a partir de 2000. Inicialmente, eram elegíveis países com renda nacional bruta per capita de até US$ 1.000, com base nos valores de 1998, o que correspondia a 74 países.
O apoio foi direcionado principalmente aos programas nacionais de vacinação de países de baixa renda. A maior parte dos recursos financiava imunização de crianças, embora algumas campanhas também alcançassem crianças mais velhas e adultos.
Ao longo do tempo, a Gavi financiou tanto vacinas já utilizadas em países de baixa renda, como as vacinas contra difteria, coqueluche, tétano e hepatite B, quanto a introdução de vacinas mais recentes e inicialmente pouco disponíveis nesses países, como as vacinas pneumocócica e contra o rotavírus.
Como era o desenho?
A Gavi financiava a aquisição de doses de vacinas e apoiava sua introdução nos sistemas nacionais de imunização.
A maior parte dos recursos era destinada diretamente à compra de vacinas. O apoio à introdução também podia financiar custos de planejamento, capacitação, mobilização social e campanhas de comunicação, além de investimentos relacionados aos sistemas de distribuição de vacinas.
Os países beneficiários participavam do financiamento por meio de um sistema de cofinanciamento. Nos países de menor renda, a contribuição inicial era pequena e aumentava gradualmente conforme a renda nacional crescia, com o objetivo de permitir que os governos assumissem progressivamente o financiamento dos programas de vacinação.
A avaliação constitui um estudo observacional Os estudos observacionais analisam dados coletados em situações em que os pesquisadores não têm controle sobre a exposição dos indivíduos à política ou ao programa social, baseando-se na observação das associações entre variáveis em seus contextos naturais. Nesse tipo de estudo, que frequentemente recebe o nome de "experimento natural" ou "quase-experimento", diferenças entre os grupos podem ser influenciadas por fatores que limitam a capacidade de estabelecer relações causais entre o programa e resultados de interesse. Estudos observacionais se apoiam nas metodologias modernas de inferência causal para contornar esse problema, construindo contrafactuais convincentes. com estratégia de tripla diferença, uma extensão de diferenças em diferenças Método de avaliação de impacto que compara a mudança observada ao longo do tempo em um grupo afetado por uma política, programa ou intervenção com a mudança observada em um grupo de comparação. A ideia é estimar o efeito da intervenção descontando tendências comuns que também teriam ocorrido na ausência do programa. Em geral, o método exige informações antes e depois da intervenção para os dois grupos e depende da hipótese de que, sem a intervenção, ambos teriam seguido trajetórias semelhantes..
A estratégia explora o fato de que a Gavi começou a apoiar diferentes vacinas em momentos distintos dentro de um mesmo país e que uma mesma vacina foi introduzida em momentos diferentes entre países.
O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?
Foram documentadas as seguintes evidências:
- a introdução de uma vacina com apoio da Gavi aumentou sua cobertura em aproximadamente 2 a 5 pontos percentuais O efeito de um programa em termos percentuais (%) é diferente do efeito do programa em pontos percentuais! Por exemplo, se uma variável binária teria média de 10% na ausência da iniciativa, um impacto de 5 pontos percentuais representa um aumento de 50% (=5/10)., em média [1];
- para as vacinas pneumocócica e contra o rotavírus, que tinham disponibilidade muito limitada nos países de baixa renda antes do apoio da Gavi, o aumento da cobertura foi substancialmente maior, entre aproximadamente 10 e 20 pontos percentuais [1];
- os aumentos de cobertura começaram a aparecer aproximadamente dois anos após a introdução do apoio e permaneceram nos anos seguintes [1];
- não foram encontradas evidências de que a expansão das vacinas financiadas pela Gavi tenha reduzido a cobertura de outras vacinas não financiadas pelo programa [1];
- o apoio à introdução de vacinas reduziu em aproximadamente 1 morte de crianças de 1 a 59 meses por 1.000 nascidos vivos por causas relacionadas às vacinas financiadas [1];
- as reduções incluíram mortes por infecções respiratórias e doenças diarreicas, causas relacionadas, respectivamente, às vacinas pneumocócica e contra o rotavírus [1];
- a partir dos efeitos estimados sobre mortalidade e da expansão do programa entre 2000 e 2019, os autores estimam que o apoio da Gavi tenha evitado aproximadamente 1,5 milhão de mortes infantis, a um custo próximo de US$ 9 mil por vida salva [1].
Em síntese, o financiamento da Gavi ampliou a cobertura das vacinas apoiadas, com efeitos particularmente elevados na introdução de vacinas mais recentes, e reduziu a mortalidade infantil por doenças relacionadas às vacinas financiadas.
Quais as fontes da informação?
- Shastry, G. K.; Tortorice, D. L. (2025). Effective Health Aid: Evidence from Gavi’s Vaccine Program. American Economic Journal: Economic Policy, 17(1), 540–574.
