Estudo sobre o Programa Greater Avenues to Independence (GAIN) na Califórnia
Estudo sobre o Programa Greater Avenues to Independence (GAIN) na Califórnia
Qual era o objetivo?
Entender o peso relativo de componentes mais ou menos direcionados à inserção imediata no mercado de trabalho para a efetividade das iniciativas do programa.
Onde e quando?
O Greater Avenues to Independence (GAIN) foi uma política pública implementada pelo governo estadual da Califórnia em 1986. As informações abaixo referem-se a um estudo que utiliza dados experimentaisOs estudos experimentais utilizam mecanismos aleatórios (isto é, sorteios) para definir quem será e quem não será contemplado por um determinado programa ou política pública, garantindo que as diferenças futuras entre estes grupos possam ser atribuídas com maior credibilidade à intervenção em si — e não a diferenças entre quem é e quem não é "tratado". de uma pesquisa realizada em condados do estado, a partir de 1988, incluindo Alameda, Los Angeles, Riverside, San Diego.¹
Como era o desenho?
O GAIN teve como foco os beneficiários do programa de assistência social Aid to Families with Dependent Children (AFDC), exceto as mães de crianças menores de 6 anos, com variações na forma como os critérios de elegibilidade foram aplicados localmente pelos condados da Califórnia.² Todos os beneficiários registrados participaram de testes de triagem de habilidades de leitura e de Matemática. Aqueles que tiveram desempenho abaixo do básico e aqueles que não tinham concluído o ensino médio foram direcionados a cursos de EJA voltados à formação dessas habilidades, incluindo cursos de inglês para estrangeiros. Os participantes que tinham ensino médio completo ou tinham tirado nota acima do corte mínimo foram encaminhados para programas voltados à rápida inserção no mercado de trabalho ou à formação profissionalizante ou vocacional.
Como os governos locais da Califórnia tiveram ampla discricionariedade para delinear a combinação de serviços a serem oferecidos aos beneficiários, houve uma variação expressiva nas experiências individuais de implementação entre os condados do experimento. Em particular, alguns condados optaram por uma oferta maior de serviços diretamente relacionados à inserção rápida no mercado de trabalho, com menos ênfase na formação de habilidades futuras por meio da qualificação profissional. A ideia central do estudo foi utilizar os dados da pesquisa experimental para caracterizar padrões nos efeitos dos componentes específicos do programa. Uma das motivações foi revisitar uma conclusão importante e amplamente disseminada da pesquisa, segundo a qual o modelo de Riverside —que recorreu à intermediação imediata de mão de obra, com orientação clara para a inserção no mercado de trabalho— teve maior efetividade justamente pela atenção a essa forma de incluir os beneficiários de forma produtiva.
Foram incorporadas à análise dados sobre:
- o perfil dos inscritos nos anos anteriores ao experimento;
- as condições do mercado de trabalho local, em cada um dos condados;
- a parcela de beneficiários do GAIN que foram inscritos em componentes do programa mais ou menos voltados à inserção imediata, em cada condado.
Os autores desenvolveram formas de combinar esses dados não experimentais com dados experimentais e de aproximar numericamente os efeitos de componentes específicos. Então, eles utilizaram esses métodos para revisitar os dados do experimento GAIN e a questão da efetividade relativa superior da assistência direta à busca por emprego, atualizando a análise empírica dos efeitos do experimento, apresentando também efeitos de longo prazo, de 7 a 9 anos após a implementação.
O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?
Foram documentadas, no artigo listado na seção abaixo, as seguintes evidências:
- os componentes implementados pelo GAIN em Riverside geraram, de fato, efeitos positivos sobre trajetórias profissionais no curto prazo:
- por exemplo, no horizonte de 1 a 3 anos após o início da implementação, houve aumento de 39% (ou de 13,6 pontos percentuaisO efeito de um programa em termos percentuais (%) é diferente do efeito do programa em pontos percentuais! Por exemplo, se uma variável binária teria média de 10% na ausência da iniciativa, um impacto de 5 pontos percentuais representa um aumento de 50% (=5/10).) na parcela de indivíduos empregados [1];
- além disso, no mesmo período, foram encontrados efeitos expressivos na renda, com aumento de 63% nos rendimentos anuais auferidos no mercado de trabalho [1];
- no entanto, de 7 a 9 anos após a implementação, esses efeitos eram estatisticamente insignificantesChamam-se de estatisticamente significantes as estimativas de impacto que são distinguíveis de 0, após incorporadas à análise as incertezas associadas à generalização para outras amostras de indivíduos e estudos. e tinham magnitude próxima de zero [1];³
- a utilização dos métodos descritos acima sugere que a vantagem inicial de programas de colocação rápida no mercado de trabalho desapareceu ao longo do tempo e, no caso de Riverside, também foi influenciada fortemente pela incorporação de variáveis que capturavam condições do mercado de trabalho local nos 5 anos subsequentes à implementação da pesquisa experimental [1].
- O experimento também foi conduzido nos condados de Tulare e Butte, que tinham economias mais rurais do que os outros 4 condados, mas os dados desses locais não foram utilizados no estudo.
- Em Riverside e San Diego, por exemplo, foram feitos esforços para registrar todas as pessoas que recebiam benefícios do sistema de assistência social. Em Alameda e Los Angeles, por outro lado, o foco foi em beneficiários que se encontravam em situação de desemprego há um longo período. Por esse motivo, os participantes nessas localidades tendiam a ser mais velhos e a ter níveis de qualificação educacional mais baixos.
- Uma das razões apresentadas pelos autores para explicar o decaimento dos efeitos é que o protocolo do estudo experimental permitiu que o grupo-controle participasse de atividades do GAIN a partir de 1993.
Quais as fontes da informação?
- Hotz, V. J., Imbens, G. W., & Klerman, J. A. (2006). Evaluating the Differential Effects of Alternative Welfare-to-Work Training Components: A Reanalysis of the California GAIN Program. Journal of Labor Economics, 24(3), 521-566.
- Hotz, V. J., Imbens, G. W., & Mortimer, J. H. (2005). Predicting the Efficacy of Future Training Programs Using Past Experiences at Other Locations. Journal of Econometrics, 125(1-2), 241-270.
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